Gerenciamento de Produção

Comportamento do setor da agrofloricultura

O Brasil possui clima e solo apropriados à produção de flores temperadas e tropicais, o que vem proporcionando um aumento da área cultivada, que superou 5 mil hectares em 2004.
Esse agronegócio movimenta, ao longo de toda a cadeia produtiva, cerca de US$ 2 bilhões por ano. Nessa atividade, entre as 200 espécies de flores mais cultivadas no país, cerca de 160 são tropicais (SEBRAE, 2003).
O Programa Brasileiro de Apoio às Exportações de Flores e Plantas Ornamentais (FloraBrasilis) foi implantado em 2000 por meio de Convênio Ibraflor/Apex-BRASIL, com a primeira fase concluída em 2002 e continuidade no período 2003/2007. O programa contempla, entre suas principais atividades, a elaboração e implantação do Plano Estratégico para a Exportação de Flores e Plantas Ornamentais do Brasil.
Esse Plano Estratégico tem por objetivo principal orientar e dirigir as potencialidades específicas dos diversos pólos nacionais de floricultura para a plena ocupação das oportunidades comerciais no mercado internacional, com base na valorização dos aspectos de maior competitividade de cada segmento, pólo produtivo e empresa, frente às particularidades das demandas de cada mercado comprador (IBRAFLOR, 2005). Ou seja:
Promover o aumento das exportações do setor de flores e plantas ornamentais, contribuindo para o equilíbrio da balança comercial brasileira, mediante a realização de um elenco de ações voltadas à elevação do patamar tecnológico da produção, à melhoria dos processos e tecnologias de pós-colheita, dos ganhos produtivos de uma melhor logística de distribuição, bem como da abertura de novos mercados no âmbito internacional, melhorando a remuneração em todos os segmentos da Cadeia Produtiva – exportadora de flores e plantas ornamentais do Brasil (IBRAFLOR, 2005).
As metas do Plano Estratégico das Exportações de Flores e Plantas Ornamentais do Brasil foram relativamente ambiciosas e indicavam crescimento a um ritmo superior ao projetado para a demanda do mercado mundial. A dinâmica e desempenho do setor dependem e estão associados à adoção de um conjunto consistente e persistente de políticas no plano doméstico, que envolve ações no âmbito federal e estadual, nos plano macro e microeconômicos, relacionadas às áreas de financiamento, inovação tecnológica, capacitação, infra-estrutura e marketing. O plano brasileiro previa quadruplicar o valor atual das exportações brasileiras, passando de US$ 20 milhões anuais para US$ 80 milhões, no prazo de três anos, e triplicar a área cultivada (340 hectares quando da elaboração do plano) apta a produzir para exportar.
É preciso reconhecer que, apesar dos esforços do setor público e privado para definir e coordenar políticas e ações – o próprio plano é um indicador de progresso institucional –, o contexto geral não pode ser considerado favorável para o êxito desse plano. De um lado, a estabilidade monetária não deu lugar ao equacionamento dos gargalos de financiamento e, de outro, a apreciação do Real reduziu os estímulos para a exportação. Embora o resultado em termos de exportação tenha sido modesto, o FloraBrasilis contribuiu, de forma positiva, para disseminar informações, conscientizar produtores e governos para a importância do setor, do seu potencial e vulnerabilidades; também contribuiu para o desenvolvimento de mecanismos de coordenação do setor e para estimular e apoiar programas estaduais de promoção da produção e exportação de flores.
Na primeira fase de execução (2000-2002) do FloraBrasilis, foram realizadas ações junto ao MAPA para incluir a floricultura no plano de safras, financiar pesquisas, prestar assistência técnica a floricultores, proceder à certificação de produtos, treinar técnicos do setor privado para emitirem certificados fitossanitários de origem e melhorar as condições de análise de risco de pragas na importação de material genético básico para a floricultura. No Ministério da Fazenda, buscou-se extender o prazo de benefícios fiscais relativos a Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Prestação de Serviços concedidos a insumos agrícolas utilizados na floricultura. No Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis do Ministério do Meio Ambiente, procurou-se obter isenção da Autorização de Trânsito de Produtos Florestais para os comerciantes atacadistas. No plano externo, tentou-se verificar o impacto sobre o setor com a Secex, resultante de benefícios do  egime especial de tarifas concedido pela União Europea no combate contra a produção e o tráfico de drogas, do qual o país é beneficiário; atuou-se junto à Empresa Brasileira de Infra-Estrutura Aeroportuária para viabilizar a construção de câmaras frigoríficas para produtos da floricultura nos aeroportos de Guarulhos e Viracopos; cuidou-se da capacitação técnica e de apoiar nos estados a elaboração de Planos Setoriais Integrados de Promoção de Exportações de Flores e Plantas; estruturou-se o Banco de Consultures do Ibraflor para melhorar a assistência técnica aos produtores; manteve-se, no período, a edição das publicações “Informativo Ibraflor” e “Padrão Ibaflor de Qualidade”; foram publicadas matérias e análises estatísticas nos principais jornais e revistas setoriais do país; e foram apoiados eventos e publicações da Sociedade Brasileira de Floricultura e Plantas Ornamentais (Fonte: http://www.ibraflor.com.br/ibraflor/index. acesso em janeiro de 2007).
Na segunda fase (2003-2005) do FloraBrasilis, foi consolidada a central de serviços e o banco de dados de consultores do Instituto Brasileiro de Floricultura (Ibraflor). Instalou-se um centro de treinamento e capacitação profissional em campinas e elaborado projeto para simplificar os processos necessários à exportação de produtos da floricultura. Manteve-se a edição das publicações Informativo Ibraflor e Padrão Ibaflor de Qualidade. A publicação de matérias e análises estatísticas nos principais jornais e revistas setoriais do País e o apoio a eventos e publicações da Sociedade Brasileira de Floricultura e Plantas Ornamentais.
Continuou-se estimulando e orientando os estados na elaboração de Planos Setoriais Integrados de Promoção de Exportações de Flores e Plantas Ornamentais (Fonte: http://www.ibraflor.com.br/ibraflor/index. Acesso em janeiro de 2007).
Os resultados alcançados pelo FloraBrasilis, apesar de serem ainda modestos, contribuíram para a expansão das exportações de produtos do setor, que passou de US$ 11,8 milhões de dólares FOB em 2000 para US$ 25,8 milhões de dólares FOB em 2005. Contudo, como indicado anteriormente, o FloraBrasilis contribuiu para organizar, promover o desenvolvimento institucional e estruturar o setor para poder exportar.

Fonte:

http://www.iica.org.br/Docs/CadeiasProdutivas/Cadeia%20Produtiva%20de%20Flores%20e%20Mel.pdf

 

Brasil. Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento.

Cadeia produtiva de flores e mel / Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento,

Secretaria de Política Agrícola, Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura ; Antônio

Márcio Buainain e Mário Otávio Batalha (coordenadores). – Brasília : IICA : MAPA/SPA, 2007.

140 p. ; 17,5 x 24 cm – (Agronegócios ; v. 9)

ISBN 978-85-99851-21-0

 

1. Agronegócio – Brasil. 2. Política Agrícola – Brasil. 3. Frutas. I. Secretaria de Política

Agrícola. II. Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura. III. Buainain, Antônio

Márcio. IV. Batalha, Mário Otávio. V. Título.

AGRIS 3307;9340

CDU 631.575