Pecuária

Como poupar a pastagem para a seca

Vedação do pasto no fim do verão e uso de carga adequada garantem sobra de capim para a seca
As chuvas são normais, o pasto está verde, cresce rápido e garante boa oferta de massa. Nessas condições, não há porque o pecuarista se preocupar com o alimento do gado. É uma situação que ocorre no período das águas, especialmente nos meses do verão. Mas essa abundância dura pouco, dando lugar à escassez do período seco que, no Centro-Oeste, tem sido mais longo que a temporada de chuvas. Nesse momento, o capim praticamente pára de crescer, perde qualidade e os animais emagrecem e produzem menos.
Por isso, é fundamental que o criador programe de forma adequada o uso da pastagem para todos os meses do ano. De acordo com o engenheiro agrônomo Haroldo Miguel Domingues Ferraz, da Agência Rural, o manejo correto das pastagens é uma das opções que os criadores têm para que os pastos cheguem ao período seco com maior quantidade de volumoso. Segundo ele, usar o pasto em rodízio melhora a produção de massa verde.
Haroldo Miguel argumenta que, teoricamente, toda vez que se divide um pasto, sua capacidade de suporte aumenta em média 20%. Mesmo que a propriedade tenha grande número de animais, o ideal é dividir os pastos em talhões menores, ainda que isso tenha custo maior com cercas e cochos. Porém, a divisão permite fazer manejo mais racional. Nas condições de Goiás, em que a forrageira predominante é a braquiária brizanta (braquiarão) é muito comum as pessoas colocarem superlotação nas águas e depois enfrentaram escassez de capim na seca, o que é mau negócio. Cerca de 90% dos pecuaristas goianos ainda adotam o pastejo contínuo.

O que fazer?

Se o pecuarista possui muitos animais e pouco pasto, o que fazer para chegar ao período seco com boa quantidade de volumoso? Haroldo Miguel dá uma dica: garantir uma poupança mínima de volumoso para seca, ainda que para isso seja necessário comercializar parte do rebanho, reduzindo o número de cabeças por hectare, ou alugar pasto fora da propriedade, avaliando se entecamimoncotal providência é interessante economicamente. Conforme o agrônomo, é muito comum em Goiás os pecuaristas trabalharem sempre com lotação acima da capacidade do pasto. No período das águas, tudo vai bem. Porém, quando chega a seca há prejuízos com perda de peso, morte de animais e queda no desempenho dos animais, principalmente rebanho de corte. Quando faz o manejo correto e garante volumoso para a seca, tudo fica mais fácil. Havendo boa quantidade de capim, o produtor pode optar pela adição de uréia ou complementar com cana e até mesmo usar concentrado.
Haroldo Miguel não tem receita pronta para o número ideal de animais por hectare. Cada situação deve ser avaliada levando em conta a espécie de forragem, o tipo de animal (corte, leite, erado, jovem, bezerro), a umidade (índice de chuvas) e a qualidade da terra (mais ou menos fértil). Nos criatórios extensivos de corte, uma unidade animal por hectare (1 UA/ha/ano), em pastagens de braquiária, tem sido a média ideal. Esse desempenho pode melhorar com pastejo rotacionado e plantio de leguminosas nas pastagens. É claro que, com produção intensa de massa verde nas águas, o criador deve colocar maior número de animais. Mas não deve permitir que a gramínea seja degradada.

Fonte: 20/06/2003 – Jornal O Popular – Paulo Lício

http://www.ovinocaprino.pr.gov.br/modules/conteudo/conteudo.php?conteudo=21#12