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Cooperativismo é saída para preços baixos

02/10/2014

Diante dos aumentos na oferta e redução de preço nas commodities agrícolas nesta safra, tanto no mercado doméstico quanto internacional, o cooperativismo será essencial para a agregação de valor aos produtos e auxílio aos pequenos produtores. A avaliação é do ex-ministro da Agricultura e presidente do Grupo de Líderes Empresariais (Lide) Agronegócios, Roberto Rodrigues, em entrevista exclusiva ao DCI na última semana.

“As cooperativas possibilitam aumento de escala e possibilitam a aquisição de insumos mais baratos, reduzindo custo”, disse. Para ele, os valores dos insumos continuarão subindo, mesmo com os preços menores das commodities agrícolas. Outra vantagem do sistema cooperativo é a de alavancar o crédito para pequenos e médios produtores, uma vez que em período de margens baixas, os bancos reduzem a oferta de crédito.

Na opinião de Rodrigues, as cooperativas têm ainda condições de negociar os produtos de forma mais vantajosa, além de estimular a agregação de valores. Até mesmo quando o milho e a soja é utilizada como alimento de aves, oferece vantagem para o produtor. “Desta forma exportamos frango e não grãos”, analisa.

Um prognóstico da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), para o período de 2014/2015, indica tendência de recuo nos valores da soja – principal commodity exportada pelo País – uma vez que o estoque mundial do grão é o maior dos últimos dez anos. Além disso, Estados Unidos, Brasil e Argentina registraram safras maiores do que o esperado. “O cenário do ano que vem é de redução nas margens e estamos falando de tudo, soja, milho, algodão, laranja, açúcar, café, salva a exceção das carnes, que têm um horizonte mais animador”, afirma Rodrigues, que também é coordenador da GV Agro.

Um mecanismo comum na agricultura é a migração para o produto que oferecer melhor rentabilidade naquele momento. Quando os preços estão altos, grande parte dos produtores opta por determinada cultura em detrimento das outras. A oferta cresce, a demanda se mantém e na safra seguinte os valores caem.

Por: Nayara Figueiredo

Fonte: Agrolink