Milho

Controle biológico com a vespa Trichogramma mostra sua eficácia e surpreende produtor

04/03/2016

Dia de colheita de milho e sorgo para silagem com ênfase em controle biológico reuniu mais de 60 pessoas em Quartel Geral-MG, na quinta-feira, 18 de fevereiro. O evento foi realizado por duas Unidades da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) – Produtos e Mercado (Escritório de Sete Lagoas) e Milho e Sorgo, em parceria com a Cooperativa de Abaeté (Cooperabaeté), Siccoob Credioeste e Riber KWS Sementes, na Fazenda Lagoa, propriedade do senhor José Lourenço de Paula.

Estudantes, produtores rurais, extensionistas, autoridades municipais e representantes de empresas privadas e de instituições de ensino assistiram às palestras realizadas em quatro estações na fazenda.

O evento faz parte de um contrato entre as organizações parceiras, para estabelecer boas práticas agrícolas de cultivo de milho e de sorgo para a produção de silagem. As ações do projeto visam capacitar técnicos extensionistas para usarem a tecnologia e implantar Unidades de Referência Tecnológica (URT) em propriedades que possam servir de modelo para os produtores.

O chefe de transferência de tecnologia da Embrapa Milho e Sorgo, Jason de Oliveira Duarte, ressaltou que o objetivo da Embrapa é sempre trabalhar em parcerias. “Não trazemos para o produtor apenas as sementes, mas também o conhecimento das tecnologias usadas por várias instituições de pesquisa no Brasil. Por isso, temos trabalhado para trazer essas técnicas para os pequenos, médios e grandes produtores”, disse.

De acordo com o analista da Embrapa Produtos e Mercado, Sinval Resende Lopes, o dia de campo foi realizado para mostrar aos produtores porque utilizar o controle biológico no Manejo Integrado de Pragas (MIP). “O controle biológico visa preservar a biodiversidade, diminuindo o impacto ambiental, com a menor utilização de produtos químicos, permitidos pelas boas práticas agrícolas. Uma vantagem social e ambiental desse processo é o menor uso de insumos químicos”, ressaltou.

Na Fazenda Lagoa, foi instalada uma URT de milho e sorgo, com a finalidade de avaliar a eficiência do controle biológico no manejo integrado de pragas e também avaliar os materiais de milho e sorgo para a produção de silagem. “Houve eficiência do controle biológico com o uso da vespinha Trichogramma. Observamos que visivelmente a lavoura teve um bom desenvolvimento, sem ataques de pragas, sendo a principal ameaça as lagartas, notadamente a lagarta-do-cartucho e a broca-da-cana, que atacam tanto o milho quanto o sorgo”, disse o analista do setor de transferência de tecnologia da Embrapa, Fredson Ferreira Chaves.

O plantio foi realizado entre os dias 16 e 20 de novembro de 2015. E a colheita da silagem ocorrerá no mês de março. “O resultado ainda é qualitativo, mas o controle biológico foi eficiente. O monitoramento da lavoura foi realizado diariamente. O produtor ficou satisfeito com os resultados obtidos e seus vizinhos estão visitando a URT para saber como ele fez para manter a lavoura sadia”, disse Sinval Lopes.

Nas lavouras desta URT foram instaladas armadilhas com feromônio, e no momento em que apareceram as primeiras mariposas foi iniciada a liberação da vespinha. “Foram realizadas três liberações de Trichogramma, com intervalo de três dias cada uma. Na terceira liberação, o resultado já se mostrou eficaz”, comentou Sinval.

Na Fazenda Lagoa, José Lourenço cultiva aproximadamente 13 hectares de milho e de sorgo, há quatro anos, para fazer a silagem e alimentar o rebanho. “Este foi o primeiro ano em que usei o controle biológico para controlar as pragas. Eu fui nascido e criado na roça, e esta foi a melhor coisa que já fiz na lavoura. O acompanhamento e as orientações dos técnicos da Embrapa e das cooperativas foram muito importantes. O controle biológico funcionou muito bem. Fiquei surpreendido”, declarou o produtor.

Visitas às estações do dia de campo

As estações do dia de campo foram apresentadas pelos pesquisadores da Embrapa e pelos técnicos agrônomos das cooperativas e da Riber KWS Sementes.

Na primeira estação, o pesquisador da Embrapa José Avelino Santos Rodrigues apresentou algumas vantagens da cultura do sorgo, sendo a principal delas a capacidade de rebrota de no mínimo 40% do primeiro corte. “Geralmente, um bom produtor colhe em média 50 toneladas por hectare de forragem no primeiro corte. Com um bom manejo, no segundo corte, a rebrota vai render mais 40%, ou seja, mais 20 toneladas por hectare. E isto é um ganho significativo e o custo de produção da segunda colheita é muito baixo”, disse.

