Custo de Produção

Cadeia produtiva do café é recebida pelo ministro Blairo Maggi, atendendo a pedido de audiência feito pelo CNC

Publicado em 15/07/2016

REUNIÃO NO MAPA — Na quarta-feira, 13 de julho, o presidente e o conselheiro diretor do CNC, deputado Silas Brasileiro e Carlos Paulino (presidente da Cooxupé), respectivamente, acompanhados do 1º vice-presidente da Frente Parlamentar Mista do Café, senador Ricardo Ferraço, do presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), deputado Marcos Montes, do presidente da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB), Márcio Lopes de Freitas, do presidente da Comissão Nacional do Café da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Breno Mesquita, e das lideranças dos demais segmentos privados da cafeicultura brasileira, reuniram-se com o ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Blairo Maggi.

Na oportunidade, todos os elos da cadeia produtiva fizeram apresentação de suas atividades em prol do setor e também de seus principais pleitos, com destaque para as preocupações:

  1. do conselheiro diretor do CNC, Carlos Paulino, para que se autorize o Laboratório Nacional Agropecuário (Lanagro) de Pedro Leopoldo (MG) a realizar análises de resíduos de defensivos utilizados na produção de café com o intuito de se comprovar, cientificamente, a qualidade e a pureza do café brasileiro, evidenciando, por conseguinte, que é livre de excesso de agroquímicos ou de quaisquer outros insumos;
  2. do presidente da Comissão do Café da CNA, Breno Mesquita, para reajustar os preços mínimos e buscar solução para o endividamento dos produtores do Espírito Santo, prejudicados pelo clima adverso há cerca de três anos, e dos cafeicultores das áreas de montanha;
  3. do diretor executivo da Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic), Nathan Herszkowicz, sobre uma possível volta da taxação de PIS/Cofins sobre o café industrializado e, também, a respeito da necessidade de alteração da RDC Nº 14 da ANVISA, que dispõe sobre matérias estranhas em alimentos e bebidas, seus limites e tolerâncias, a qual estabelece limites muito apertados para a adequação das indústrias e que o problema pode se estender aos produtores, já que os cafés com incidência de broca, ainda que não nocivos à saúde humana, deverão ser prejudicados na comercialização junto ao setor; e
  4. do diretor de Relações Institucionais da Associação Brasileira da Indústria de Café Solúvel (Abics), Aguinaldo Lima, solicitando participação do ministro no sentido de eliminar as barreiras tarifárias impostas sobre o produto, que impedem a expansão das exportações, e também solicitou que, em mercados cujo consumo de solúvel pode ser ampliado, que a indústria possa acompanhar o ministro nas visitas internacionais.

O presidente do CNC apresentou as demandas da entidade, endossadas pela CNA e pela OCB, ao ministro Blairo Maggi, que englobam:

  1. posição sobre a criação do Departamento de Café, Cana de Açúcar, Florestas Plantadas e Agroenergia;
  2. indicação do nome no novo diretor do Departamento por parte do setor privado;
  3. contribuição do Brasil à Organização Internacional do Café;
  4. manifestar junto à Casa Civil e ao Itamaraty o apoio para a recondução de Robério Silva ao cargo de diretor executivo da OIC;
  5. anúncio dos estoques privados de café por parte da Conab, que anualmente ocorre em junho, mas, este ano, devido ao atraso, tem gerado grande especulação no mercado;
  6. venda do estoque governamental, desde que volume e preço para cada lote colocado a venda sejam debatidos previamente com o setor privado;
  7. liberação do restante do orçamento de 2016 do Funcafé para a realização de pesquisa pela Embrapa Café, com o intuito de viabilizar a execução do georreferenciamento do parque cafeeiro; e
  8. compromisso governamental em não firmar acordo de cooperação técnica com nenhum país produtor sem antes o assunto ser debatido no Conselho Deliberativo da Política do Café (CDPC).

O ministro demonstrou-se solícito aos pleitos da cadeia produtiva e, como andamento, confirmou a criação do Departamento de Café, Cana de Açúcar, Florestas Plantadas e Agroenergia, dando autonomia para que o setor privado desses segmentos seja responsável pela seleção do novo diretor. Blairo Maggi também se comprometeu a realizar esforços para que o Brasil pague a contribuição anual à OIC de 2016 e a unir esforços junto à Casa Civil e ao Itamaraty para a reeleição do brasileiro Robério Silva no cargo de diretor executivo da OIC.

