CONTROLE DO CICLO ESTRAL E OVULAÇÃO

Uma das principais razões para a utilização de técnicas de controle do ciclo estral em bovinos, é a de expandir a utilização da inseminação artificial, e acelerar o progresso genético do rebanho na melhoria da produção de carne e leite. Mediante a concentração do período de manifestação do cio, o trabalho diário de detecção do cio pode ser reduzido e, em alguns casos, eliminado.
Além do mais, permite que o criador escolha a época do ano mais adequada para os trabalhos de inseminação, de modo a maximizar a utilização da mão-de-obra disponível e melhorar a produtividade do rebanho. Convém, no entanto, salientar que o sucesso de um programa de indução e sincronização de cio depende do estado nutriclonal e sanitário dos animais.
Animais mal nutridos e com problemas de saúde não respondem satisfatoriamente ao tratamento. Outros fatores que devem também ser considerados são a disponibilidade de instalações adequadas, a utilização de sêmen de qualidade comprovada, os cuidados no manuseio de sêmen e a experiência do inseminador.
Basicamente, existem dois meios para o controle do ciclo estral em bovinos. O primeiro consiste na regressão prematura do corpo lúteo (luteólise) mediante a aplicação de compostos à base de prostaglandina F2a (PGF2a) . Os animais tratados retornam ao cio a partir do segundo dia após a aplicação.
O segundo meio de controle consíste em ministrar compostos à base de progesterona, de modo a suprimir o cio e a ovulação, até que o corpo lúteo de todos os animais do grupo tenha regredido. Após a retirada do estímulo (progestágeno), os animais retornam ao cio a partir do segundo dia. Este método, além de sincronizar o cio de vacas e novilhas com ciclos estrais regulares, tem se mostrado eficiente também na indução e sincronização de fêmeas em anestro.

Sincronização com prostaglandina F2

A utilização da prostaglandina F2 para controle do cio e ovulação é recomendada apenas para animais com ciclo estral regular e que possuam um corpo lúteo funcional.
Como a prostaglandína induz a regressão prematura do corpo iúteo (luteólise), ela só deve ser aplicada entre o 6º e o 18º dia do ciclo estral, quando o corpo lúteo é funcional. Tem sido demonstrado que o poder luteolítico da prostaglandina aumenta à medida que ocorre a maturação do corpo iúteo (Tabela 2), ao redor do 10º dia do ciclo estral.
O retorno ao cio ocorre a partir do segundo dia após o tratamento e a inseminação pode ser efetuada de acordo com a manifestação do cio, ou em horário predeterminado, sem a observação do cio.
Os produtos disponiveis são a Lutalyse e o Ciosin . A via preferencial de aplicação é a intramuscular na dosagem de 5 ml (Lutalyse) ou 2 ml (Ciosin) por injeção. Não devem ser aplicados em fêmeas prenhes, pois podem provocar o aborto.
No campo terapêutico, a prostaglandina F2a pode ser utilizada no tratamento de subestro ou cio silencioso, endometrite crônica, cistos lúteos ovarianos e na indução do aborto ou do parto.

Incidência de cio (%) e intervalo tratamento-manifestação de cio (horas), de acordo com o dia do ciclo estral em que foi ministrada a prostaglandina.

DIA DO CICLO ESTRAL

Bovinos         4° ao 9°       10° ao 14°     Acima do 14°        Fonte

Leite                     43                   84                    100 Watts & Fuquay 1985

Leite                     86                   90                      98 Tanabe & Hann 1984

Corte                    50                  100                   100 Berardinelli & Adair 1989

INTERVALO TRATAMENTO-CIO (h)

Bovinos          4° ao 9°         10° ao 14°     Acima do 14°      Fonte

Leite                      50                    70                     72 Watts & Fuquay 1985

Corte                     56                    67                     55 Berardinelli & Adair 1989

Corte                     48                      –                       60 King & Kiracofs 1982

Corte                     57                      –                       67 King & Kiracofs 1982

Fonte : Embrapa CNPGC

http://www.ruralpecuaria.com.br/2010/12/controle-do-ciclo-estral-e-ovulacao.html