Sanitário

Controle estratégico do Carrapato dos bovinos de leite

QUANDO FAZER

Durante os meses mais quentes do ano, os carrapatos nascem e morrem rapidamente na pastagem, em função das temperaturas mais altas. Por isso, encontram-se em menor número parasitando os bovinos. Todos esses fatores indicam essa época como a mais propícia para uma estratégia intensiva de controle, que tem por objetivo eliminar o maior número possível de uma geração do carrapato, produzindo assim poucos carrapatos nos meses futuros.

COMO FAZER

Utiliza-se uma série de cinco banhos carrapaticidas, em intervalos de 21/21 dias, ou três tratamentos com produto “pour on”, em intervalos de 30/30 dias. Como é impossível eliminar os carrapatos, após essa série de combate estratégico, o número de carrapatos nos animais se manterá baixo até o início da primavera, quando tenderá a elevar-se. Caso essa elevação do número seja pequena, não devem ser realizados novos banhos ou tratamentos, pois os bezerros que nascem durante e após as aplicações devem ter contato com pequeno número de carrapatos, para desenvolverem proteção aos parasitas da Tristeza Parasitária, transmitidos pelos carrapatos. Reinicia-se o sistema de controle durante os meses mais quentes do próximo ano. Durante o primeiro ano de atuação, banhos ou tratamentos extras podem ser necessários. O sucesso desse sistema de controle depende diretamente do banho ou tratamento bem feito e, principalmente, da eficiência do produto utilizado.

POR QUE FAZER

Esse sistema, além de atuar sobre a menor população de carrapatos parasitando os bovinos durante o ano, tem dois propósitos:
– partir do início da execução do sistema de controle, a população de carrapatos na pastagem, e conseqüentemente nos animais, não aumentará mais, uma vez que os carrapatos que subirem nos animais, após um banho ou tratamento, serão eliminados no próximo banho ou tratamento, antes de completarem o ciclo de vida nos bovinos;

Após o banho ou tratamento, a volta dos animais para a pastagem faz com que as larvas de carrapatos ainda disponíveis sejam capturadas pelos bovinos e eliminadas, tornando a pastagem mais limpa.

O CARRAPATICIDA

O uso incorreto de um carrapaticida (subdose, preparo inadequado, aplicação mal feita) faz com que os carrapatos não morram após contato com o produto. Cada vez que carrapatos sobrevivem a uma aplicação de carrapaticida, transmitem às gerações posteriores informações genéticas de como sobreviver àquele produto. É a chamada “resistência”. Existem no mercado, atualmente, poucos grupos ou famílias de produtos carrapaticidas. A resistência instalada para um produto, com grande chance, também será para outros produtos do mesmo grupo. Por isso, não se tem muitas alternativas, em caso de resistências de carrapatos a carrapaticida. Como é praticamente impossível eliminar todos os carrapatos após a aplicação de carrapaticidas, é recomendável que se utilize sempre o mesmo produto, ou produtos de mesmo grupo ou família, pelo maior tempo possível, e da melhor maneira possível, somente trocando-o, e por produto de outro grupo ou família, quando não seja mais economicamente eficiente. Isso retardará o desenvolvimento da resistência que certamente virá.

O BANHO CARRAPATICIDA

O banho carrapaticida é a maneira mais comum de combater carrapatos em bovinos, em muitos casos a única, e a essa atividade não tem sido dada a atenção necessária. O processo geralmente é falho, e, sem nenhum investimento extra, pode ser extremamente melhorado, caso preparado e executado com mais atenção. O carrapaticida deve ser utilizado na dosagem recomendada pelo fabricante, e muito bem misturado, primeiro em pouca quantidade de água (calda), e depois na quantidade necessária para o banho. O equipamento, geralmente de aspersão manual, deve pulverizar com pressão suficiente para que o carrapaticida penetre entre os pêlos. Os animais devem estar amarrados individualmente e ficar completamente molhados. A aplicação de produtos apenas nas regiões onde se vê mais carrapatos faz com que os carrapatos pequenos, das outras partes do corpo não morram. Não deve ser realizado em horas de sol forte, nem em dias de chuva. Os animais próximos ao parto podem ser banhados como os demais, já que os carrapaticidas disponíveis são seguros. Porém, em função do estado desses animais, eles devem ser tratados com maior cuidado. A segurança do operador deve ser sempre considerada.

OS ANIMAIS

Em qualquer rebanho existem os chamados “animais de sangue doce”, mais afetados pelo carrapato, sendo considerados as fábricas de carrapatos no rebanho. O cuidado mais intenso desses animais, ou mesmo o descarte, reduzirá à metade pelo menos o número de carrapatos nas pastagens.

A PASTAGEM

Tem grande influência no controle dos carrapatos. Pastagens mantidas altas, ou de folhas largas, permitem melhor desenvolvimento e sobrevivência de carrapatos. Além disso, permitem uma maior lotação dos animais, que encontram facilmente as larvas e produzem mais carrapatos. É necessário maior cuidado, para que não se tornem altamente infestadas, pois será difícil limpá-las. A rotação ou vedação, por períodos superiores a trinta dias, durante os meses quentes do ano, faz com que se tornem mais limpas, pois grande parte das larvas morre de fome, caso não encontrem os bovinos. Na volta ao pasto vedado, os animais devem estar limpos de carrapatos, para que não se perca a limpeza conseguida.
John Furlong
Fonte: Embrapa Gado de Leite, © 1999

http://www.portalruralsoft.com/manejo/manejoExibe.asp?id=35