A respeito dos estoques cafeeiros do Brasil, o ministro também afirmou que exigiria celeridade na divulgação dos números do volume privado apurado pela Conab, com data de referência de 31 de março deste ano, e que também deve ser dado andamento aos leilões dos estoques públicos, desde que o volume e os valores do produto sejam acordados previamente com o setor. Maggi também se comprometeu a verificar a possibilidade de liberar o restante do orçamento de 2016 do Funcafé para viabilizar a execução do georreferenciamento do parque cafeeiro nacional e, ainda, assumiu que o Mapa não firmará acordos de cooperação técnica com outras nações produtoras sem que o assunto seja debatido e receba uma orientação dos membros do CDPC.

Também presente na audiência, o presidente do CeCafé, Nelson Carvalhaes, destacou a expressividade das exportações brasileiras no recém encerrado ano safra 2015/2016, que alcançou o volume de aproximadamente 35,5 milhões de sacas, e enalteceu a união do setor, em especial dos representantes da produção, elo que entende como crucial para que o Brasil possa continuar atingindo volumes significativos nos embarques. A diretora da BSCA, Vanusia Nogueira, apresentou os trabalhos que a Associação faz em prol dos cafés especiais brasileiros no exterior junto à Apex-Brasil e o presidente da OCB, Márcio Lopes de Freitas, elogiou a sinergia do setor e prestou apoio total ao CNC na condução dessas ações, colocando a Organização à disposição para o que se fizer necessário.

REPASSES DO FUNCAFÉ — O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) realizou o repasse de R$ 191 milhões dos recursos do Fundo de Defesa da Economia Cafeeira (Funcafé) para o Bradesco na terça-feira, 12 de julho, elevando o total encaminhado às instituições financeiras para R$ 4,167 bilhões, ou 89,96% dos R$ 4,632 bilhões previstos para a safra 2016. Dos repasses feitos até o momento, R$ 1,592 bilhão foram destinados para a linha de Estocagem; R$ 941 milhões ao Financiamento para Aquisição de Café (FAC); R$ 843 milhões para Custeio; e R$ 791 milhões para as linhas de Capital de Giro, sendo R$ 380 milhões para Cooperativas de Produção, R$ 231 milhões para Torrefadoras e R$ 180 milhões às indústrias de Solúvel. Confira, na tabela, as liberações realizadas pelo Mapa aos agentes financeiros até o momento (clique para ampliar).

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Durante a audiência com o ministro Blairo Maggi, o presidente do CNC elogiou a postura proativa da Pasta no que diz respeito à celeridade na liberação dos recursos, explicando que a possibilidade do capital chegar às mãos dos produtores possibilita que se financiem e possam dosar a comercialização da safra, não sendo pressionados a vender nos quatro meses da colheita, quando os preços são normalmente mais aviltados, e realizem a venda ao longo dos 12 meses do ano, tendo condições para buscar as melhores cotações que o mercado oferece, o que permite rentabilidade na atividade.

VISITA AO CINTURÃO PRODUTOR — Atendendo a um pedido feito pelo presidente da Cooxupé e conselheiro diretor do CNC, Carlos Paulino, o ministro da Agricultura comunicou que pretende realizar visitas ao cinturão produtor de café do Brasil, começando por Guaxupé como consequência do convite recebido, para entender melhor toda a tramitação dessa cadeia produtiva, em especial no que diz respeito ao cooperativismo e sua abrangência na agricultura familiar e pequenos produtores. O CNC entende que a iniciativa de Blairo Maggi, além de honrosa, muito contribuirá para uma troca de informações entre os setores público e privado, a qual, certamente, possibilitará a implantação e o desenvolvimento de políticas positivas e proativas para a cafeicultura nacional.

PLATAFORMA GLOBAL DO CAFÉ — Com o objetivo de concentrar esforços na promoção da sustentabilidade no mundo para o café, foi lançada, em março deste ano, após aprovação na Assembleia Geral da Associação 4C, em Adis Abeba, na Etiópia, a Global Coffee Platform (GCP), a Plataforma Global do Café. Na sequência, o CNC compartilha informações, elaboradas junto a GCP, P&A Marketing, Coffee Assurance Services (CAS) e Cooxupé, por meio do Gerente de Responsabilidade Socioambiental da cooperativa, Alexandre Monteiro, que elucidam o objetivo e o modelo operacional da iniciativa.

A Plataforma Global do Café é a combinação da Associação 4C (sem nenhuma operação de verificação comercial, que passaram a ser operadas pela Coffee Assurance Services) e o Programa Café Sustentável – SCP, do IDH, cujas atividades pré-competitivas globais migrarão para a GCP ao longo de 2016. A Associação 4C e o Programa Café Sustentável deixaram de existir em seus antigos formatos desde 25 de abril deste ano.

