Pecuária

Comportamento do frango resfriado no atacado e no varejo

28/09/2015

Aparentemente com atraso e em sentido inverso ao do setor produtivo, o varejo paulistano começou a repassar ao consumidor a alta de preços que o frango abatido resfriado experimentou na primeira quinzena de setembro. Pois nas duas últimas semanas, enquanto o produto comercializado pelos abatedouros no atacado paulistano registrou baixa vertiginosa, no varejo – conforme acompanhamento do Procon-SP – os preços seguiram em alta.

Demonstrando e tendo como base os dias 10 e 24 de setembro, quintas-feiras em que o Procon-SP realiza seus levantamentos semanais: alcançando valor médio de R$4,18/kg no dia 10, o frango resfriado comercializado no grande atacado de São Paulo seguia, então, a caminho de um recorde histórico (cerca de R$4,30/kg no dia 14); mas no dia 24 fechou cotado por cerca de R$3,70/kg – uma queda de, aproximadamente, 11,5% em duas semanas (ou de 14% em 10 dias se considerado o valor recorde do dia 14).

Já no varejo paulistano, o preço médio levantado pelo Procon-SP no dia 10 foi de R$5,17/kg, ou seja, valor inferior aos registrados, por exemplo, em algumas quintas-feiras de fevereiro e março. Mas duas semanas depois, no dia 24, o consumidor pagou R$5,65/kg pelo frango resfriado – aumento de pouco mais de 9% em 14 dias.

Mas o que se quer destacar aqui (e fica mais claro nos gráficos abaixo) é que, além de o repasse das maiores altas no varejo estar ocorrendo só agora, as variações registradas pelo setor no decorrer do ano vêm sendo mais comedidas que as registradas no atacado.

Comparando um e outro segmento a partir do preço médio alcançado nessas 39 semanas: no atacado, o valor mínimo caiu 11% em relação à média, enquanto o valor máximo foi 28% superior; amplitude, portanto, de 39 pontos percentuais entre mínimo e máximo. Já no varejo paulistano essa amplitude não chega a 8 pontos percentuais, pois, comparativamente à média, o valor mínimo recuou 2,72% e o máximo foi 5% superior.

A menor variabilidade observada nos preços do varejo indica que, no setor varejista, o mais fraco período de vendas do mês (segunda quinzena) só é afetado pelo volume, mas não pelo preço – algo que não ocorre no campo atacadista, onde a segunda quinzena, salvo raríssimas exceções, é marcada pela queda de volume e de preço.

Talvez isto também ajude a explicar a maior variabilidade de preços do atacado. Sabendo de antemão que na segunda quinzena receberá menos pelo produto, parece que o setor procura garantir seu ganho na primeira metade do mês. Mas, ainda assim, sai perdendo sem que o consumidor seja beneficiado.

Confirma essa tese o fato de, ao longo do tempo, os dois segmentos apresentarem índices de evolução de preços diferentes. Assim, nas primeiras 39 semanas de 2015 o preço médio alcançado no grande atacado paulistano pelo frango resfriado aumentou 4,4% em relação a idêntico período de 2014. Já no varejo essa variação ficou em 7,2%.

Fonte: Avisite