Tire suas Duvidas

Brasil deve produzir ou importar trigo?

06/11/2017

A Consultoria Trigo & Farinhas analisa que o Brasil arrasta um dilema há praticamente 50 anos: deve produzir ou importar trigo? De acordo com a T&F, o trigo está sendo usado atualmente pelo governo brasileiro como “moeda de troca para a exportação da linha branca para a Argentina e de carne para os Estados Unidos”.

“Se olharmos o Line-Up dos embarques de trigo nos portos argentinos, podemos verificar que este país já exporta regularmente para mais de 23 destinos diferentes e que o volume dos embarques para outros destinos que não o Brasil já foi cerca de 50% maior do que os que vem ao Brasil na temporada 2016/17. Então o país vizinho não precisa mais estar amarrado a cláusulas de conveniência (e restrição) para vender o seu trigo, o que liberaria o governo brasileiro desta obrigação”, justifica o analista Luiz Fernando Pacheco.

Segundo ele, porém, não basta apenas isto: “É preciso alinhar a cadeia, por exemplo: o agricultor deve plantar sementes que a indústria precisa para fazer suas farinhas, a indústria precisa produzir farinhas que as fábricas de pães industrializados, de massas e biscoitos necessitam e estas precisam fazer produtos que despertem desejo no consumidor e, para isto, fazer muito, mas muito marketing, para aumentar a venda seus produtos (aliás, toda a cadeia depende disto)”.

“Além destas considerações, há que se ter alternativas de comercialização, como a exportação, que exige regularidade na produção (teríamos que chegar a 19 milhões de toneladas ou mais, via plantio no Centro Oeste) e na qualidade (o trigo hoje produzido no C-O tem qualidade canadense, a melhor do mundo), para sairmos da eterna dependência de um único tipo de comprador, como temos hoje”, complementa.

A Consultoria aponta estudos da Embrapa e próprios comprovando que a exportação melhora os preços e a lucratividade e, principalmente a qualidade: “Só desta maneira conseguiremos competir com o trigo argentino. Sem isto, até medidas como o aumento dos impostos de importação, para tentar dar prioridade ao produtor brasileiro, será inútil, porque o consumidor brasileiro está cada vez mais exigente. Não adianta produzir de qualquer maneira (o agricultor usar a semente que quiser, por exemplo, se se alinhar ao moinho) e fazer produtos que não despertam desejo (como os atualmente produzidos por muitas fábricas). É preciso concorrer pra valer, com as mesmas armas (e produtos)”.

 

Fonte: Agrolink