A Plataforma une, portanto, a rede de membros e as atividades pré-competitivas/não comerciais antes realizadas pela Associação 4C, com os projetos desenvolvidos pelo Programa Café Sustentável, como, por exemplo, no Brasil, a implantação do Currículo de Sustentabilidade do Café, o treinamento de técnicos e pequenos produtores e a busca de modelos mais eficientes de assistência técnica e extensão rural, ora desenvolvidos pelo Programa Brasil da GCP, coordenado pela P&A Marketing. Os membros da antiga Associação 4C tornaram-se membros da Plataforma Global do Café e os serviços vinculados à filiação e o relacionamento com membros continuam sendo realizados, no País, através do Escritório Regional da GCP.

O novo modelo tem por objetivo otimizar as ações já existentes nos países de origem para a promoção da sustentabilidade, assegurando a todos os atores da cadeia de suprimento café o fornecimento de um produto seguro e produzido com sustentabilidade aos consumidores.

As atividades relacionadas à garantia da conformidade em relação ao Código de Conduta 4C passaram, desde abril, a ser realizadas pela Coffee Assurance Services, que é uma prestadora independente de serviços de controle da integridade no setor do café, para a Verificação do Código de Conduta 4C. Como operadora do Sistema de Verificação 4C, a CAS tem as responsabilidades de coordenar as operações dos verificadores 4C e fornecer treinamento, emitir licenças 4C e avaliar o nível de conformidade das Unidades em relação ao Código de Conduta 4C.

Entendemos que todas essas mudanças são positivas e têm por objetivo o alinhamento das ações dos diversos atores da cadeia do café para a promoção da sustentabilidade, concentrando esforços e compartilhando responsabilidades. Mais informações: http://www.globalcoffeeplatform.org/

MERCADO — Os contratos futuros do café registraram forte alta nesta semana nos mercados internacionais, com o movimento sendo puxado pela queda nos estoques certificados de arábica na Bolsa de Nova York, pela menor produção mundial de robusta neste ano e pela recente valorização do real frente ao dólar.

A moeda norte-americana acumulou sua terceira queda consecutiva ante o real na quinta-feira, sendo pressionada pela expectativa de aumento de liquidez internacional e pela amenização da turbulência política no Brasil após a eleição do novo presidente da Câmara dos Deputados. Ontem, o dólar comercial foi cotado a R$ 3,2595, acumulando perda de 1,06% na comparação com o desempenho da semana antecedente.

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Na Bolsa de Nova York, a queda do dólar e os indicadores técnicos contribuíram para a sustentação da alta nos preços internacionais do café arábica, os quais se encontram em seus níveis mais elevados em pouco mais de um ano. O vencimento setembro do Contrato C foi cotado, na quinta-feira, a US$ 152,15 por libra-peso, subindo 805 pontos em relação ao fechamento da semana anterior. O vencimento setembro do contrato futuro do robusta, negociado na  ICE Futures Europe, encerrou o pregão de ontem a US$ 1.842 por tonelada, com ganhos de US$ 45 em relação a sexta-feira passada.

De acordo com a World Weather, o clima deverá se alterar moderadamente neste fim de semana nas áreas produtoras de café, com a ocorrência de leves precipitações e queda das temperaturas, mas sem trazer ameaça aos trabalhos de colheita e aos cafezais. A mudança será provocada pela chegada de uma frente fria, que passará pelo cinturão cafeeiro de Paraná, São Paulo e Sul de Minas Gerais. As chuvas, no entanto, não devem superar 6 mm.

A Somar Meteorologia completa informando que uma massa de ar polar acompanha essa frente fria e será responsável pela redução das temperaturas a partir de sábado no Paraná e de domingo em São Paulo e Sul de Minas. Os termômetros devem registrar mínimas entre 7 graus e 1 grau no norte do Paraná e em São Paulo e de 8 a 13 graus no sul de Minas e no Espírito Santo, conforme a World Weather.

No Brasil, os preços acompanharam o desempenho positivo dos mercados internacionais, com o indicador do arábica do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) atingindo seu maior valor nominal do ano na segunda-feira, 11 de julho, a R$ 510,12/saca de 60 kg. Já o indicador do café robusta registrou recorde nominal da série histórica ontem, fechando a R$ 409,52/saca.

Segundo os pesquisadores, as altas seguem relacionadas à baixa oferta da variedade arábica colhida na safra 2016/17 no Brasil e também às preocupações no que diz respeito às condições da temporada 2017/18. A instituição comunicou que o desenvolvimento nos cafezais segue abaixo do esperado em função do déficit hídrico.

No caso do robusta, a quebra de safra devido às adversidades climáticas no Espírito Santo tem sido o pivô da alta. O cenário positivo agitou um pouco o mercado, mas os negócios seguem desaquecidos por causa da diferença entre os preços oferecidos e os valores pedidos pelos produtores.

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Fonte: CNC