Pecuária

Comissão de leite da FAEMG recebe pesquisador do CEPEA

13/09/2016

A diferença entre os preços reais recebidos pelos produtores de leite em Minas e os valores apontados pelo Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada – ESALQ/USP) como referência foram o principal tema da reunião da Comissão Técnica Estadual de Pecuária de Leite da FAEMG, realizada na última segunda (12/9), em BH. O descompasso entre os preços publicados pelo estudo e os praticados pelo mercado vinha causando insatisfação e muitos questionamentos  dos produtores e cooperativas.

Para o presidente da Comissão, a participação foi proveitosa e deixou claro que a questão era de informação

O coordenador da pesquisa pelo Cepea, Dr. Sérgio De Zen, participou do encontro, esclareceu dúvidas e apresentou diversos pontos que influenciam no resultado final. Para o presidente da Comissão, Eduardo Pena, a participação foi muito proveitosa e deixou claro que a questão era de informação: “Em determinada região onde o estudo é realizado em Minas, a empresa que é a maior captadora informa ao Cepea o preço de nota, sem prêmios e outros bônus. Por isso o resultado é sempre um valor abaixo”.

Ele explica que o preço apontado pelo levantamento tem sido usado como base para os contratos: “A sugestão trazida pelo Dr. Sérgio foi de utilizarmos como referência o preço nacional, ou então o preço UHT e preço muçarela. A participação dele foi enriquecedora, porque também nos trouxe outras sugestões  de como os produtores podem utilizar os dados levantados pelo Cepea como direcionamento dos contratos com a indústria”.

Mercado

Outro ponto discutido foi a IN 26, que permite a reconstituição de leite em pó na região da Sudene. Segundo Eduardo Pena,  168 municípios mineiros estão localizados nesta área e poderiam se beneficiar com a normativa. Nos estados do Nordeste, já é possível perceber impacto do anúncio nos preços praticados, ainda que ela não tenha entrado em vigor. “Mesmo que ainda não tenha sido reidratado nenhum litro de leite, de acordo com informações do Ministério da Agricultura, as indústrias já usam essa possibilidade como instrumento de desvalorização do produto. Ainda mais preocupante é o poder de barganha do varejo, de pressionar os preços para baixo” Segundo ele, a margem do produtor está muito achatada, uma vez que o custo de produção  continua muito alto: “A tendência agora é que os custos se mantenham em estabilidade, com ligeira queda em função do período de chuvas, o que deve aliviar um pouco a situação do produtor”.

Sobre os reflexos da Instrução Normativa, o presidente da Comissão Nacional de Pecuária de Leite da CNA e diretor da FAEMG, Rodrigo Alvim, apresentou aos participantes as ações e diálogos conduzidos pela Confederação para tentar reverter a medida: “A Comissão tem se empenhado em requerimentos junto ao Ministério, apresentando documentação técnica, laudos e narrativas que justificam o pedido de revisão dessa normativa que, além de muito prejudicial ao setor produtivo, é ilegal”. A Comissão mineira também produzirá um documento sobre a situação no estado, para fortalecer o pleito comandado pela CNA.

Fonte: FAEMG – Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Minas Gerais