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Biodigestor: limpeza do ambiente e rentabilidade

O aumento da população do planeta e a necessidade de incrementar a produção de proteínas animais para alimentar bilhões de pessoas fizeram a produção de proteínas animais atingir escalas industriais. Os dejetos de bovinos, suínos e aves, no entanto, podem gerar graves problemas ambientais, principalmente nas regiões próximas aos criatórios.

Ao mesmo tempo, as formas até então adotadas para o manejo dos dejetos tornaram-se obsoletas e incompatíveis com as exigências da legislação para a manutenção do meio ambiente. Os dejetos sem tratamento contribuem para a proliferação de moscas e borrachudos, transmissores de doenças.

As moléculas odorosas são absorvidas pelas partículas de poeira e podem viajar distâncias longas e causar mau cheiro por muito tempo. Já as carcaças de animais mortos geram resíduos sólidos difíceis de serem eliminados e, quando não destinadas de modo correto, atraem animais necrófagos (tatus, urubus e ratos) potenciais disseminadores de doenças, além da possibilidade de tornarem-se focos de botulismo.

Esses resíduos, quando se infiltram no solo, terminam por atingir o lençol freático que abastece os rios, as nascentes de águas e os poços artesianos que alimentam as granjas e populações, tanto rurais como urbanas. A água de qualidade comprometida prejudica o desempenho dos plantéis na propriedade rural quando despejada diretamente em córregos, rios ou lagos. Além disso, ocasionam a proliferação de algas que contribuem, por exemplo, para ocorrência de mortandade de peixes. A decomposição dos dejetos produz gás metano, que é combustível e até 21 vezes mais poluente que o gás carbono.

O tratamento dos dejetos de granjas de porcos e de aves e de currais de gado de leite, por exemplo, impede danos ao meio ambiente e pode trazer ganhos para o produtor rural na produção de fertilizantes e um biogás a base de metano para aquecimento de granjas, caldeiras ou para mover motores para a geração de energia elétrica, além de água limpa que pode ser reaproveitada no sistema produtivo. Exemplo chinês

Na China, onde a tecnologia de biodigestores é bastante difundida, a produção de energia elétrica a partir desses equipamentos excede em mais de 10 vezes a capacidade de geração de energia da Hidroelétrica de Itaipu.

O custo de implantação para 150 matrizes suínas está orçado na faixa de US$ 5 mil. Como o processo realizado pelo biodigestor impede que o metano, um dos gases causadores do chamado “efeito estufa”, seja liberado na atmosfera, o sistema pode ser certificado em nível nacional e depois internacionalmente para a obtenção de mais uma fonte de renda: a venda de crédito de carbono, previsto no Protocolo de Quioto.

Projeto deve observar alguns critérios

Ao projetar um biodigestor é preciso levar em conta o tipo, quantidade e idade dos animais cujos dejetos serão tratados. Pode ser submetida ao processo de biodigestão toda matéria orgânica crua, desde casca de batata, farelos de grãos a fezes de animais domésticos. O cálculo do tamanho do biodigestor (TB) deve levar em conta a vazão diária (V) de dejetos dissolvidos em água e o tempo de retenção hidráulica (TRH) necessário para a degradação da matéria orgânica.

Daí a equação TB = V (m3) X TRH. Em geral, as paredes do biodigestor são construídas em alvenaria e revestidas por uma manta de vinil. Em média, a matéria orgânica leva de 20 a 50 dias para ser decomposta no biodigestor. Um biodigestor deve ser construído, sempre que possível, de maneira a aproveitar a declividade do terreno e usar a gravidade no deslocamento do material. A distância considerada ideal entre o biodigestor e o local onde o gás será consumido é de 30 a 50 metros.

Atualmente, além das mantas instaladas acima do biodigestor, também são utilizados cilindros feitos com lonas de PVC para armazenar o biogás. A parte que fica acima do biodigestor e recebe o gás é denominada “gasômetro”. O uso dos cilindros dispensam a construção de bordas em alvenaria, que acrescentam gastos com mão-de-obra e alvenaria ao projeto e podem ser pontos de atrito que causam cortes nas lonas. A medida em que o gás metano é liberado pela ação das bactérias anaeróbicas, o cilindro vai se inflando, como um balão. O biogás resultante é formado pelos gases metano (55 a 65%), carbônico (25 a 45%), sulfídrico e amônia.

Em alguns casos, o peso das lonas de PVC é suficiente para fazer a pressão necessária para que o gás seja expelido do gasômetro e direcionado para a alimentação de um motor gerador de energia elétrica ou consumido na produção de calor. Ainda aproveitando a declividade do terreno, os resíduos são direcionados para um tanque de decantação com a capacidade total de produção de detritos estabelecida em função do tempo de retenção. Na decantação, os resíduos sólidos ficam no fundo do tanque e, ao final do ciclo, serão retirados é usado na adubação do solo como biofertilizantes. A água resultante do processo pode ser empregada na irrigação de culturas na propriedade rural.

Carlos Eduardo de Souza
Fonte: Diarioweb

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