Custo de Produção

Com preços praticamente estáveis, cafeicultores do Brasil seguem retraídos aguardando melhor definição de mercado

Publicado em 09/10/2015

 

BALANÇO SEMANAL — 05 a 09/10/2015

AMPLIAÇÃO DA REPRESENTATIVIDADE DA OIC — A delegação brasileira presente na 115ª Sessão do Conselho Internacional e demais reuniões da Organização Internacional do Café (OIC), coordenada pelo embaixador Claudio Frederico de Matos Arruda, que foi assessorado por João Maurício Cabral de Mello, do consulado geral do Brasil em Milão, e composta por João Lian, Guilherme Braga e Nelson Carvalhaes, representando o CeCafé; Roberto Simões e Breno Mesquita, representando FAEMG e CNA; Eduardo Sampaio, coordenador de Frutas, Florestas e Café do Mapa; deputado federal Evair Vieira de Melo; e o também deputado Silas Brasileiro, presidente executivo do CNC, teve uma relevante participação nos debates, conforme relatamos no balanço anterior (veja aqui) e, também, realizou uma série de contatos com os demais países produtores e, em especial, importadores no sentido de realizar a promoção dos Cafés do Brasil.

Entre os pontos relevantes, o Conselho Nacional do Café e a Comissão Nacional do Café da CNA destacaram os resultados dos esforços realizados pelo diretor executivo da OIC, o brasileiro Robério Silva, no sentido de ampliar a abrangência e a representatividade da instituição.

Em 24 de abril de 2015, a Rússia, o oitavo consumidor mundial de café, com um valor de mercado de US$ 2,5 bilhões, aderiu ao Acordo Internacional do café de 2007 (AIC 2007). A celebração do ingresso russo se dá porque as importações desse país estão aumentando a uma taxa média anual de 4,4% desde 2010. Além disso, como o consumo per capita ainda é relativamente modesto (cerca de 120 xícaras por ano), há grande potencial para a expansão da demanda da Rússia por café. Já em 23 de julho de 2015, o Japão, quarto maior importador e consumidor mundial de café, retornou como País Membro da OIC, fato muito relevante porque os nipônicos sustentam uma taxa de crescimento anual de 2,2% no consumo da bebida, tendo consumido, em 2014, 7,5 milhões de sacas.

Assim, através da ação de seu diretor executivo, a OIC passou a contar com a adesão de oito membros importadores em 2015, os quais respondem por 83% do consumo mundial: Estados Unidos, Federação Russa, Japão, Noruega, Suíça, Tunísia, Turquia e União Europeia (com suas 28 nações). Com isso, a Organização se consolida como o principal fórum internacional para promover debates sobre o equilíbrio entre oferta e demanda mundial de café.

OFERTA E DEMANDA — O CNC entende que o advento da Rússia e o retorno do Japão, dois importantes consumidores, são relevantes para que haja debates sobre o equilíbrio entre oferta e demanda, levando em consideração que existe um constante crescimento do consumo mundial, o qual superou a produção global, conforme a OIC, em três dos últimos quatro anos, tendo ficado acima do volume colhido em 7,4 milhões de sacas em 2014.

Outro ponto a ser destacado nesse cenário diz respeito ao volume dos estoques de café nos países importadores, que, via de regra, são satisfatórios nos períodos de colheita dos principais produtores, fator que deprecia as cotações do produto e extrai renda das nações cafeeiras por não haver a necessidade pontual de compra.

Nesse sentido, as delegações de Brasil e Colômbia, os dois principais cultivadores da variedade arábica no planeta, entraram em consenso para que haja uma melhor distribuição da oferta, de maneira que não se sobrecarregue os estoques dos países importadores e o mercado possa trabalhar com um melhor equilíbrio de preço ao longo dos 12 meses do ano, possibilitando valores justos a compradores e remunerações adequadas aos cafeicultores.

É válido ressaltar, ainda, que essas tratativas com os colombianos só foram possíveis graças ao ambiente institucional proporcionado pela Organização Internacional do Café, evidenciando seu caráter imprescindível de principal plataforma de debates sobre a cultura no mundo.

CAFÉS DO BRASIL — “Impressionados com a qualidade do café filtrado brasileiro”. Essa é a melhor definição sobre a impressão que o público que passou pelo Pavilhão do Brasil na Expo Milão 2015. Através de trabalho de levantamento de recursos desenvolvido pelo CNC com o apoio da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB) e de seus associados Cooperativa Regional de Cafeicultores em Guaxupé (Cooxupé), Cooperativa de Cafeicultores e Pecuaristas (Cocapec), Cooperativa dos Cafeicultores da Zona de Três Pontas (Cocatrel), Cooperativa dos Cafeicultores da Zona de Varginha (Minasul) e Cooperativa Central de Cafeicultores e Agropecuaristas de Minas Gerais (Coccamig), o País realizou, na Expo Milão, uma série de ações comemorativas ao Dia Internacional do Café, que, pela primeira vez, foi celebrado oficialmente pela OIC.

