Criação de Valor Compartilhado

Co criação: uma estratégia interativa de inovação e criação de valor compartilhado

A Pepsi escolhe um novo saber para seu produto de forma interativa com seus consumidores. A Construtora Tecnisa desenvolve novos projetos a partir de um programa de inovação (FastDating) no qual interage com potenciais fornecedores. A Lego estimula uma comunidade de usuários de seus produtos a criarem suas próprias soluções. O Boticário colabora com franqueados na busca por inovações. A Cisco desenvolve novos negócios em um concurso de inovação.

Cresce o número de empresas que colaboram com diferentes stakeholders para criar, de forma compartilhada, soluções customizadas ou de massa. A Co-criação é um dos temas mais relevantes dos últimos anos na área de gestão, marketing, estratégia e inovação.

O acesso a hardware, internet e redes sociais estimula a adoção de tais iniciativas. Além disso, surgem novos consumidores, outros mudam continuamente suas necessidades. Emergem novos segmentos com demandas específicas. Também fica evidente que o processo unilateral de pesquisa para compreender o consumidor e desenvolver uma solução inovadora apresenta limitações. Esses e outros são importantes drivers que tem consolidado essa tendência globalmente e no Brasil.

Para aplicar ferramentas gerenciais é importante ir além da superfície e saber do que estamos falando. Em nosso entendimento Co-criação é uma estratégia de negócios que prioriza o engajamento empresa-stakeholder para geração compartilhada de valor para as partes”.

Nossa experiência sugere um conjunto de passos baseados no Octógono da Inovação.

  1. Defina o problema ou tema indutor: Para uma cooperativa de crédito com a qual trabalhamos um tema era “como mobilizar a participação de familiares de cooperados”.
  2. Selecione o público a participar: A definição acima deve sinalizar que públicos estarão mais habilitados a contribuirem de forma relevante para a busca de soluções para o desafio. Não queira envolver a todos.
  3. Defina o foco do processo: Identificando o público alvo será possível definir se o foco da iniciativa será na geração ou refinamento de ideias. A 3M tem uma iniciativa denominada “test drive” na qual compartilha produtos para que os clientes possam testá-los.
  4. Estabeleça o modelo de engajamento: Definido o desafio e o público é necessário estabelecer se a interacão ocorre presencialmente ou via web e qual a intensidade de contato entre as partes.
  5. Defina incentivos aos envolvidos: Decidido o modelo de engajamento e envolvidos é hora de saber o que os mobilizará. Quando o Boticário decidiu envolver as consultoras de loja na geração de oportunidades de inovação optou por estimulá-las com reconhecimento.
  6. Execute e monitore a iniciativa: O principal desafio está na execução. O estabelecimento de um conjunto de indicadores balanceados é uma alternativa interessante para facilitar a avaliação pós implementação.
  7. Integre as oportunidades a gestão: Depois de geradas ou refinadas as iniciativas precisarão ser integradas com a estrutura da empresa ou mesmo com a formatação de uma nova empresa.

Uma série de fenômenos tem estimulado uma nova abordagem de criação de valor e inovação. A co-criação envolve estratégia, engajamento, e agentes externos. O entendimento de seu conceito e o domínio de uma sequencia de passos testados pode melhorar o resultado de suas iniciativas inovadoras.

Maximiliano Selistre Carlomagno

Artigo originalmente publicado no Jornal Brasil Econômico

Fonte:  http://innoscienceblog.com.br/