Manejo

Citrus: manejo intenso nas bordas reduz HLB

06/02/15
Uma pesquisa do Fundecitrus mostra que 80% das plantas infectadas por greening (Huanglongbing/HLB) encontram-se nos primeiros 150 metros a partir da divisa da fazenda, isto é, na borda do pomar. De acordo com o estudo, 50% dos insetos são encontrados nos primeiros 50 metros iniciais dos talhões, este número sobe para 70% nos primeiros 75 metros e para 80% nos 100 metros a partir da borda do talhão.

O “efeito de borda” é uma característica marcante do HLB. Ocorre porque o psilídeo tem caráter migratório e está sempre em busca de novas brotações. Quando voa de um pomar para outro, aterrissa nas primeiras plantas de citros que encontra. Para identificar por onde o psilídeo chega ao pomar, os produtores devem instalar armadilhas adesivas amarelas na periferia dos talhões.

“Se por um lado, a área de borda é a mais sacrificada devido à alta incidência de greening e, consequente, tem maior necessidade de erradicação de plantas doentes, por outro lado um controle mais rigoroso do inseto nesta área impedirá a disseminação do HLB para a parte central da fazenda”, afirma o pesquisador do Fundecitrus Renato Beozzo Bassanezi.

O especialista indica que os produtores apliquem inseticidas nos primeiros 100 metros da propriedade com mais frequência, se possível a cada semana. Desse modo, os talhões centrais ficam mais protegidos e não precisam de tanta pulverização, que pode ser feita a cada quinzena ou mês, dependendo da presença de brotações. Pequenas propriedades, que têm a área de borda maior do que a central, devem fazer o manejo regional, controlando o inseto e a doença em parceria com os seus vizinhos.

Outra indicação é aumentar a densidade de plantio nas bordas e replantar frequentemente, não deixando espaços vazios. Dessa forma evita-se as falhas que facilitam a penetração do psilídeo para o interior do pomar, levando a doença para dentro da fazenda. Recomenda-se que o plantio seja feito paralelo à divisa do pomar, pois facilita a operação das pulverizações mais frequentes e, com o crescimento das plantas, serve de barreira “quebra-vento”, dificultando a disseminação do inseto pelo vento para o interior da propriedade. É preciso evitar o plantio de talhões retangulares e/ou estreitos, pois têm área maior de borda do que os talhões quadrados de mesma área.

Fonte: Fundecitrus