Pecuária

Competitividade no setor de carnes

Desde o início da década de 90, com os processos de abertura comercial, desregulamentação de alguns setores do mercado interno e estabilização econômica, o ambiente competitivo para os Sistemas Agroindustriais (SAI’s) foi significativamente alterado. A partir deste momento, empresas estrangeiras passaram a competir de maneira mais intensa com empresas nacionais, tendo como principais conseqüências o aumento da oferta de produtos, quase sempre mais competitivos segundo aspectos de qualidade, segurança e preço, quando comparados com produtos até então disponibilizados no mercado interno. Paralelamente a esta alteração a desregulamentação de alguns Sistemas Agroindustriais, a exemplo do lácteo, expôs a fragilidade de sistemas pouco competitivos, forçando a redefinição de estratégias de produção, comercialização e de estruturas organizacionais mais apropriadas ao novo ambiente competitivo. Soma-se a estes dois primeiros fatos a estabilização econômica, que propiciou maior poder aquisitivo para a população e a conseqüente possibilidade de escolha, dentre uma variedade maior de produtos, daquele mais adequado à suas necessidades e desejos. Diante da redefinição do ambiente competitivo, a busca por maior competitividade tornou-se fundamental para manutenção e/ou crescimento do SAI’s presentes no mercado Brasileiro.

Considerando a hipótese de que Sistemas Agroindustriais mais bem coordenados apresentam maior competitividade  e que competitividade significa manutenção e crescimento em mercados , analisa-se neste artigo, a evolução da produção e da participação no mercado externo das carnes de frango, bovina e suína, comparativamente às formas de coordenação empregadas.

A verificação das estruturas organizacionais dos SAI’s analisados neste trabalho demonstra que grande parte da produção de frangos e suínos no país é feita sob sistema de integração, ou seja, formas coordenadas entre os agentes da cadeia produtiva. No SAI da carne bovina a participação deste sistema de coordenação é pouco representativa.

A análise do volume de produção, segundo dados da FAO (2010) evidência crescimento para todo o setor de carnes no período analisado (1988 a 2007). A produção de carne de frango foi a que mais cresceu (85,18%), seguido da carne bovina (60,5%) e em menor intensidade, da produção de carne suína (24,5%%).

De maneira complementar, a análise das exportações, revela que às exportações de carne de frango e de carne suína tiveram aumentos significativos, sendo estes respectivamente de 1.160,9% e 557,0%. Para o SAI da carne bovina houve decréscimo de 19,2% nas exportações para o período analisado (FAO, 2010).

É importante ressaltar que a evolução na produção e nas exportações dos produtos considerados deve-se a uma série de fatores, entre estes, a melhoria dos sistemas de produção, melhoramento genético e nutricional, sendo estas, também decorrentes de uma melhor organização destes SAI’s. Entretanto, os mais bem coordenados, via processos de integração apresentaram resultados ainda melhores, ocasionados pelo estabelecimento de relações mais bem definidas, a exemplo, da padronização de produtos, controle e garantia da qualidade, estabelecimento de preços de referência e volume comercializados.

Referências Bibliográficas

BÁNKUTI, S. M. S. Análise das transações e estruturas de governança na cadeia produtiva do leite no Brasil: a França como referência. Tese (doutorado em Engenharia de Produção). Universidade Federal de São Carlos, SP. 2007.

BRITO, M. M; BÁNKUTI, F. I. O setor de carnes: o reflexo das formas de coordenação na competitividade. In: Anais do VI Simpósio de Ciências da UNESP. Dracena, SP. 2010.

FAO. Food and Agriculture Organization. Statistical database – Faostats/agriculture, 2010. Disponível em: www.fao.org. Acesso em: 05 ago. 2010.

LOURENZANI, A. E. B. S. Condicionantes para inserção de pequenos produtores em canais de distribuição: uma análise das ações coletivas. Tese (doutorado em Engenharia de Produção). Universidade Federal de São Carlos, SP. 2005.

SILVA, C. A. B; BATALHA, M. O. Competitividade em Sistemas Agroindustriais: metodologia e estudo de caso. In: II Workshop Brasileiro de Sistemas Agroalimentares. Ribeirão Preto, SP. 1999.

Fonte: http://www.iepec.com/noticia/competitividade-no-setor-de-carnes