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Boletim Focus: Pela 1ª vez, mercado prevê inflação acima de 10% neste ano

Publicado em 16/11/2015

Pela primeira vez, os economistas do mercado financeiro passaram a prever que a inflação oficial será de dois dígitos neste ano, ou seja, superará a barreira dos 10%. A estimativa dos analistas, feita na semana passada, foi divulgadas nesta segunda-feira (16) pelo Banco Central por meio do relatório de mercado, também conhecido como Focus, e é fruto de pesquisa com mais de 100 instituições financeiras.

Para 2015, a expectativa dos economistas dos bancos é de que o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), a inflação oficial, feche o ano em 10,04%. Na semana anterior, a taxa esperada era de 9,99%. Se confirmada a estimativa, representará o maior índice em 13 anos, ou seja, desde 2002 – quando ficou em 12,53%.

Essa foi a nona alta seguida no indicador. O BC informou, no fim de setembro, que estima um IPCA de 9,5% para este ano. Segundo economistas, a alta do dólar e, principalmente, dos preços administrados (como telefonia, água, energia, combustíveis e tarifas de ônibus, entre outros) pressiona os preços em 2015. Além disso, a inflação de serviços ainda segue pressionando os preços.

Para 2016, os economistas das instituições financeiras elevaram sua expectativa de inflação de 6,47% para 6,5% na última semana – no limite da meta de inflação para o ano que vem. Foi a 15ª alta seguida do indicador que continua se distanciando da meta central de 4,5% fixada para o ano que vem e que passou a ficar muito próxima do limite de 6,5% do sistema de metas de inflação.

Pelo sistema que vigora no Brasil, a meta central para 2015 e 2016 é de 4,5%, mas, com o intervalo de tolerância existente, o IPCA pode oscilar entre 2,5% e 6,5%, sem que a meta seja formalmente descumprida. Com isso, a inflação deverá superar o teto do sistema de metas em 2015, algo que não acontece desde 2003.

Recentemente, o BC admitiu que não conseguirá trazer o IPCA para a meta central de 4,5% no próximo ano. Segundo a autoridade monetária, isso será possível somente em 2017. Na semana passada, o diretor de Política Econômica do Banco Central, Altamir Lopes, informou que, apesar da desistência da autoridade monetária de trazer o IPCA para 4,5% em 2016, que ele permanecerá dentro da banda do sistema de metas, ou seja, abaixo de 6,5%. “[A inflação] estará contida no intervalo do regime de metas [em 2016]”, disse ele na ocasião.

Contração de 2% para o PIB de 2016
Ao mesmo tempo, o mercado financeiro também passou a estimar uma retração maior da economia em 2016.

Para o PIB deste ano, o mercado financeiro manteve a estimativa de retração de 3,10%. Se confirmado, será o pior resultado em 25 anos, ou seja, desde 1990 – quando foi registrada uma queda de 4,35%.

Para 2016, os economistas das instituições financeiras aumentaram de 1,90% para 2% a expectativa de contração na economia do país. Esta foi a sexta queda seguida na previsão do mercado para o PIB do próximo ano.

Leia a notícia na íntegra no site G1.

Fonte: G1