A Associação Brasileira de Cafés Especiais (BSCA), também membro do CNC, foi responsável pelas ações comemorativas no Pavilhão, que é coordenado pela Apex-Brasil. Foi realizado um workshop de demonstração de preparos de café filtrado, método não comum de consumo na Itália (o espresso predomina) e nos demais países do mundo e que permite uma melhor apreciação das características do café, que foi conduzido pelo barista brasileiro Eduardo Scorsin, 4º colocado no Campeonato Mundial de Coffee in Good Spirits 2015, em parceria com profissionais italianos. Além disso, o Brasil ofereceu degustações de cerca de 10 mil doses da bebida filtrada, preparada em equipamento Bunn e “third wave”. No conjunto das ações, a atividade brasileira comemorativa ao primeiro Dia Internacional do Café oficial abrangeu um público de aproximadamente 15 mil pessoas.

Tendo em vista o êxito desse trabalho, o CNC reitera o agradecimento e enaltece a iniciativa da OCB e das cooperativas associadas Cooxupé, Cocapec, Cocatrel, Minasul e Coccamig por suas enormidades de compreensão da importância da data e por viabilizarem a promoção dos Cafés do Brasil no principal evento mundial do setor no ano.

PAGAMENTO À OIC — Mesmo com os esforços realizados pela ministra Kátia Abreu no sentido de destinar parcela do orçamento do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento para honrar nosso compromisso com a Organização Internacional do Café, o Brasil, infelizmente, teve seus direitos a voto e à participação nos comitês da entidade suspensos em função do pagamento parcial da anuidade do AIC 2007, referente ao ano cafeeiro 2014/15.

O pagamento parcial foi de £ 293.666,78 – R$ 1.774.041,00, realizado no dia 30 de setembro, o que correspondeu a 76,7% do valor integral devido pelo Brasil, que era de £ 382.460,00. O motivo do pagamento parcial foi a forte desvalorização cambial que levou a cotação da libra esterlina a R$ 6,0410 no fim de setembro, tornando o montante aprovado na Lei Orçamentária Anual Nº 13.115/2015, de R$ 1.774.041,00 — satisfatório, à época da aprovação, para honrar o total devido —, insuficiente para integralizar o saldo devedor do Brasil junto à OIC.

Apesar do cenário atual, o Conselho Nacional do Café ressalta a importância da restauração dos direitos do Brasil junto à Organização, principalmente pelo fato de o País ser o maior produtor e o segundo maior consumidor de café do mundo, o que lhe garante participação nos grupos dos membros exportadores e importadores, equilibrando as decisões do organismo internacional.

Por isso, o CNC e a CNA estarão ao lado do Mapa, que proporá ações institucionais para que o Congresso Nacional aprove crédito orçamentário suplementar visando à complementação do pagamento à OIC, antes da próxima reunião do Conselho Internacional do Café, em março de 2016. Assim que concretizado, esse ato permitirá que o Brasil retome sua efetiva participação no principal organismo mundial do setor.

MERCADO – O comportamento do dólar e as incertezas climáticas no Brasil favoreceram o mercado futuro do café arábica nesta semana. A moeda norte-americana encerrou o pregão de ontem a R$ 3,7931, com queda de 3,9% em relação à última sexta-feira. Apesar do cenário político doméstico instável, as cotações da divisa seguiram o viés de baixa internacional, que foi influenciado pelo fortalecimento do preço do petróleo e por especulações sobre o momento da alta dos juros da economia dos Estados Unidos.

A situação climática no Brasil, com falta de chuvas em importantes regiões produtoras de café, também auxiliou a sustentação dos preços da commodity. O quadro abaixo (clique para ampliar) resume informações disponibilizadas, na quinta-feira, pela Climatempo, sobre o cenário hídrico nas principais origens nacionais.

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Na ICE Futures US, o vencimento dezembro do Contrato C foi cotado, na quinta-feira, a US$ 1,2845 por libra-peso, acumulando ganhos de 415 pontos ante o fechamento da sexta-feira passada. Na ICE Futures Europe, o contrato futuro do café robusta apresentou alta pouco significativa. O vencimento novembro/2015 encerrou o pregão a US$ 1.582 por tonelada, com valorização de apenas US$ 4 em relação ao final da semana anterior.

No mercado físico nacional, os indicadores calculados pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) para as variedades arábica e conilon foram cotados, ontem, a R$ 481,37/saca e a R$ 356,73/saca, com variações pouco significativas em relação ao fechamento da semana anterior. Segundo a instituição, os produtores seguem retraídos, aguardando melhor definição do mercado.

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Fonte: CNC