Produtivo

Boa nutrição garante produção do café mesmo com estiagem

Fertilizantes especiais aplicados via fertirrigação e também na produção sem irrigação, se utilizados corretamente,  podem aumentar a produtividade do cafezal

A seca de 2014 trouxe enormes prejuízos para os produtores de café. Em Minas Gerais, por exemplo, a perda na produção do grão no último ano foi de cerca de 30%, segundo dados da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Minas Gerais (FAEMG). E há previsão de nova estiagem prolongada para 2015. Para enfrentar um novo período com baixos índices de chuva, a alternativa é cuidar da nutrição, mantendo solo vegetado e aplicando fertilizantes especiais, entre outras medidas.

A adoção de tecnologia, como a fertirrigação, pode  aumentar e até mesmo dobrar a produtividade. “A média nacional de produtividade de café no Brasil está próxima de 20 a 22 sacas beneficiadas por hectare (área de sequeiro). Quando se tem a possibilidade de irrigar corretamente, essa produtividade média brasileira pode chegar a 55 sacas beneficiadas, uma diferença muito grande”, aponta Ricardo Teixeira,  consultor nas áreas de nutrição e fisiologia vegetal da Tradecorp do Brasil e  professor do Centro Universitário da Fundação Octávio Bastos (UNIFEOB).

Nutrição certa do cafezal irrigado

Grande parte das áreas de café do Brasil estão em regiões do Cerrado, com solos  extremamente ácidos. Por isso, é preciso observar para que as fontes de fertilizantes utilizadas sejam as que causem o mínimo de acidificação possível para que não provoquem o efeito contrário.  Teixeira ressalta que “a escolha dos fertilizantes deve ser para os específicos para fertirrigação (que são diferentes dos aplicados no café de sequeiro), pois possuem características como pureza, alta solubilidade (capacidade de se misturar à água para facilitar a aplicação) e não causam acidez. ”
E, para isso, é necessário  que o produtor tenha técnicos habilitados para recomendar o que fazer, evitando situações como as ocorridas  em regiões como Patrocínio (MG) e outros municípios do Triângulo Mineiro, onde houve uma acidificação muito severa e principalmente salinização do solo por conta do manejo errado. A Tradecorp do Brasil comercializa produtos específicos para áreas fertirrigadas com as características de pureza, alta solubilidade, baixa condutividade elétrica e não acidificante, como os Nutricomplex e Rutter, entre outros.

Café de sequeiro exige nutrição diferenciada

Para cafezais sem irrigação é preciso entrar com substâncias que atuem para reduzir o estresse das plantas provocado pela falta de água, que podem ser aplicadas no solo ou via folha. São compostos como os ácidos húmicos e fúlvicos, oriundos da degradação da matéria orgânica, extratos de plantas e de algas marinhas, aminoácidos, poliaminas, entre outros, detalha Teixeira.   O grande problema é que, nos dois últimos anos, a seca veio acompanhada da alta temperatura por um período muito longo e baixa umidade relativa do ar. “Então, são três fatores de estresse que ocorrem ao mesmo tempo e uma planta que tem uma condição de boa nutrição sofre menos do que as que são mal nutridas”, garante Teixeira. Por isso, a indicação, segundo ele,  é: nutrir corretamente e ao mesmo tempo, na mesma operação, utilizar algumas substâncias que tenham um efeito no metabolismo do cafeeiro para diminuir o estresse especialmente da falta d’água, altas temperaturas e baixa umidade relativa do ar.

Como escolher o fertilizante

Todo fertilizante é sal. Mas alguns sais têm a capacidade de acidificar, outros são neutros e outros têm a capacidade de alcalinizar levemente. “Então se deve fazer um equilíbrio entre essas fontes de fertilizantes para que eles se adaptem à condição de solo e, na maioria dos solos, essa condição é de não acidificação. O produtor precisa fazer uma mescla das fontes”, recomenda Teixeira. O solo não pode acidificar na maioria dos casos. No Brasil, somente em algumas regiões do Nordeste, onde naturalmente os solos são alcalinos, é necessário acidificar, mas não é o caso do café e, sim, de algumas frutas e hortaliças. “Portanto, o fertilizante  precisa ter pureza, solubilidade, não acidificar e também ter um baixo índice salino, para não causar morte de raízes”, conclui o especialista.

Manejo da água deve ser observado para fertirrigar

A nutrição via fertirrigação deve ter como primeiro passo  uma análise físicoquímica da água. “A análise é feita para saber se essa água possui nutrientes, em quais quantidades, se o pH ácido ou alcalino e se tem impurezas, por exemplo, resíduos de metal pesado, ou se tem muita matéria orgânica. Tudo isso vai influenciar no tipo de equipamento que o produtor vai usar e também no tipo de fertilizante utilizado para misturar nessa água”, explica Teixeira.

Além disso, segundo o especialista, é essencial que o produtor tenha informação de que o manejo de nutrição que fazia quando tinha o café de sequeiro, não pode ser o mesmo na área a ser fertirrigada. “Primeiro porque os fertilizantes utilizados não serão os mesmos. Segundo, quando faço uma irrigação em sequeiro, aplico o nutriente em uma placa de solo muito maior do que quando faço a irrigação localizada. O produtor deve ter a consciência de que está nutrindo a planta em uma faixa molhada, conhecida como bulbo úmido ou bulbo molhado. Então, ele precisa tomar uma série de cuidados para não ter problemas futuros – depois de três quatro anos – como salinidade e acidificação do solo.”

Fonte: Agrolink