Variedades

Características das Laranjas

Nome popular: laranja-doce; laranja-de-umbigo; laranja-pêra; laranja-baia; laranja-valência; laranja-natal
Nome científico: Citrus aurantium L.
Família botânica: Rutaceae
Origem: Ásia.

Características da planta

Arvore de porte médio, podendo atingir até 8 m de altura, tronco com casca castanho-acinzentada, copa densa de formato arredondado. Folhas de textura firme e bordos arredondados, exala um aroma característico quando maceradas. Flores pequenas, de coloração branca, aromáticas e atrativas para abelhas.

Fruto

De formato e coloração variável de acordo com a variedade. Frequentemente com casca de coloração alaranjada, envolvendo uma polpa aquosa de coloração que pode variar de amarelo-clara a vermelha. Sementes arredondadas e achatadas, de coloração verde esbranquiçada. Frutificação ao longo do ano, concentrando-se de abril a setembro.

Cultivo

O plantio deve ser realizado no início da estação chuvosa. Prefere climas com temperatura entre 23 e 32° C. A resistência ao frio varia de acordo com a variedade. Não exigente quanto à composição do solo preferindo os profundos. Propaga-se por sementes e enxertia.

As laranjas, diz a lenda grega antiga, eram os verdadeiros pomos de ouro tão bem guardados pelo dragão de 100 cabeças no Jardim das Hespérides. Para obtê-los, no cumprimento de seu décimo primeiro trabalho, Hércules lutou incansavelmente. Essa lenda é, no mínimo uma comprovação da antiguidade dessa fruta – a laranja – na vida e na cultura dos homens. Como se não bastasse, segundo Pio Corrêa, o cultivo da laranjeira e o uso da laranja remontam a um período de mais de 2 mil anos antes de Cristo, conforme demonstram escritos encontrados na China.

Supõe-se que a laranja, assim como as demais frutas do gênero Citrus, seja originária do continente asiático, onde o homem aprendeu a cultivá-la e de onde partiu para conquistar o mundo.

Apesar de toda essa antiguidade e do conhecimento que os gregos tinham de sua existência, a introdução das laranjas, das limas, das cidras, dos limões, dos pomelos e das toranjas na Europa foi bastante tardia, não havendo relatos sobre este fato anteriores ao século XV. Alguns autores, no entanto, afirmam que os árabes já haviam introduzido algumas espécies de frutos cítricos nas penínsulas Ibérica e Itálica bem antes disso.

Parece que todas as muitas espécies e variedades de frutas do gênero Citrus existentes no mundo – apenas entre as laranjas, são cerca de 2 mil diferentes varieda- des, das quais menos de 100 são cultivadas em grande escala – originaram-se a partir de não mais do que 10 ou l 2 espécies selvagens cruzadas entre si, transforma- das, selecionadas, cruzadas novamente e melhoradas ao longo de séculos e séculos.

Em conseqüência de sua remota cultura, as formas selvagens das laranjas nunca foram encontradas ou se perderam no tempo.

Também em conseqüência dessa antiguidade e das inúmeras modificações genéticas por que passaram ao longo dos anos, as laranjas e os demais frutos cítricos foram nomeados e renomeados incontáveis vezes na tentativa de se estruturar uma classificação adequada, ao mesmo tempo, à ciência e ao comércio. Por isso, muitas vezes, no caso das laranjas, não se encontra consenso em relação à nomenclatura dada a esta ou àquela fruta, ainda mais ao se considerarem os seus nomes populares. E mais ainda porque, muitas vezes, uma mesma variedade pode apresentar diferenças de coloração e sabor, em virtude das condições do clima e de solo da região em que foi plantada.

Hoje em dia, grande parte das faixas tropical e subtropical do globo transformou-se num verdadeiro cinturão produtor de frutas cítricas, tornando a laranja uma das frutas mais cultivadas em todo o mundo.

No Brasil, a produção de laranjas desenvolveu-se muito a partir dos anos 60, quando uma geada sem precedentes destruiu grande parte dos laranjais da Flórida, nos Estados mundial de sucos cítricos, os Estados Unidos passaram a demandar importações, o que impulsionou países como o Brasil a investir nessa cultura. E deu certo.

Os produtores paulistas foram os primeiros a ter condições de entrar nesse mercado. Nos ultimos 20 anos, com a instalação dos laranjais, foram bastante notáveis as mudanças ocorridas na paisagem das regiões produtoras do Estado de São Paulo, que se transformou no principal produtor do país.

Chamam a atenção as enormes extensões de terra repletas de laranjeiras, especialmente nas proximidades das estradas que interligam os municípios de Limeira, Bebedouro e Araraquara.

“- Vi tudo – disse o Visconde. As Hespérides moram num maravilhoso palácio no centro do jardim.Bem na frente há uma árvore carregada dumas frutas do tamanho de laranjos-limas, dum amarelo de ouro.Deve ser a que procuramos.- Por que não trouxe um pomo? Não os havia pelo chão? – retrucou Emília.Pedrinho riu-se.- Que ingenuidade! Pois é lá possível que pomos de ouro andem pelo chão, como as laranjas lá do nosso pomar?” – 0S DOZE TRABALHOS DE HÉRCULES – Monteiro Lobato

Ainda mais quando o perfume próprio das árvores em floração tomam e inebriam por completo o ar da região.

