Custo de Produção

CARE Brasil auxilia apicultores a aumentar sua produção

O Programa Goiás, da CARE Brasil, começou em 2008 e, desde então, auxilia apicultores da região norte do Estado, nos municípios de Barro Alto e Santa Rita, com o objetivo de aumentara renda do agricultor familiar. O auxílio à organização dos produtores de mel locais deu origem à Associação de Apicultores de Barro Alto e Santa Rita (AABAS) e, desde agosto de 2010, ao trabalho de assistência técnica na Cadeia Produtiva do Mel, com Sandra Regina Gomes, técnica agrícola da CARE Brasil, que tem quase 20 anos de experiência na área que participa das reuniões da AABAS e faz visitas periódicas aos apicultores locais para orientar o manejo das colméias.

 

Além das mais de 40 visitas já realizadas, são feitos os “Dias de Campo”, quando apicultores visitam as “unidades demonstrativas”, apiários de produtores já auxiliados pela CARE Brasil, para que observem as diferentes práticas de manejo e condução da produção de mel, com palestras e demonstrações ministradas pela Sandra. Nas unidades demonstrativas, os apicultores recebem assistência técnica da CARE, seguem as orientações e aceitam que sua propriedade seja utilizada como sala de aula, para que outros produtores possam aprender as novas técnicas de manejo também. A CARE Brasil está apoiando também a capacidade técnica e empreendedora de um grupo de apicultoras que pretende vender subprodutos do mel, como pão de mel e sabonete.

 

Em maio, o apoio da CARE Brasil aos apicultores de Goiás trouxe resultados muito positivos: Lázaro Francisco de Paula, 60 anos, conhecido como “Seu Lazinho” e apicultor há 15 anos, conseguiu aumentar o rendimento da produção de mel em sua área de 60 hectares no Assentamento Lagoa Seca, em Barro Alto. Em 2010, Seu Lazinho teve três colheitas, totalizando 150 kg de mel no ano. E, apenas em maio de 2011, sua primeira colheita gerou um total de 121 kg de mel, com potencial para mais três colheitas até o final do ano. Estima-se que a produção possa aumentar em até 10 vezes.

 

Sandra começou a trabalhar com Seu Lazinho em setembro de 2010, com uma média de duas visitas técnicas para orientações de manejo por mês. “Mesmo sendo um apicultor de longa data, desde o começo Seu Lazinho se mostrou muito receptivo e com sede de aprender, sempre aberto a aceitar orientações para fazer mudanças na forma de manejar os apiários e tendo como objetivo aumentar a produtividade e diminuir os custos. Esta colheita de maio mostra que de fato é possível aumentar a produtividade de mel na região, pois é uma quantidade que ele nunca tinha colhido antes, em tantos anos como apicultor”, conta Sandra. De acordo com Gerson Vieira, tesoureiro e membro da diretoria da AABAS, foi a primeira vez que um apicultor da região colheu mel nesta época do ano.

 

“Esta colheita veio de floradas que não são nem consideradas pelos apicultores locais como aptas a produzir mel, até então ninguém as explorava. As abelhas produzem o mel a partir do pólen e do néctar produzido pelas flores e pela água do entorno. São as espécie silvestres (baru, mata-pasto, ingá, marmeleiro etc.), que florescem no período de janeiro a maio e produzem um mel mais escuro e mais rico em ferro”, explica Sandra. “Eu disse que tinha mel pra colher e ninguém estava acreditando em mim, até verem o resultado”, disse Seu Lazinho. De acordo com Sandra, a safra de mel de maio será vendida a um preço muito bom, no varejo, a R$ 20,00 o litro.

 

“A cadeia produtiva do mel é uma atividade com grande potencial de aumentar a renda dos agricultores familiares da região, possui baixo custo de implantação e tem potencial para comercialização em todo o Brasil, não ficando restrita às demandas regionais”, afirma Beatriz Bandeira, coordenadora do Programa Goiás, da CARE Brasil. “Para que a atividade se mostre lucrativa, é imprescindível que o apicultor aprenda e aplique em seu apiário diferentes técnicas de manejo, visando aumentar a produtividade e, paralelamente, diminuir os custos da produção”, explica Sandra. De acordo com elas, o aumento recorde de produtividade de mel nesta primeira safra do ano foi causado graças às execuções de revisão quinzenais no apiário (caixas onde vivem os enxames de abelha que produzem o mel, imitando as colméias). Nas revisões, verifica-se se a quantidade de abelhas está adequada e se a abelha rainha está produzindo ovos. Também se combate outros insetos e pragas que possam estar atrapalhando a produção de mel das abelhas.

 

Atualmente, dez produtores recebem assistência técnica direta da CARE Brasil em suas propriedades. A meta é aumentar este número para 40 produtores assistidos até o final de 2014.

 

Fonte: http://www.care.org.br/noticias/apicultores-goias/