Com tecnologia simples, resíduos de leite viram bebida láctea

Cooperativa Regional do Extremo Oeste de Santa Catarina aliou-se ao Senai por meio do Edital Inovação, reduziu o desperdício e incorporou a inovação ao processo produtivo

Dezenas de caminhões isotérmicos descarregam, diariamente, 300 mil litros de leite in natura nos tonéis da Cooperativa Regional de Comercialização do Extremo Oeste (Cooperoeste) – Unidade Longa Vida, em São Miguel D`Oeste, em Santa Catarina, que reúne quase dois mil pequenos produtores.

O resíduo do leite nas paredes do caminhão forma uma camada de gordura que precisa ser enxaguada com água, posteriormente descartada em lagoa de tratamento de efluentes. “Essa gordura tem composição semelhante à das bebidas lácteas, elaboradas com metade leite e metade soro de leite ou água”, explica Jadério Rocha, encarregado da produção.

O procedimento de limpeza caracterizava um desperdício. “Foi então que surgiu a idéia de pesquisar a melhor forma de aproveitar o resíduo sem alterar ou mexer na qualidade dos produtos industrializados”, conta. A Cooperoeste, em parceria com o Centro de Educação e Tecnologia de São Miguel D`Oeste, do Senai-SC, elaborou projeto de aproveitamento da gordura descartada, selecionado no âmbito do Edital Senai Inovação 2005, coordenado pela Unidade de Tecnologia Industrial do Senai Nacional. “A idéia foi de um funcionário da cooperativa”, conta a coordenadora do projeto, Eliane de Carli.

Ao longo da pesquisa, foram coletadas amostras até que se chegasse a um padrão desejado, já que todo o resíduo do primeiro enxágüe não poderia ser aproveitado devido ao grande volume de água. As análises foram feitas nos laboratórios do Senai e na cooperativa, com o auxílio de bolsistas contratados por meio do Edital. A tecnologia é relativamente simples: o resíduo é retirado dos caminhões antes do enxágüe o soro é separado pasteurizado, depois de passar por análise físico-química, adicionam-se ingredientes para fazer o achocolatado e o produto é aquecido a 140º centígrados, antes de ser embalado. “O procedimento é o mesmo usado na elaboração do leite Longa Vida”, explica Jadério Rocha.

A Cooperoeste estuda a ampliação da fábrica para incorporá-la ao seu portfólio de produtos. Hoje, os 300 litros diários de gordura aproveitada são misturados aos 300 mil litros de leite Longa Vida produzido pela Cooperativa e distribuídos no Paraná, em Santa Catarina, no Mato Grosso.

Fonte:  http://www.protec.org.br/casesSenai.asp?cod=116