Pecuária

Clima do Sudeste favorece produção

A região Sudeste conta com a vantagem de possuir um bom volume de chuvas durante o ano e a maior umidade do ar garante solos mais úmidos. Isso possibilita ao produtor obter disponibilidade de massa verde (capim), durante dois terços do ano, observa Carla Francesconi Noznica, zootecnista da Associação Paulista dos criadores de Caprinos (CAPRIPAULO).

O capim elefante é um dos mais usados pelo volume de massa que ele produz. Seu teor de proteína nos períodos mais favoráveis gira entre 7% e 9%. Uma coisa importante para produtor observar é o tempo de corte de cada cultura. No caso do capim elefante este tempo é de 45 dias, aproximadamente, o que muda de uma espécie para outra. A altura do corte deve sempre seguir uma linha próxima ao terreno, entre três e cinco centímetros. Isso garante um numero maior de rebrotas ao capim além de aumentar seu vigor.

Outra coisa observada pela especialista é o período de validade do volumoso. Como o capim é colhido verde, em poucas horas ele começa seu processo de fermentação. O tempo entre a colheita, a trituração e o cocho, deve ocorrer antes que o alimento comece a perder sua qualidade. Por isso a quantidade de capim nunca deve exceder o consumo diário do rebanho. Se um animal adulto consome de 5 a 7 de massa verde por dia. Isso transformado em matéria seca dá um número entre 1,5 Kg/cabra/dia e 1,8 kg/cabra/dia. O produtor só terá o trabalho de multiplicar esse número pelo total de animais que ele precisa alimentar e chegar a um peso aproximado.

Esse volumoso que vai servir de base para a alimentação dos animais deve ser oferecido, no mínimo, três vezes por dia. A técnica diz que não é uma regra, mas o ideal é que o primeiro trato seja feito longo cedo, outro entre as nove e dez horas da manhã, repetindo a operação na parte da tarde. É importante que o tratador evite os horários mais quentes, entre meio dia e duas horas da tarde. Isso porque nesse horário e comum os animais estarem ruminando o alimento consumido na manhã e se preparando para o período da tarde.

O suplemento nutricional que normalmente é feito formulação especifica para cada necessidade de produção, também precisa ser oferecido fracionado ao longo do dia. As formulações normalmente já constam do fabricante. A proporção, no entanto, e de cada dois litros de leite produzidos o animal receba um quilo de ração. Só que essa quantidade precisa ser de no máximo 400 gramas por trato. Caso isso não seja respeitado pode ocorrer mortalidade entre os animais por problemas no trato digestivo. O mais comum é o empanzinamento.“Na atividade de produção leiteira onde os resultados são medidos diariamente, a condição nutricional do plantel é determinante para se garantir resultados” destaca a zootecnista.

Os animais são alimentados com um volumoso à base de milho verde, capim elefante e, durante o inverno, aveia preta. Além disso, o produtor oferece uma suplementação nutricional à base de ração comercial e alguns alimentos nobres como, alfafa e polpa cítrica.

Carla Francesconi fala que está diversificação de espécies na dieta é importante na medida que não são todas as forrageiras que mantêm sua produção nos meses de inverno. A aveia preta é uma opção de cultura para o inverno, no entanto, não é só ela. O feno é outro alimento que o produtor pode usar como opção para alimentação dos animais na seca. “Alguns capins como coast-cross, tifton e a própria Aveia preta, dão um feno de excelente qualidade”, destaca a técnica.

A produção de silagem também é estratégica no sito CapriSãoPaulo. Para não enfrentar problemas de escassez de comida durante a estiagem, Vicente construiu dois silos cada um com capacidade para armazenar 80 toneladas de alimentos. Esses silos são suficientes para guardar todo o excedente de massa verde produzido no verão, ele explica. Segundo a especialista, o valor nutricional do capim ensilado diminui um pouco quando comparado ao capim fresco. Só que sua função como volumoso, num período onde a escassez de pastagem é grande, é vital.
O plantel do sitio atualmente é de 350 cabras. Ribeiro que seu plantel está passando por uma reformulação. O plantel de produção conta com 50 cabras em lactação, número bom segundo o criador. Cada uma produz uma média diária de 5 litros de leite, volume que não seria possível sem um planejamento prévio e o auxílio dos profissionais, conclui o criador.

Fonte:  http://www.revistarural.com.br/Edicoes/2006/Artigos/rev96_cabras.htm