Brasil precisará importar 1 mi t de soja dos EUA para o mercado interno

charlesricardo (CC0), Pixabay

Publicado em 25/09/2018

SÃO PAULO (Reuters) – O Brasil deverá exportar um recorde de cerca de 80 milhões de toneladas de soja em 2018, contando com uma forte demanda da China, mas também terá de realizar atípicas importações da oleaginosa dos Estados Unidos para atender suas próprias necessidades, avaliou nesta terça-feira a Agribrasil, empresa que atua na originação de grãos.

A conta da Agribrasil para a exportação do país considera o total já embarcado, a programação de navios e a expectativa de exportações entre outubro e dezembro.

Contudo, o Brasil teria de importar cerca de 1 milhão de toneladas de soja dos EUA, que não estão vendendo quase nada para a China desde que Pequim, em guerra comercial com Washington, implantou em julho uma tarifa de 25 por cento sobre a oleaginosa norte-americana.

Com uma safra recorde de soja sendo colhida nos Estados Unidos e o Brasil com estoques pequenos após exportações recordes, principalmente para a China, o mercado tem especulado já há algum tempo sobre compras brasileiras nos EUA.

“Soja americana virá em breve pro Brasil”, afirmou à Reuters o presidente da Agribrasil, Frederico Humberg, que atua no setor há quase 30 anos, tendo trabalhado anteriormente em várias multinacionais.

Ainda não há confirmação de negócios do Brasil com os EUA, os maiores produtores globais da oleaginosa. Anteriormente, a possibilidade de compras de soja norte-americana já havia sido comentada pela associação de exportadores do país, a Anec.

Compras de soja pelo Brasil ajudariam os EUA a lidar com seu excedente, em momento em que os norte-americanos já buscam vender mais para a Europa, como forma de escoar uma parte da produção antes comprada pela China.

As importações totais do Brasil somariam 1,25 milhão de toneladas, com parte vindo também do Paraguai, ante compras totais de 250 mil no ano passado.

Enquanto os prêmios pagos pelos chineses pela soja brasileira elevam as cotações no país e apertam as margens da indústria nacional, nos Estados Unidos os preços da oleaginosa estão oscilando perto de mínimas em dez anos, o que ajudaria na efetivação de importações pelo Brasil.

Humberg destacou que considerando as exportações do Brasil no ano até agosto (65,9 milhões de toneladas), mais cerca de 4 milhões já carregados em setembro e outros 3,6 milhões de toneladas previstos nos line-ups dos navios, o país já teria exportações garantidas de cerca de 73,5 milhões de toneladas.

“Estimo que podemos ter mais 6-7 milhões de toneladas de exportação nos meses de outubro, novembro e dezembro, e com isso chegaríamos ao recorde de 80 milhões de toneladas de exportação”, explicou.

Essa previsão de exportação do Brasil, maior exportador global do produto, supera a projeção da associação da indústria de soja (Abiove) divulgada no início de setembro, que apontou 76,1 milhões de toneladas, o que já representaria um crescimento de quase 12 por cento ante 2017.

O CEO da AgriBrasil, uma empresa relativamente nova no país, mas com planos de triplicar a originação de grãos este ano, para 500 mil toneladas, ainda estima uma revisão para baixo do processamento de soja pelo país, para 41,5 milhões de toneladas, enquanto a Abiove vê 43,6 milhões de toneladas, versus 41,8 milhões no ano passado.

O executivo ainda aposta em uma revisão para cima da safra brasileira, para 121 milhões de toneladas, versus aproximadamente 119 milhões vistos pela Abiove e governo.

Mesmo com uma safra recorde, os estoques brasileiros terminarão em mínimas históricas em meio às fortes exportações, com a China respondendo por cerca de 80 por cento dos embarques do Brasil.

FNP eleva previsão de safra de soja do Brasil a recorde com bom início de plantio

SÃO PAULO (Reuters) – A safra de soja do Brasil 2018/19, cujo plantio está em fase inicial, foi estimada em um recorde de 122 milhões de toneladas pela consultoria IEG FNP, que elevou a previsão na comparação com estimativa de agosto em 1 milhão de toneladas, disse um analista nesta terça-feira.

Segundo Vitor Belasco, chuvas favoráveis durante o início do plantio permitiram o bom desenvolvimento do trabalho, o que traz boas perspectivas para a produtividade da safra.

Dessa forma, a consultoria do grupo Informa aumentou a estimativa de produção do país, maior exportador global de soja, apesar de uma redução na projeção de plantio para 36,2 milhões de hectares, ante 36,45 milhões de hectares em agosto.

Ainda assim, seria um crescimento de pouco mais de 1 milhão de hectares (3 por cento) sobre a temporada anterior –quando o Brasil colheu cerca de 119 milhões de toneladas, uma temporada com volume histórico–, com produtores semeando agora uma safra capitalizados pela demanda adicional da China.[nL2N1WB1BF]

“As condições de plantio estão adequadas, está chovendo bem… elimina o risco de ter um deslocamento da janela ideal de cultivo como teve o ano passado, quando demorou para chover em algumas regiões”, disse Belasco, ressaltando que o ajuste na produtividade da consultoria se deu em função do bom início do plantio.

No Paraná, segundo produtor de soja do Brasil, o plantio avançou para 18 por cento do total previsto, após o início mais precoce dos trabalhos de semeadura em pelo menos cinco anos, segundo dados do Deral, do governo do Estado.[nL2N1WB1R8]

“O destaque é para o Sul, com quase 1 milhão de hectares semeados, essencialmente no Paraná”, disse Belasco, lembrando que sob provável influência de um El Niño moderado a tendência é de chuvas no período entre a primavera e verão no Sudeste e Sul do país.

“Isso colabora para ter umidade adequada do solo, emergência sem atraso… Em contrapartida, quando está no enchimento de grãos tem maiores focos de veranico, isso ainda nos mantém um pouco conservadores quanto a produtividades.”

MATO GROSSO

Ele destacou que a área plantada em Mato Grosso, maior produtor de soja do Brasil, crescerá ao nordeste do Estado, com a abertura de novas áreas.

O Mato Grosso terá um aumento absoluto de cerca de 130 mil hectares de um ano para o outro, com produtores semeando também em pastagens degradadas.

“A tendência é que se alinhe a área de cultivo do noroeste de Goiás com o nordeste de Mato Grosso”, comentou ele, lembrando que os preços remuneradores, com a concentração da demanda chinesa no Brasil, estimulam produtores.

A área plantada no Brasil, no entanto, poderia ter sido ainda maior não fossem problemas no financiamento da safra gerados pelos protestos de caminhoneiros e tabela do frete rodoviário, que elevou os custos. Boa parte dos negócios antecipados em Mato Grosso são feitos via “barter”, em um sistema de troca por insumos.

Em termos de crescimento percentual, o maior salto no plantio deve ser registrado no Nordeste do país, com alta de 7,2 por cento, puxada por aumento no Piauí, nas regiões de Uruçuí e Bom Jesus, e no oeste da Bahia, em áreas que antes eram dedicadas ao milho primeira safra.

(Por Roberto Samora; edição de Luciano Costa)

Fonte: Reuters