Além de São Paulo, vários outros Estados brasileiros também dispõem de considerável produção de laranjas e demais frutos cítricos, destacando-se Rio de Janeiro, Minas Gerais, Sergipe, Rio Grande do Sul, Paraná e Goiás. São vastos laranjais florindo e florescendo de acordo com os padrões mais elevados de qualidade e produtividade, de maneira a suprir totalmente as necessidades internas e a ocupar uma boa fatia do mercado internacional.

Para tanto, o País e seus fruticultores têm contado com a excelência do trabalho de importantes núcleos de pesquisa, especia-lizados no desenvolvimento, aperfeiçoamento e melhoramento genético das diferentes variedades de frutas cítricas, bem como no treinamento, reciclagem e atualização de profissionais da área.

Na cidade de Cordeirópolis, em São Paulo, por exemplo, fica o Centro de Citricultura Sylvio Moreira, órgão ligado ao Instituto Agronômico de Campinas e considerado o maior centro difusor, de treinamento e de pesquisa em citricultura da América Latina. Ali, numa coleção iniciada há quase 70 anos, estão cultivadas cerca de 1900 diferentes tipos e variedades de Citrus, provenientes de todo o mundo, que costumam fornecer matrizes para todo o País e para boa parte da América Latina.

Os negócios e as cifras que envolvem a comercialização de laranjas em nossos dias são vultosos e, por esse motivo, as espécies e variedades cultivadas são justamente aquelas que têm maior valor de mercado. Entre as diferentes variedades de laranjas existentes, as mais cultivadas, as mais conhecidas e as mais consumidas têm também diferentes usos.

Assim, mais de 80% dos pomares comerciais de laranjas no Brasil produzem frutas ótimas e próprias para o processamento caseiro e comercial de sucos, sendo, este último, mercado em franca expansão no país. São, por exemplo, as variedades de laranjas Pêra, Seleta,Valência e Natal, aquelas encontradas durante todo o ano, em praticamente todas as feiras livres, mercados, quitandas, fruteiros e ambulantes pelo país afora.

Essas laranjas de suco, também consumidas in natura, combinam deliciosamente com alguns pratos salgados. Apenas para citar uma das mais típicas refeições brasileiras, na feijoada a laranja, cortada em gomos ou em pedaços, é servida à vontade juntamente com feijão, arroz, carnes e couve, sendo indispensável para “cortar a gordura” e atenuar a pimenta.

As laranjas azedas são, também, bastante utilizadas na culinária de nível internacional no preparo de molhos para o cozimento e para o acompanhamento de carnes, aves e peixes, tais como o famoso canard aux oranges ou pato com laranja.

Por outro lado, a laranja-baía e a baianinha – espécies desenvol-vidas no Brasil, mais precisa-mente na Bahia, hoje em produção em vários países do mundo – assim como as demais laranjas-de-umbigo, são mais adocicadas e melhores para o consumo in natura. Muito procurada nos mercados europeus, ali, a laranja-baía é considerada a laranja de mesa por excelência, pois sua consistência e firmeza a tornam fruta própria para o consumo elegante e sofisticado, com garfo e faca.

Abaixo do Equador, no entanto, as qualidades das várias laranjas costumam ser aproveitadas, sem tanta cerimônia, a qualquer hora do dia: no desjejum, na sobremesa, no lanche da tarde, pela noite e para repor as energias perdidas.

Sempre é boa hora para aproveitar o suco doce, refrescante e vitaminado de uma laranja. Brincadeira de criança é, no verão, no quintal da casa da avó, lambuzar-se para chupar aquela montanha de laranjas descascadas pacientemente pelo avô e, depois, tomar um bom banho de esguicho.

A laranja-lima ou serra-d’água, de menor expressão comercial, é também a mais difícil de ser encontrada. Pouco ácida, muito doce e saborosa, principalmente quando colhida de velhas laranjeiras cultivadas com todo o carinho em pomares especialmente bem tratados, é indicada para o suco dos bebês e para o consumo de todos aqueles que sofram com problemas digestivos.

Vale ainda destacar as laranjas apropriadas para a confecção dos deliciosos doces em calda, cristalizados, compotas, conservas, gelatinas, geléias, cremes, pudins, mousses, bom-bocados, bolos, biscoitos, tortas, coberturas, recheios e outros mais, que a doceira especialmente, a brasileira – inventou.

Em geral, para os doces, utilizam-se as qualidades de laranjas mais azedas, como a laranja-da-terra e a laranjinha-azeda, das quais se aproveitam tanto a polpa gomosa como a casca e, em alguns casos, apenas a casca, que é pacientemente retirada do fruto com uma lamina preparada para isso.

Na doceira, também, a essência da flor de laranjeira beleza perfumada e branca, tradicional símbolo de pureza constitui-se em importante especiaria aromatizante. Na doceira árabe, apenas para relembrar, praticamente todos os doces e caldas levam as delicadas essências de flores em sua composição.

Fruta gostosa, refrescante, alimentar, vitaminada, diurética, depurativa: o “elogio da laranja”, como diz Lúcia C. Santos, “já está feito pelo consumo formidável que ela vem alcançando no mundo”.

Fonte: www.bibvirt.futuro.usp.br

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