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Case do biocombustível brasileiro é apresentado por especialistas em Londres

O mais recente relatório da ONU sobre aquecimento global é enfático ao reconhecer que a queima de combustíveis fósseis é a principal causa do acúmulo de gás carbônico (CO2) na atmosfera, contribuindo substancialmente para o aquecimento global. Nesse contexto, a experiência brasileira com o etanol de cana-de-açúcar mostra como é possível reduzir emissões de CO2 e pode ser levada a outros países, como alternativa sustentável ao combustível fóssil. Assim o consultor de Tecnologia e Emissões da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (UNICA), Alfred Szwarc, avaliou o debate realizado na FAPESP Week London, evento que priorizou os biocombustíveis realizada em 27/09.

A produção de biocombustíveis foi defendida por especialistas renomados como Luís Augusto Barbosa Cortez e Jeremy Woods, professores da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e do Imperial College de Londres, respectivamente. Eles mostraram como os biocombustíveis contribuem para o desenvolvimento econômico, segurança alimentar e energética de países da América Latina e da África.

Cortez enfatizou que o sucesso do modelo brasileiro está ligado à produção simultânea de açúcar e de etanol e à relação dinâmica entre os setores de pesquisa e produtivo. “Embora possa parecer aos olhos estrangeiros que os brasileiros vivem cercados de cana por toda parte, a verdade é que as plantações dedicadas à produção de etanol ocupam menos de 1% do território do País e nunca representaram uma ameaça à produção de alimentos,” disse.

Ele ainda mostrou que na década de 70 o Brasil importava 80% da gasolina consumida e, que o Programa Nacional do Álcool (Proálcool) ajudou a conquistar a independência energética e favoreceu a industrialização da agricultura no País. Diante desse case, o professor Cortez avalia que diversos países africanos e latino-americanos poderiam produzir biocombustíveis uma vez que possuem terras disponíveis.

Em sua apresentação, Jeremy Woods rebateu vários argumentos de críticos da bioenergia, como elevação do preço dos alimentos em virtude de um maior uso da terra para produção de biomassa, aumento na pressão sobre a biodiversidade, sobre os recursos hídricos e também nas emissões de Gases do Efeito Estufa (GEEs).

“Feita de forma adequada, a produção de biocombustíveis pode ser facilitador da segurança alimentar”, afirmou Woods.

 

Fonte: Uagro