Cadeia produtiva do milho persegue a autossufiência

16/03
Luiz Eduardo Kochhann

Durante a Expodireto Cotrijal, realizada em Não-Me-Toque, na semana passada, a Emater anunciou a projeção de maior produtividade média de milho da história do Rio Grande do Sul: 6,2 toneladas por hectare. A produção, entretanto, deve ficar estabilizada na casa de 5,46 milhões de toneladas, tendo em vista a redução na área plantada. A quantidade não é suficiente para atender as demandas internas. E, mesmo com os preços sendo considerados rentáveis ao produtor, a competição com a soja segue desigual. As soluções propostas vão desde o aumento da produtividade média até a criação de mecanismos de compra e armazenamento pelo governo estadual.

Para o analista da Carlos Cogo Consultoria Agroeconômica, Carlos Cogo, lavouras de milho ainda deixam uma boa rentabilidade. Um agricultor com produtividade de 8 toneladas por hectare, por exemplo, obteria R$ 826,00 por hectare sobre o custo total nesta safra. O contraponto é que o produtor de soja, com produtividade de 3,2 toneladas por hectare, pode lucrar R$ 1.610,00 na mesma área. “É difícil convencer a não plantar soja enquanto a proporção de renda entre a soja e o milho for de 2,6 vezes em favor da primeira”, destaca. A saída, na sua visão, é aumentar a produtividade para uma média de 10 mil toneladas por hectare, assim como nos EUA.

A demanda interna gaúcha pelo grão é de cerca de 6 milhões de toneladas. As cadeias estaduais de suínos e aves consomem, respectivamente, 1,8 milhão e 2,9 milhões de toneladas anualmente. Se somarmos os outros destinos do grão, como a indústria e a exportação, a demanda ultrapassa a produção, obrigando os criadores de animais a importarem, principalmente, do Paraná e do Mato Grosso. Segundo o presidente da Associação dos Criadores de Suínos, Valdecir Folador, o milho representa 70% dos custos de produção. “No momento, estamos tranquilos pelo fato de termos safra cheia, o que deve manter o mercado com preços dentro da normalidade”, afirma.

O diretor executivo da Associação Gaúcha de Avicultura (Asgav), José Eduardo dos Santos, destaca a necessidade de equilíbrio no preço, para manter o produtor estimulado e, ao mesmo tempo, a avicultura sustentável. “A situação é estável hoje. O que precisamos buscar são condições para obter uma produção mais avançada, evitando que tenhamos que buscar em outros estados, uma vez que o insumo nesses casos vem mais caro por causa do frete e dos impostos”, alerta. De acordo com Santos, o setor precisa importar 1,5 milhão de toneladas por ano.

O desafio atual, para o presidente da Associação dos Produtores de Milho, Cláudio de Jesus, é discutir o período pós-colheita, com o objetivo de criar mecanismos para armazenamento da produção em solo gaúcho. Sua sugestão é a compra do grão pelo governo estadual por meio de instituições financeiras, como o Banrisul e o BRDE. “Há 15 dias, já tínhamos exportado 500 mil toneladas, sendo que temos uma demanda interna de 6 milhões de toneladas. Se armazenássemos dentro do Estado com juros baratos, não precisaríamos importar”, opina. O preço ao produtor, no fim da última semana, era de R$ 24,86 em média. Segundo Jesus, a remuneração ideal seria de R$ 27,00.

Jornal do Comércio