Rações

Como otimizar o uso da cana-de-açúcar na pecuária leiteira

Fábio Garcia Ribeiro, M. Sc., Coordenador Técnico Gado de Leite
Connan – Companhia Nacional de Nutrição Animal

A cana-de-açúcar é cultivada nas mais diversas regiões do Brasil e é largamente utilizada como volumoso na alimentação de bovinos de leite. Essa forrageira apresenta diversas características positivas, como alta produtividade por área, pico de produção na época de menor oferta de forragens tropicais (seca), altos teores de açúcares de alta degradabilidade (sacarose), e mantém seus valores nutricionais por longos períodos, mesmo depois de madura, permitindo maior tempo de aproveitamento mesmo sem ser colhida e/ou ensilada. Além disso, caracteriza-se por ser uma cultura longeva, que exige poucos cuidados de manutenção.

Porém, a cana-de-açúcar apresenta características negativas que a inviabilizam como fonte ideal de volumoso nas dietas de vacas leiteiras dos mais diversos níveis de produção. Essas características indesejáveis são: fração fibrosa de baixa degradabilidade e desbalanceada nutricionalmente, principalmente quanto à relação entre proteína e energia, permanecendo mais tempo no rúmen, reduzindo drasticamente o consumo de matéria seca (MS) e a disponibilidade de nutrientes. Seu baixo teor de minerais afeta a produção de leite, não permitindo que o animal expresse seu potencial.

Para que a cana-de-açúcar seja empregada e permita a obtenção de bons resultados, existem diferentes possibilidades de uso de correção da dieta dos animais que a ingerem. A seguir serão feitas considerações sobre essas práticas de uso.

A ureia na cana
Usar cana picada in natura ou silagem de cana associada à ureia é uma prática comum, principalmente em produtores de leite. Esse procedimento favorece a síntese de proteína microbiana, o que melhora a relação proteína:energia da dieta e a ingestão de matéria seca. É sempre recomendável a utilização de uma fonte de enxofre numa inclusão de 10% em relação à ureia, para melhor aproveitamento da mesma. Essa fonte pode ser o próprio enxofre elementar (flor de enxofre) ou sulfato de amônia.

Essa prática exige alguns cuidados especiais durante o trato, para evitar riscos de intoxicações.

Uso de aditivos 

Além da ureia, recentes trabalhos recomendam o uso de outros aditivos para melhor aproveitamento e melhora da qualidade em dietas ofertadas com cana e/ou silagem de cana.

1. Ureia de liberação controlada
A recente descoberta da tecnologia de encapsular o grânulo de ureia com uma película biodegradável, o que propicia o fluxo controlado de nitrogênio dentro do rúmen, em detrimento da instantânea liberação que ocorre com a ureia convencional, permitiu aos nutricionistas associá-las. Essa associação favorece ganhos sinérgicos, pois as bactérias ruminais que se utilizam de nitrogênio para sua multiplicação irão se disponibilizar de substrato (alimento) por períodos mais longos, aumentando a produção de proteína microbiana.

2. Ionóforos
Os ionóforos são substâncias que auxiliam no metabolismo dos ruminantes, favorecendo a atuação de bactérias que produzirão maior proporção de ácido propiônico em relação ao ácido acético, o que é extremamente benéfico ao desempenho animal, aliado a um maior conforto ruminal.

Além disso, é responsável pela eliminação de grande parte de bactérias gram-positivas, principalmente as metanogênicas (produtoras de gases metano), diminuindo a emissão de gases na atmosfera e a utilização dessa energia sendo transferida para a produção, principalmente de leite. 

3. Probióticos
De acordo com definição da OMS (Organização Mundial de Saúde), probióticos são organismos vivos que, quando administrados em quantidades adequadas, conferem benefício à saúde do hospedeiro. No caso da utilização em alimentação com cana, o uso de leveduras vivas, principalmente a Saccharomyces cerevisiae, contribui para a estabilização do pH ruminal, maior produção de bactérias celulolíticas, o que confere excelente ambiente ruminal.

Essa condição beneficia maior injestão de matéria seca, ou seja, o animal consegue comer mais cana picada e/ou silo de cana, o que aumenta significativamente a produção de leite e o escore corporal das vacas, principlamente nesta época do ano.

Conclusão
A utilização de cana na alimentacão de vacas leiteiras, associadas a adequada utilização dos produtos acima (ureia, ureia de liberação controlada, ionóforos e probióticos), conjuntamente com uma boa mistura mineral, confere aos animais condições bastante satisfatórias para boa produção leiteira, excelentes condições reprodutivas e ótimo escore corporal.

É de primordial importância consultar um profissional habilitado e com experiência na utilização desses produtos.

 

 

Fonte: http://www.girolando.com.br/index.php?paginasSite/tecnico,44