Reprodutivo

COMPORTAMENTO PRODUTIVO E REPRODUTIVO DE VACAS MESTIÇAS MANTIDAS EM PASTEJO DE CAPIM-ELEFANTE, EM PARNAÍBA – PIAUÍ

João Avelar Magalhães e Braz Henrique Nunes Rodrigues – Embrapa Meio Norte

 

Eduardo Esmeraldo Augusto Bezerra – Infoleite

 

Lúcio Lopes Neto – Cooperativa Delta

 

Nos estados do Piauí e Maranhão, onde é muito baixa a produção de leite, a alimentação das vacas em lactação é feita à base de concentrados de alto custo. Uma opção para o incremento da atividade na região é o emprego de forrageiras de alto potencial produtivo em pastejo rotativo. O objetivo deste trabalho, realizado nos anos de 2002 e 2003, foi avaliar a performance produtiva e reprodutiva de vacas mestiças mantidas em pastejo de capim-elefante, com ou sem suplementação, nas condições edafoclimáticas dos Tabuleiros Costeiros do Meio-Norte.

 

O experimento, financiado pelo Banco do Nordeste/Fundeci, foi conduzido na Embrapa Meio-Norte, em Parnaíba – PI em um Neossolo Quartzarênico, textura arenosa e relevo plano. O delineamento experimental foi o inteiramente casualizado com cinco repetições e três tratamentos: T1 – Vacas em lactação mantidas exclusivamente em pastagem de capim-elefante-; T2 – Vacas em lactação mantidas em pastagem de capim-elefante + banco de proteína de leucena e T3 – Vacas em lactação mantidas em pastagem de capim-elefante + ração concentrada, fornecida na quantidade de 1 kg para cada 3 kg de leite produzido acima de 5 kg. Foram utilizadas 15 vacas do tipo girolando, em graus de sangue entre ½ e ¾, que foram distribuídas nos tratamentos de acordo com a fase de lactação, grau de sangue e idade. As ordenhas eram realizadas pela manhã e à tarde. No período seco, a pastagem de capim-elefante foi irrigada por aspersão. A área foi subdividida, por meio de cerca elétrica, em parcelas com áreas variando entre 0,34 e 0,53 ha.

 

Os períodos de ocupação variaram de um a três dias, seguidos de 30 a 45 dias de descanso para cada parcela. Todos os animais receberam tratamento sanitário de rotina: vacinação contra a febre aftosa e pulverização com ectoparasiticidas. A maior produção leiteira foi obtida dos animais do T3 (10,31 kg de leite/vaca/dia e 3.115,7 kg de leite/vaca/lactação), que foi 13,49% superior (P<0,05) ao T2 (9,06 kg de leite/vaca/dia e 2.642,86 kg de leite/vaca/lactação) e 31,00% ao T1 (7,87 kg de leite/vaca/dia e 2.249,64 kg de leite/vaca/lactação). O maior período de lactação foi registrado nas vacas do T2 (311,15 dias), seguido do T3 (297,66 dias) e do T1 (288,4 dias). A relação da produção de leite por kg de concentrado foi de 5,41, representando um consumo de 0,185 kg de concentrado/kg de leite. Quanto aos parâmetros reprodutivos do rebanho, destacaram-se o intervalo entre partos (13,13 meses), o período de gestação (281,42 dias), o primeiro cio pós-parto (90,68 dias) e o peso da matriz pós-parto (480,75 kg). As crias pesaram ao nascer 30,44kg, sendo que os machos pesaram 32,36 kg e as fêmeas 28,55 kg.

 

Os resultados apontam que, nas condições dos Tabuleiros Costeiros do Piauí, até 8 kg/dia de leite, aproximadamente, podem ser obtidos de vacas mantidas exclusivamente em pastagens de capim-elefante, desde que adubadas e irrigadas no período seco.

 

João Avelar Magalhães

Pesquisador – CPAMN

Braz Henrique Nunes Rodrigues

Pesquisador – CPAMN

 

Fonte: http://www.agronline.com.br/artigos/artigo.php?id=257