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Cooperativas de sucesso no agronegócio mundial

Fabio Chaddad
Professor da University of Missouri e do Insper.

Em 2012 o mundo celebra o Ano Internacional das Cooperativas. Desde o advento da agricultura, o homem aprendeu trabalhar em grupo e a desenvolver vários arranjos organizacionais para facilitar a ação coletiva. Dentre esses arranjos, as cooperativas de produtores agropecuários desempenham um importante papel econômico e social no agronegócio.

Segundo dados da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB) de 2010, as 1.548 cooperativas do ramo agropecuário possuem 943 mil produtores associados e geram 146 mil empregos diretos. Essas cooperativas atuam no desenvolvimento e disseminação de novas tecnologias aos produtores (muitas vezes de graça); fornecem insumosInsumos: O mesmo que fatores de produção. Um insumo é um componente que é usado na atividade econômica para a produção de um bem ou serviço. Ex.: terra, trabalho, e capital. Inventário Brasileiro de Emissões de GEE aos produtores a preços competitivos (pois compram em volume); financiam a produção com linhas de crédito de custeio, investimento e comercialização; prestam serviços de gestão de riscos aos produtores; organizam a comercialização de commoditiesCommodities: Produtos padronizados e não-diferenciados, cujos preços são normalmente formados em bolsas de mercadorias do próprio país ou no exterior. Como os preços das commodities são majoritariamente fixados pelo mercado (fácil arbitragem nas bolsas de mercadorias), um produtor individual tem pouco ou nenhum controle sobre esta variável, o que torna a “liderança em custos” a sua principal estratégia competitiva. Os principais fatores de sucesso dos produtores de commodities são a exploração de economias de escala e escopo, os ganhos de produtividade, a racionalização dos processos produtivos, o acesso aos recursos naturais (jazidas de minerais, disponibilidade de terras férteis e água, etc.), as condições da infra-estrutura e logística, entre outros. Diversos tipos de produtos semi-processados e processados que têm origem na produção agropecuária ou nas atividades de mineração são também classificados como commodities. Exemplos de commodities brutas de origem agropecuária são: algodão, amendoim, cereais (arroz, milho, trigo, cevada), oleaginosas, bananas, borracha, cacau, café, madeira cortada, entre outros. Na área mineral, são commodities brutas tradicionais o carvão, o gás natural, o minério de ferro e o petróleo. As commodities processadas são aquelas que contam com algum grau de processamento industrial, destinadas ao consumidor final ou para uso em outros segmentos industriais. Exemplos de commodities processadas de origem agrícola e mineral são: arroz beneficiado, farelos em geral, óleo de soja, açúcar, fios de algodão, carnes em geral, madeira, celulose, suco de laranja concentrado e congelado, produtos do refino do petróleo, alumínio, etc. tanto no mercado doméstico quanto para exportação; e também responsabilizam-se pelo processamento de produtos agro-alimentares. Em outras palavras, as cooperativas têm papel fundamental na segurança alimentar, na produção e distribuição de alimentos a preços competitivos e na inserção internacional do agronegócio brasileiro. Uma vez que 67% de seus associados são produtores com áreas menores de 50 hectares, as cooperativas são extremamente importantes para o aumento da eficiência e para a inserção da agricultura familiar aos mercados.

Apesar de sua longa história, foi somente em 1844 que os pioneiros de Rochdale formalizaram um conjunto de princípios que norteou o desenvolvimento de cooperativas em vários setores da economia. Esses princípios foram adotados pela Aliança Cooperativa Internacional em 1937 e também serviram de modelo para a lei federal 5.764 de 1971, que serve de arcabouço jurídico para a organização e funcionamento de todas as cooperativas no Brasil.

Em seu mais recente livro, “The Origins of Political Order”, Francis Fukuyama argumenta que “the conservatism of societies with regard to rules is a source of political decay. Rules or institutions created in response too a set of environmental circumstances become dysfunctional under later conditions, but they cannot be changed due to people’s heavy emotional investments in them” (p. 45). Aplicando o argumento de Fukuyama para as cooperativas, a questão que se coloca é: os princípios de Rochdale ainda são relevantes no mundo atual?

Fonte: brasilcooperativo.coop.br