Pecuária

COLETA A GRANEL DE LEITE: PROBLEMAS E VANTAGENS

No Acre, o governo vem definindo ações para os diversos segmentos produtivos do Estado. Uma dessas ações contempla a pecuária leiteira, com a implantação de tanques de expansão para coleta de leite in natura em propriedades previamente definidas em estudos realizados pela Embrapa, Seaprof e Seap, e que compõem as linhas de leite de Rio Branco.

 

Esta medida é extremamente necessária, tendo em vista que em um futuro próximo a região Norte deverá transportar leite in natura refrigerado para as plataformas dos laticínios em caminhões com tanques térmicos, a uma temperatura de até 4ºC, como forma de atender à Instrução Normativa nº 51 do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa).

 

A implantação deste sistema de captação de leite a granel trará benefícios para o setor, resultando em mais qualidade para o produto, uma vez respeitados os índices de agentes contaminantes determinados pelo Mapa. Além disso, o novo sistema de coleta exigirá mudanças no sistema de produção, pois tem como foco o produtor. Levantamento realizado no ano passado, em um dos laticínios do estado, mostrou que em seis meses cerca de 20 mil litros de leite foram devolvidos da plataforma por não oferecerem condições para pasteurização. O produto apresentava problemas como acidez, corpos estranhos, higiene inadequada dos utensílios e presença de água. Além disso, algumas amostras apresentaram contaminação por brucelose.

 

O problema mais freqüente do leite in natura é a acidez, o que demonstra que a maioria dos produtores não higieniza devidamente os latões usados para acondicionar o leite. Apesar de algumas vezes o produto demorar mais de três horas para ser entregue, na pesquisa realizada esta condição não foi determinante para a presença de acidez no momento da entrega na plataforma.

 

Práticas de higienização como lavagem e secagem dos tetos das vacas antes da ordenha, associadas à ações de controle da sanidade do rebanho pelos órgãos fiscalizadores, podem minimizar este problema. O acondicionamento do leite em baldes plásticos ou de alumínio facilita a limpeza, entretanto, muitos produtores ainda não adotam este procedimento.

 

Na coleta de leite a granel, o leite ficará armazenado em tanque de resfriamento com capacidade de 500 ou 1.000 litros. Deste modo, o processo de limpeza e higienização demandará ações mais complexas e, portanto, treinamento para o produtor.

 

No sistema de coleta a granel, a análise do leite será realizada por produtores nos postos de resfriamento. Portanto, um erro de diagnóstico nos testes de recepção poderá resultar em grandes perdas. As possíveis falhas na análise serão identificadas pela Vigilância Sanitária, no momento da recepção do produto no laticínio, podendo comprometer toda a produção diária, com prejuízos para o produtor, usineiro e freteiro.

 

Outro ponto crucial do novo sistema é a instalação de tanques nos ramais. Habituado a entregar o leite na propriedade, a distância entre o local de produção e o posto de recepção poderá ser um problema para o produtor, caso não haja uma distribuição geográfica coerente dos tanques.

 

As mudanças previstas no novo sistema de captação de leite exigem um trabalho de conscientização por parte dos órgãos ligados à extensão, fomento e pesquisa, junto aos produtores, sobre a importância de produzir leite de qualidade. É preciso entender que com um produto livre de contaminação e nos padrões ideais de consumo ganha o produtor, a indústria e, especialmente, os consumidores.

 

Francisco Aloísio Cavalcante

Pesquisador – EMBRAPA/CPAFAC

 

Fonte: http://www.agronline.com.br/artigos/artigo.php?id=422