Leite

Brasil não aprova entrada de leite em pó e queijos da Argentina

25/01/2013

 

O comércio de produtos lácteos entre Argentina e Brasil voltou a entrar em tensão. Há duas semanas, o Brasil não autoriza novas licenças para importação de leite em pó e queijos. Trata-se de mais de 5.000 toneladas, avaliadas, segundo diversas estimativas, em quase US$ 20 milhões.

Não é a primeira vez que isso ocorre. No ano passado, por exemplo, em meio à disputa por barreiras impostas pela Argentina às importações de carne suína do Brasil, o País paralisou as compras de queijos argentinos, em uma represália do Ministério da Agricultura.

Além da complicada relação dos dois países em outros setores, segundo o presidente do Centro da Indústria Leiteira (CIL) – que agrupa empresas líderes do setor argentino que processam 65% do leite -, Miguel Paulón, o freio à importação obedece “à pressão dos produtores” brasileiros. Além disso, em outubro, venceu o acordo privado entre empresários de ambas as nações, que tinha fixado em 3.600 toneladas por mês a cota de leite em pó argentino ao Brasil, mas esse convênio não pode até o momento ser renegociado. Houve contatos sem avanços concretos.

O limite imposto às importações de leite em pó pelo Brasil valeram apenas para a Argentina, com outros mercados ficando de fora, como por exemplo, o Uruguai. Esse país em 2012 passou pela primeira vez à frente da Argentina como principal fornecedor de leite em pó ao Brasil. O Uruguai vendeu durante o ano passado cerca de 58.000 toneladas de leite em pó ao Brasil, contra uma estimativa de 40.000 toneladas vendidas pela Argentina, de acordo com dados da indústria local. Segundo dados oficiais, nos primeiros onze meses de 2012, a Argentina vendeu ao Brasil 35.852 toneladas de leite em pó, no valor de US$ 132,6 milhões. Isso representa quedas de 17% e 19%, respectivamente, em volume e divisas com relação ao mesmo período de 2011. Depois da Venezuela e da Argélia, Brasil foi o terceiro mercado em importância para esse produto.

Apesar do Uruguai não ter nenhuma barreira nas vendas de leite em pó ao Brasil, os empresários brasileiros estariam agora buscando um acordo similar com esse país.

Entretanto, para o caso dos queijos argentinos, até agora não há cotas. No entanto, os brasileiros pretenderiam fazer o mesmo que fez com o leite em pó e não se descarta que proponham isso em uma reunião programada para a próxima segunda-feira em Buenos Aires. Algumas fontes não descartam a presença do ministro da Agricultura, Jorge Mendes Ribeiro.

A reportagem é do La Nación, traduzida e adaptada pela Equipe MilkPoint.