Curiosidades

Casca da soja pode eliminar salmonela

11/09/2017

Uma substância chamada levoglucosenona, extraída da casca da soja, é capaz de eliminar a bacteria salmonela – uma das quatro maiores causas de infecções alimentares, e que podem provocar até mesmo óbitos. A descoberta é de um grupo interdisciplinar de pesquisadores do Instituto de Química Rosário (IQUIR), do Instituto de Biologia Molecular E Celular de Rosário (IBR) e do Instituto de Investigações para o Descoberta de Fármacos de Rosário (IIDEFAR).

O estudo, publicado na revista científica “Industrial Crops and Products”, foi baseado na extração da levoglucosenona através de um método chamado pirólise, que consiste em submeter o material a altas temperaturas com ausência de oxigênio para evitar sua combustão. O produto desse processo é um bioazeite.

“Analisamos o bioazeite através dos métodos biológicos desenvolvidos, pensando que podíamos encontrar alguns componentes bioativos, mas sem saber [exatamente] quais poderiam ser. Ficamos surpresos ao ver que o componente mais abundante obtido com a pirólise foi a levoglucosenona”, admitiu o líder da equipe IQUIR, o doutor Rolando Spanevello.

A partir da geração do biozaeite, os pesquisadores identificam – em um conjunto de compostos gerados – qual deles é bioativo, a partir da exposição a agentes patógenos. Depois disso a substância é dividida, por sucessivos fracionamentos, para encontrar a molécula responsável pela resposta positiva.

Os investigadores ressaltam a importância de poder obter a levoglucosenona a partir da casca da soja, que geralmente é considerado um rejeito do subproduto da oleaginosa e pode ser obtido com abundância e em baixo custo. “Nós, técnicos, estamos muito comprometidos em encontrar fontes alternativas de produtos químicos que sejam sustentáveis e econômicas”, sustenta a doutora Alejandra Suárez, também membro do IQUIR.

“Eu acredito que, a partir de agora, essa interdisciplinaridade continuará sendo aprimorada porque os químicos poderão fazer modificações no composto e testaremos a reação das bactérias em uma ida e volta para otimizar a ação desses derivados”, afirmou o médico Gastón Viarengo, do IBR.

Fonte: Agrolink