Pecuária

Ciência e Tecnologia : Produtores de leite enfrentam prejuízos por problemas de tensão da rede elétrica

Quando Atilio Attolini, 37 anos, liga a ordenhadeira para retirar leite das vacas que tem em Lageado Paca, interior de Erechim, nenhum outro aparelho eletrônico ou lâmpada fica ligado na propriedade de 14 hectares. Foi o jeito encontrado pelo produtor para evitar aparelhos estragados em casa. Televisão, máquina de lavar roupa e até o resfriador – que armazena o leite abaixo de 4ºC – já foram consertados em razão da baixa tensão na rede elétrica.

Diariamente, as 12 vacas de Attolini produzem cerca de cem litros de leite, o que garante no final do mês um retorno próximo a R$ 600. Os prejuízos desde que comprou ordenhadeira e resfriador, no ano passado, inibem a ampliação do rebanho. Já foram R$ 310 em reparos nos dois aparelhos.
– Para meu irmão ligar a ordenhadeira na propriedade dele, que é vizinha à minha, tem de esperar eu terminar de tirar leite aqui. Fazemos isso para prevenir porque só o conserto do motor de uma ordenhadeira custa quase R$ 250 – frisou Attolini.
O problema dos Attolini, no entanto, não é isolado. De acordo com o integrante da direção da Federação dos Trabalhadores da Agricultura Familiar da Região Sul (Fetraf-Sul), Eloir Griseli, o problema atinge outros pontos do Estado.
– Para pressionar as concessionárias a aumentar o número de transformadores e melhorar a tensão na rede elétrica, estamos pensando em fazer mobilizações e até ingressar na Justiça – revelou Attolini.
As concessionárias admitem que há problemas de tensão em diferentes pontos e dizem estar trabalhando para resolver estas questões. Inclusive, integram o grupo de trabalho criado na Assembléia Legislativa para discutir o assunto, que conta ainda com representantes dos produtores, do Ministério Público, do Procon e da Agência Estadual de Regulação dos Serviços Públicos Delegados do Estado.
– A partir de agosto, vamos visitar as regiões com mais problemas, como Erechim, Viamão, Canguçu e Lagoa Vermelha, para fazer um diagnóstico destas necessidades – afirmou o coordenador do grupo, deputado estadual Ivar Pavan (PT).

Por: Pietro Rubin/
Fonte: Zero Hora

Contrapontos
O que diz a Rio Grande Energia (RGE)
De acordo com a assessoria de imprensa, a Rio Grande Energia (RGE) investirá R$ 210 milhões em obras este ano, como a troca de 20 mil postes de madeira com transformador em toda a área de concessão. Também fará reparos e construção de novas redes.
O que diz a AES Sul
A AES Sul informou, por meio da assessoria de imprensa, que reconhece a existência dos problemas de variação de tensão e tem feito investimentos em equipes e equipamentos. Em 2007, deve aplicar R$ 144 milhões, sendo R$ 6 milhões somente para eletrificação rural. A partir do diagnóstico, os pontos com problemas de tensão serão resolvidos. Além disso, melhorias serão feitas em toda área de concessão.
O que diz Delson Luiz Martini, diretor-presidente da Companhia Estadual de Energia Elétrica (CEEE)
Admitimos que há problemas de tensão em alguns pontos da área de atuação da empresa. Há um déficit de investimento no setor elétrico, tanto no Rio Grande do Sul como no Brasil, que vem da crise do setor público em anos anteriores. A demanda por energia cada vez aumenta mais e, muitas vezes, as companhias não são avisadas sobre as novas necessidades de consumo, principalmente no Interior. Mas faremos neste segundo semestre de 2007 e em 2008 um investimento de R$ 320 milhões para atender a estas novas demandas.

Fonte: Agrol

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