Variedades

Como identificar um clone de seringueira?

Os clones diferem entre si por caracteres de importância econômica, como nível de produção, vigor antes e durante a sangria, espessura de casca, cor do látex, conteúdo de borracha seca do látex, resistência ao vento e tolerância a doenças. Entretanto, esses caracteres são de pouco valor para propósitos de identificação de clones. Cada clone tem um modelo próprio (fenótipo), apresentando manchas características sobre a casca externa (testa) da semente, que poderá contribuir para sua identificação. Entretanto, melhor identificação consiste na comparação de suas sementes com aquelas de uma coleção de referência. A semente da seringueira possui uma testa dura e brilhante, com numerosos matizes escuros na parte dorsal e com pouco ou quase nenhum na parte ventral (Figura 1). Além do clone, é possível identificar o parental feminino de uma semente através de seus matizes e de sua forma. A testa da semente é constituída de tecido maternal e, a forma, determinada pela pressão exercida pela cápsula do fruto durante seu desenvolvimento. Esses caracteres proporcionam os meios reais de identificação de clones e do parental feminino em sementes clonais de polinização aberta.

Obviamente, isso só é possível se a semente do clone em questão está incluída em um estande de coleção e se as árvores são suficientemente idosas para produzir frutos. A identificação de plantas jovens enxertadas baseia-se em caracteres botânicos, podendo ser realizada por técnicos especializados, com experiência considerável em reconhecer diferenças nos detalhes entre clones de seringueira.
Os tipos de variação que ocorrem em diferentes partes da planta e que são de utilidade na identificação do clone são estes:

1. Caule: pode ser reto, inclinado, arqueado ou torcido.
2. Casca: escura e verde-clara, em casca verde; ocorrência, proeminência e cor das lenticelas; cor e rugosidade de casca marrom. Caracteres de marcas deixadas pelas rachaduras e escamação da suberina da casca.
3. Gema auxiliar: encurvada ou proeminente; formato das cicatrizes foliares.
4. Densidade e forma do último lançamento foliar, que pode ser hemisférico ou cônico.
5. Folha.
a) Pecíolo: comprimento, forma (reto, arqueado, sigmóide) e inclinação (voltado para cima, para baixo, horizontal).
b) Peciólulo: forma, comprimento, largura, orientação (voltado para cima, para baixo, paralelo).
c) Folíolos permanecem afastados um do outro ou se sobrepõem, dependendo do comprimento dos pecíolos e dos seus ângulos.
d) Folha: forma (elíptica, ovalada, lanceolada, etc.); forma do ápice (acuminado, aristado, portuberante); textura; presença ou ausência de pubescência sobre as nervuras da face abaxial; margens (onduladas ou lisas).
Na identificação de árvores adultas, ou na fase de sangria, outros caracteres que podem ser de utilidade incluem a secção transversal do tronco (circular ou oval) e sua coloração (marrom, avermelhada ou cinza); a forma da copa (cônica, esférica, oval) e a densidade, além da espessura da casca e cor do látex.
As observações visuais acima descritas são muitas vezes influenciadas pela habilidade pessoal e pelas condições ambientais. Marcadores moleculares tais como RFLP e RAPD, são mais eficientes na identificação do clone do que pelos métodos acima descritos.
O Grupo Hevea Brasil Seringueira lembra que o clone de maior destaque continua sendo o rrim 600.
Paulo de Souza Gonçalves

Fonte: www.heveabrasil.com