Pecuária

Cai restrição da ABCZ para receptora meio sangue

24/09/13
Depois da polêmica criada com a tentativa de restrição imposta pela ABCZ – Associação Brasileira de Criadores de Zebu para uso de receptoras meio sangue, o mercado de reposição de fêmeas cruzadas experimenta aquecimento da demanda. Receptoras meio sangue Simental, por exemplo, já estão 15% a 20% mais valorizadas em relação aos preços praticados no primeiro trimestre deste ano, quando a reserva de mercado foi amplamente divulgada pela mídia.

 

O fim da restrição acaba de ser homologado pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, referendando decisão tomada pelo Conselho Deliberativo Técnico da ABCZ em reunião realizada nos dias 12 e 13 de junho. Uma nova redação foi aplicada ao artigo 105 do regulamento da ABCZ, liberando o uso de animais cruzados (taurinos x zebuínos ou taurinos x taurinos) nos processos de TE e FIV para as raças Brahman, Cangaiam, Indubrasil e Nelore, a partir de 1º de janeiro de 2014.

Esta situação dá tranquilidade ao mercado. “A ABCZ entendeu que apenas recomendar ou dar preferência ao uso de receptoras zebuínas, com medidas que reduzem custos e estimulam a prática, sem a obrigatoriedade da opção pelo criador, seria o melhor caminho para criadores de zebu que fazem uso de TE e FIV”, salienta Mario Aguiar, diretor da Taurus Genética e Tecnologia Ltda (Botucatu/SP).

O fim da restrição foi considerado coerente por presidentes de associações de raças europeias como Simental, Pardo-Suíço e Senepol. “A esmagadora maioria dos criadores brasileiros sabe das qualidades da fêmea meio sangue Simental e de sua inestimável contribuição para a formação de rebanhos produtivos”, alerta Alan Fraga, presidente da Associação Brasileira de Criadores das Raças Simental e Simbrasil. “A normativa anterior estava provocando a falta de receptoras meio sangue Simental x Zebu. Estas fêmeas são consideradas entre os criadores, de zebu inclusive, como as melhores receptoras devido a sua alta habilidade materna, fertilidade e tamanho e largura de garupa (diretamente relacionada com um parto mais fácil)”.

“A febre da receptora mexeu com muitos criadores que deixaram de usar raças de comprovada habilidade materna, como o Pardo-Suíço, e passaram a usar cruzas entre zebuínos para atender o mercado de receptoras em 2014”, aponta Luiz Sávio de Souza Cruz, presidente da Associação Brasileira de Criadores de Gado Pardo-Suíço. “Muitos criadores estavam dispostos a descumprir a normativa, preferindo manter a rentabilidade e produtividade de seus rebanhos. Não há mais espaço para “decreto-lei” em um país que adota a livre iniciativa”.

Já o presidente da Associação Brasileira dos Criadores de Bovinos Senepol, Gilmar Goudard, acredita que a imprensa tem um papel importante na divulgação do fim da exigência de sangue 100% zebuíno. “O assunto foi amplamente explorado no começo deste ano. Estranho apenas é que dessa vez a decisão não teve tamanha publicidade nos veículos de comunicação como ocorreu com a normativa anterior”, lembra. “Os produtores dependem dessa transparência para tomada de decisão”.

Marcelo Gaeta, da Central Gaeta (Avaré/SP), enxerga um mercado ainda mais aquecido para o meio sangue zebu x taurino, especialmente o Simental x Zebu, por conta das qualidades deste híbrido. “A raça Simental se aplica em todo o país, em qualquer sistema de seleção ou acasalamento, sendo eficiente tanto no corte quanto no leite por sua dupla aptidão comprovada na prática”. Em sua opinião o mercado de meio sangue não se restringe a receptoras, embora seja valioso.

O texto completo do Regulamento do Serviço de Registro Genealógico das Raças Zebuínas pode ser visto no endereço: http://www.abcz.org.br/AreaTecnica/RegulamentoSRGRZ

Abaixo a íntegra do artigo 105:

Art. 105 – A receptora deverá ser perfeitamente identificada com o uso obrigatório de tatuagem na orelha ou marcação a fogo na perna, não sendo permitida a identificação somente com o uso de brincos.

§ 1º – A partir de 01 de janeiro de 2014, tornar-se-á recomendável e preferencial o uso de receptoras com genética zebuína nos processos de TE e FIV para as raças Brahman, Cangaiam, Indubrasil e Nelore, devendo ser usadas uma das seguintes categorias:
a – Fêmeas PO, portadoras de RGN de qualquer raça zebuína.
b – Fêmeas LA, com RGD de fundação ou com RGN nesta categoria, de qualquer raça zebuína.
c – Fêmeas da categoria CCG, que tenham 100% (cem por cento) de genética zebuína.
d – Fêmeas com 100% (cem por cento) de genética zebuína, de uma mesma raça ou de raças diferentes, presumida pelo fenótipo, cadastradas até dezembro de 2015, e que poderão ser utilizadas até o final de sua vida útil.

§ 2º – Adotar-se-ão as seguintes medidas provisórias:
1)    A partir de 01 de janeiro de 2014 e até 31 de dezembro de 2015:
a) todas as receptoras que não se enquadrarem no que determinam as letras “a”, “b”, “c” e “d” do § 1º deste Artigo, independentemente de sua composição genética, deverão ser identificadas por um número único no país, através de um sistema desenvolvido pelo SRGRZ.
b) a identificação física das receptoras definidas na letra “a” acima poderá ser realizada pelo próprio criador, central de biotecnologia de embriões ou outros partícipes do processo, desde que atendidas as condições determinadas pelo sistema desenvolvido e disponibilizado pelo SRGRZ. Fica estabelecido o valor equivalente aos emolumentos de 1 (um) Registro Genealógico Definitivo de matrizes LA – Livro Aberto, para o cadastramento dessas matrizes receptoras no SRGRZ.
2)    A partir de 01 de janeiro de 2016:
a) O valor do cadastro das matrizes não zebuínas passará a ser o de 3 (três) vezes os emolumentos correspondentes a 01 (um) Registro Genealógico Definitivo de matrizes LA – Livro Aberto, para o cadastramento dessas matrizes receptoras no SRGRZ.

 

Fonte: Agrolink