Café do Estado de Minas Gerais na China

Portugal Digital
19/05/2011

Daniel Manucci

Como é sabido, o Brasil figura atualmente como o maior produtor mundial de café. Desde sua chegada ao país, ainda no século XVII, o café foi um dos produtos que mais gerou divisas à nação. Ainda hoje, ele continua sendo um importante fomentador de riquezas (cerca de US$ 2,5 bilhões anuais), contribuindo com quase 2% do valor total das exportações brasileiras e correspondendo a mais de um terço da produção mundial.
Segundo a Organização Mundial do Café, o produto movimenta negócios da ordem de 100 bilhões de dólares e um comércio de 130 milhões de sacas por ano, em média. A atividade envolve, ainda, meio bilhão de pessoas da produção ao consumo final, aproximadamente 7% da população mundial, de acordo com a referida instituição. A região brasileira que mais produz café atualmente é o sul de Minas Gerais, contribuindo com cerca de 50% da produção brasileira, que é de aproximadamente 45 milhões de sacas.
O café é tido, portanto, como uma bebida mundial com penetração em quase todo o globo, em menor ou maior proporção. Com a globalização, os chineses, povo tradicionalmente e culturalmente adepto ao chá, vêm absorvendo hábitos ocidentais, dentre eles, o consumo diário de café. Para se ter uma idéia do mercado de café no gigante asiático, a China importa anualmente mais de 30 mil toneladas de café de vários países, inclusive do Brasil, como complemento à sua tímida produção interna. Estima-se que o consumo anual chinês esteja em torno de 60 mil toneladas ou aproximadamente um milhão de sacas de café por ano.
Ainda de acordo com a Organização Mundial de Café, Taiwan, que possui uma similaridade cultural com a China e uma população aproximadamente 56 vezes menor, importa atualmente uma quantidade muito próxima à chinesa, em torno de meio milhão de sacas/ano. Caso houvesse uma proporcionalidade entre o consumo da China e de Taiwan, o gigante asiático demandaria pouco mais de 30 milhões de sacas/ano, algo possível tendo em vista que a China vive um processo de ocidentalização e que os EUA, com aproximadamente 1\4 da população chinesa, consome 26 milhões de sacas.
Atualmente, o Brasil só fornece 4% do total de café que é consumido na China. O principal exportador do produto para a China é o Vietnã, que fornece aos chineses o café da modalidade Robusta. Este, de acordo com especialistas, é inferior ao Arábica, produzido em Minas Gerais, em termos de qualidade, aroma, sabor, acidez etc. Para que se tenha uma idéia do potencial deste mercado, a projeção para o aumento do consumo de café na China é de 90% nos próximos 10 anos. É neste cenário que se vislumbra uma grande oportunidade para os produtores mineiros de café, de todas as regiões do Estado, explorar este novo e gigantesco mercado em ebulição.
A oportunidade para os produtores mineiros divulgarem o café de Minas Gerais na China será através da China International Coffee Industry Exhibition, feira chinesa voltada para o mercado de café no país. A feira acontecerá entre os dias 18 e 20 de junho de 2011, em Pequim, e contará com expositores de café e de máquinas e equipamentos para produção e consumo do produto.
Considerando o público da feira, estarão presentes responsáveis e gerente de compras de hotéis, restaurantes, bares e cafeterias, gerentes de lojas de departamento, supermercados, indústria de entretenimento, serviços públicos, distribuidores nacionais e agentes voltados para produtos do café. Assim, os produtores brasileiros poderão demonstrar o diferencial do nosso produto e conquistar um espaço neste promissor segmento.
* Daniel Manucci é advogado e diretor regional da Câmara de Comércio e Indústria Brasil China em Minas Gerais – CCIBC/MG.
Fonte: http://www.cncafe.com.br/artigos_ler.asp?id=11788&t=5&counter=1