Já o técnico da Riber KWS Sementes, João César Viana Souza, falou sobre a escolha do material para silagem de milho. “É importante seguir as recomendações de população de plantas e o espaçamento correto no plantio, para ter uma boa produtividade e lucro”, recomendou.

Na estação 2, o pesquisador da Embrapa Ivan Cruz explicou como funciona o controle biológico de pragas com o uso de Trichogramma. Ele ressaltou que o grande problema na agricultura hoje é o aumento dos custos de produção pelo aumento do número de pulverizações visando o controle dos insetos-pragas. A tecnologia do controle biológico permite reduzir tais custos sem haver redução na eficiência do controle. “Além da eficiência e do menor custo, o controle biológico evita o aumento de resistência de insetos-pragas aos inseticidas e promove um aumento significativo dos inimigos naturais ou insetos benéficos nas lavouras”. Especificamente na área do produtor, o sucesso do controle biológico pode ser atribuído pelo uso correto do monitoramento da mariposa que origina a lagarta-do-cartucho com a armadilha contendo o feromônio sintético. A captura de mariposas na armadilha indica a chegada da praga na área e possibilita ao produtor a liberação da vespinha na hora certa.

“O Trichogramma, também conhecido como vespinha, é um inseto benéfico muito pequeno, mas de grande eficiência para controlar os ovos das pragas. Ou seja, a vespinha impede o nascimento das lagartas e evita danos à planta. Esta vespinha benéfica também tem a vantagem de conseguir detectar, no campo, onde o ovo da praga está”, pontua o cientista.

Ivan ressaltou também que o controle biológico deve cada vez mais ser componente prioritário em programas de manejo integrado de insetos-pragas. Por princípio, o MIP busca sempre preservar e incrementar os fatores de mortalidade natural, por meio do uso harmonioso de todas as técnicas de combate possíveis, selecionadas com base em parâmetros econômicos, ecológicos e sociais. Mas para o MIP ser eficaz, o agricultor precisa ter uma visão da paisagem agrícola de sua região e não apenas o controle de uma só praga e em uma única cultura.

“O sucesso do dia de campo deve ser também buscado em outras propriedades rurais, onde a meta principal é propiciar ao produtor rural a utilização de tecnologias simples, porém, de grande eficiência e dentro dos princípios de boas praticas agrícolas”, salientou o pesquisador.

Na estação 3, foi abordado o tema “Manejo de lavoura de milho e de sorgo para a produção de silagem, com ênfase no controle biológico de pragas”, pelos analistas Débora Dias Britto, da Sicoob Credioeste, e Eduardo Nogueira Póvoa, da Cooperabaeté.

Débora Britto falou que o controle biológico na lavoura depende muito da observação diária do produtor. “Além de preparar o solo para o plantio e fazer a adubação correta, é importante o olho observador do produtor, para aplicar a vespinha Trichogramma no momento certo”.

Já Eduardo Póvoa mostrou algumas vantagens dos custos financeiros de aplicação do controle biológico de pragas, destacando a produção de alimentos mais saudáveis, sem resíduos químicos. “Os benefícios são muito maiores que o custo financeiro. Além de evitar a intoxicação humana com produtos químicos”, afirmou.

“O que se ganha na produtividade da lavoura já vale o custo da tecnologia. Nem com uso de inseticidas químicos o controle de pragas seria tão bom”, afirmou o produtor José Lourenço, ressaltando que “a partir da terceira aplicação de vespinhas a lavoura reagiu totalmente ao ataque de pragas”.

Sistema de plantio direto

No dia de campo foi apresentado também o tema Sistema de Plantio Direto (SPD), na estação 4, pelo técnico do setor de transferência de tecnologia da Embrapa, João Batista Sobrinho. Ele falou sobre a distribuição espacial de plantas no plantio direto, com Integração Lavoura-Pecuária. Nesta estação houve, também, apresentação de tratores pela empresa LS Tractor Triama.

João Batista ressaltou que o sistema de plantio direto é feito sem as etapas convencionais de aração e gradagem do solo. “O plantio direto é feito sobre a palhada. Para isso, o solo precisa receber correção física e química, e o agricultor deve planejar o manejo da lavoura para haver rotação de culturas na mesma área”, disse, explicando que o produtor precisa buscar orientação dos técnicos extensionistas e dos vizinhos com mais experiência.

De acordo com João Batista, o Sistema de Plantio Direto apresenta algumas vantagens para o produtor rural. Uma delas é aumentar a janela de plantio, uma vez que o produtor pode plantar 12 horas após a chuva.

“O produtor ganha também porque o SPD promove a elevação do teor de matéria orgânica do solo; reduz perdas por veranicos, por causa do efeito palhada; reduz o custo de produção com o preparo do solo, pulverizações e mão de obra; e simplifica o gerenciamento das atividades.  Este sistema reduz perdas de solo e água, pois o solo fica mais poroso, permitindo o aumento da infiltração de água e protegendo-o contra o impacto da chuva”.

Fonte: Embrapa