Controle de Mamite

A mamite é a inflamação da glândula mamária. É causada pelos mais diversos agentes. Os agentes mais comuns causadores de mamites são as bactérias dos gêneros estreptococos e estafilococos. Outros agentes de importância causadores de mamites são os coliformes.

É preciso trabalhar preventivamente no controle de mamite, pois é uma doença que está sempre para surgir repentinamente. Esta é uma doença de manejo. Para se fazer uma prevenção adequada, é preciso considerar todo o manejo da propriedade. Quando os índices desta doença se elevam, significa que uma ou mais ações dentro do manejo está sendo executada de forma inadequada. Vale ressaltar que as mamites ambientais são esporádicas e podem acometer qualquer dos animais em lactação.

Dentro deste manejo da propriedade devemos levar em consideração todo o processo realizado diariamente dentro da propriedade, desde quando os animais estão no pasto, vem para a ordenha e voltam para o pasto.

Não importando a forma de ordenha, seja ela mecânica ou manual, deve ser observada a condução de todo o processo pois é um dos grandes causadores de mamite quando a própria ordenha não é bem conduzida. No processo com ordenha mecânica, os equipamentos devem ser conduzidos como recomendado pelos fabricantes. As trocas de peças e borrachas têm que ser executadas dentro do que for recomendado, pois, assim como o nível de vácuo, tem que estar conforme o recomendado, pois tanto o excesso como a falta deste vácuo são grandes fatores predisponentes para o aparecimento de mamite. Estes são exemplos do que pode facilitar a presença da mamite.

Existem vários testes que podem auxiliar no diagnóstico da mamite. O “CMT” (“California Mastitis Test”) é um teste que pode ser realizado no campo, muito prático, porém deve ser executado por profissional treinado. A contagem de células somáticas (“CCS”) é outro exame, feito em laboratório, que é usado para o diagnóstico da mamite. Estes dois meios de diagnóstico são utilizados para diagnosticar a mamite subclínica, que ocorre com certa freqüência nos rebanhos. É a mamite que não podemos enxergar a olho nu, porém é a precursora da mamite clínica, a qual pode ser vista a olho nu.

Outro teste que pode auxiliar no diagnóstico da mamite é a cultura. Toma-se uma porção do leite afetado e faz-se uma cultura em laboratório. Este exame é utilizado para identificar o causador da mamite.

O teste prático mais eficiente é o da caneca telada ou de fundo escuro, o qual deve ser feito a cada ordenha. Ele detecta a mamite clínica nos primeiros jatos de leite. Quando esta aparece, há um depósito de leucócitos (células de defesa) no canal da teta e estes leucócitos formam grumos que são visualizados logo nos primeiros jatos de leite. Estes primeiros jatos devem ser depositados na caneca de fundo escuro ou telada, onde os grumos serão visualizados com mais facilidade. Devido ao contraste do fundo da caneca com os próprios grumos, estes ficam mais aparentes. Neste caso, estamos diante da mamite clínica.

Nesses casos, o animal deve ser retirado do recinto e ser ordenhado mais tarde após os outros sadios. Dependendo da gravidade da mamite, o animal deve ser ordenhado fora do local de ordenha, para não contaminar o ambiente. Se a mamite for crônica o animal deve ser descartado.

No caso de controle adequado da mamite, pode-se utilizar a linha de ordenha em que primeiramente são ordenhadas as vacas sadias, depois as que já tiveram mamite e foram curadas e, no final, aquelas que estão com mamite e em tratamento.

O tratamento das vacas com mamite varia de acordo com o caso apresentado. Em geral, os tratamentos devem ser precedidos de ordenhas sucessivas em torno de quatro no período do dia, e havendo necessidade de medicamento, tratar somente após a ultima ordenha do dia.

As vacas secas devem ser tratadas com medicamentos próprios para esta fase. Existe no mercado vários medicamentos para tratamento preventivo de vacas neste período de descanso. É bom lembrar que estes medicamentos nunca devem ser utilizados para tratar mamites comuns, pois eles são próprios para a prevenção da mamite no período seco.

Fonte: Embrapa Gado de Leite

Site:  http://sistemasdeproducao.cnptia.embrapa.br/FontesHTML/Leite/LeiteSudeste/manejo

Autores:

Pedro Franklin Barbosa
André de Faria Pedroso
André Luiz Monteiro Novo
Armando de Andrade Rodrigues
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Eli Antônio Schiffler
Eurípedes Afonso
Márcia Cristina de Sena Oliveira
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