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Biodigestor – Efluentes Suínos

A problemática ambiental da suinocultura está no fato de que, a partir do momento em que se optou por explorações em regime de confinamento, o total de dejetos gerados, anteriormente distribuído na área destinada à exploração extensiva, ficou restrito a pequenas áreas. Além disso, houve aumento crescente da demanda por produtos de origem animal e aumento do emprego de tecnologia moderna (mecanização de operações, melhor alimentação do rebanho, controle mais eficiente de doenças, etc.), o que resultou em aumento do efetivo do rebanho, acompanhado por índices elevadíssimos de produtividade (SILVA, 1973; KONZEN, 1983; OLIVEIRA, 1993).
Com esse aumento crescente da população de suínos no Brasil, que hoje chega a contar com 36,5 milhões de animais alojados, com a perspectiva de crescimento para os próximos anos e com a implantação de novos projetos no setor suinícola, torna-se necessária a adoção de métodos e técnicas para manejar, estocar, tratar, utilizar e dispor dos resíduos, dentro do sistema de produção, com o objetivo da manutenção da qualidade ambiental, reutilização dos resíduos em outros sistemas agrícolas e maior rentabilidade na produção. Segundo LUCAS JÚNIOR (1998), até a década de 1970, os resíduos da suinocultura não constituíam problema grave, pois o número de animais era bem menor e o destino dos dejetos era o solo, com a finalidade de adubação orgânica. No entanto, o aumento da produção e o manejo inadequado dos dejetos tornaram-se problemas ambientais significativos.
Considerando-se a disposição desse material em solo, SILVA (1973) afirmou que o esterco de suíno funciona apenas como condicionador do solo, pois, na verdade, tem baixas concentrações de N, P e K, comparadas às dos adubos químicos. Além disso, a operação de aplicação direta no solo é extremamente complicada e se não há finalidade fertilizante, há que se considerar a ocupação de áreas para acúmulo e, por fim, o aspecto visual bastante desagradável. LOURES (1995) comentou, ainda, sobre a salinização e deposição dos metais pesados presentes na composição, provenientes de dietas com excedentes de Cu ou Zn, por exemplo, como efeitos da disposição de dejetos de suínos em solos.
O lançamento direto em cursos d’água, feito sem controle por longos anos, passou a ser considerado ameaça para o meio ambiente como um todo e para a qualidade de vida da humanidade, tendo como principais conseqüências a mortalidade acentuada dos peixes e a eutrofização. Do ponto de vista ecológico, o termo “eutrofização” designa o processo de degradação que sofrem os lagos e outros corpos d’água quando excessivamente enriquecidos de nutrientes, principalmente nitrogênio e fósforo, que limitam a atividade biológica (BRANCO, 1971).
O aumento dos nutrientes pode ser ocasionado por drenagem pluvial, componentes de esgotos domésticos e industriais, o que pode ser minimizado pelo controle da drenagem pluvial, construção de canais de desvio de efluentes e tratamento dos efluentes (SPERLING, 1996).
De acordo com a legislação vigente, o lançamento dos resíduos em cursos d’água somente pode ser feito após o tratamento dos mesmos, o que consiste na compatibilização da composição final ou remoção dos poluentes, de forma que tal procedimento não resulte em problemas ambientais tão acentuados (ITABORAHY, 1999).
MERKEL (1981) e VOERMANS et al.(1994) ainda fizeram referência à questão dos odores indesejáveis provenientes das instalações de criação de suínos, devido à grande quantidade de dejetos acumulados. A emissão de amônia é a principal responsável, além do que, a mesma contribui para a acidificação do solo, sendo tóxica para os organismos clorofilados.
A biodigestão anaeróbia representa importante papel, pois além de permitir a redução significativa do potencial poluidor, trata-se de um processo no qual não há geração de calor e a volatilização dos gases, considerando-se pH próximo da neutralidade, é mínima, além de se considerar a recuperação da energia na forma de biogás e a reciclagem do efluente (FISHER et al., 1979; LUCAS JÚNIOR, 1998)
O biogás, formado principalmente por metano (CH4), dióxido de carbono (CO2), gás amônia (NH3), sulfeto de hidrogênio (H2S) e nitrogênio (N2), obtido a partir do esterco, tem sido usado com freqüência, principalmente na Europa, em substituição ao gás natural que tem se tornado de difícil obtenção. A execução do projeto das estruturas necessárias para produzir energia do esterco, os biodigestores anaeróbios, é de custo elevado, mas a durabilidade e eficiência das mesmas tornam o empreendimento econômico. A Índia tem atualmente mais de 10.000 biodigestores em operação.
Dentro dessas estruturas, bactérias fermentam a matéria orgânica sob condições estritamente anaeróbias, isto é, sem a presença de oxigênio, e produzem o gás. Considerando-se o uso do esterco como fertilizante, na alimentação de animais e como fonte de energia, o esterco constituindo um problema ambiental e ainda que recursos como o petróleo e o gás natural se tornem cada vez mais escassos, a alternativa da biodigestão anaeróbia dos dejetos representa uma opção significativa (ENSMINGER, 1992; LUCAS JÚNIOR, 1994).
O Biogás pode ser utilizado em sistemas de geração de energia térmica e elétrica. Para geração e co-geração de energia elétrica é preciso desenvolver estudos de viabilidade técnica envolvendo geradoras e distribuidoras de energia. O mais comum, e recomendável, é o uso do biogás para aquecimento de aviários e leitões em creche, secagem de grãos, dentre outros.
Fonte: http://eco-sustentar.blogspot.com/2011/11/biodigestor-efluentes-suinos.html