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Bicho Furão

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BICHO FURÃO

O Bicho furão – Ecdytolopha aurantiana – Ú uma mariposa que deposita ovos em frutos, provocando o seu apodrecimento e queda.

Quando a infestação é precoce, os frutos verdes também podem ser atacados.

A praga ganhou o nome de bicho furão porque na sua fase de lagarta fura o fruto, penetra e ali se desenvolve,  saindo para se transformar em pupa, na qual emerge o adulto, a pequena mariposa de coloração negra.

OCORRÊNCIA:

Foi descrito pela primeira vez no Brasil em 1915. Ocorre na maioria dos Estados produtores de citros do Brasil.

CICLO DE VIDA:

Dura de 32 a 60 dias é mais rápido em regiões quentes; uma temperatura média de 30oC é a ideal para seu desenvolvimento. O inseto ataca os pomares mais intensamente entre os meses de novembro e março.

1 – A fêmea da mariposa coloca os ovos em frutos maduros ou verdes que estão entre um a dois metros do chão. Costumam colocar apenas um ovo por fruto, geralmente ao entardecer, entre 17 h e 20 h – período ideal para o controle.

2 – Cada fêmea chega a colocar até 200 ovos durante o ciclo.

3 – Dos ovos, saem lagartas de cabeça escura, que medem cerca de 5 mm. Elas furam a casca e penetram nos frutos, onde se desenvolvem até chegarem a cerca de 18 mm. Durante o seu desenvolvimento no fruto, que pode durar de 14 a 30 dias, dependendo da temperatura, a lagarta se alimenta da polpa e joga excrementos e restos de sua alimentação para fora – esse material fica endurecido e preso a casca. Essa característica ajuda a identificar a presença do bicho furão no pomar.

4 – Antes que o fruto caia, as lagartas tecem um fio para descer ao solo, onde passam para a fase de pupa. Algumas vezes, a pupação pode ocorrer no fruto.

SINTOMAS:

Os frutos atacados pelo bicho furão tornam-se mais amarelos que os demais e, na sua maioria, caem.

O orifício de penetração da lagarta fica evidente.

Muitos citricultores confundem as lesões provocadas pelo bicho furão com aquelas decorrentes da ação da mosca da fruta. Saber qual a diferença entre eles ajudará no combate aos dois insetos.

Frutos atacados – a principal diferença entre o ataque do bicho furão é que, após penetrar no fruto, ele lança excrementos e restos de alimentos para fora da casca. Esse excremento endurece e fica bem visível, grudado a abertura da casca. Além disso, o bicho furão consegue se desenvolver em frutos verdes, ao contrário da mosca da fruta.

DIFERENÃA DO ATAQUE CAUSADO PELA MOSCA DA FRUTA:

O local da fruta atacado pela mosca fica mole e apodrecido enquanto o atacado pelo bicho furão torna-se endurecido.

MONITORAMENTO:

Antes, o monitoramento do bicho furão era baseado em frutos atacados. A decisão de controle considerava uma porcentagem de frutos atacados ou, em casos extremos, que estavam caídos no solo. Entretanto, é melhor monitorar a população de adultos, antes de causarem danos aos frutos. + característica dessa praga ter aumentos populacionais muito rápidos, que impedem o sucesso do controle quando baseado em n·mero de frutos atacados.

Para maior eficiência, foi desenvolvido um método de monitoramento de mariposas do bicho furão por meio de feromônio sexual sintetizado, em pastilhas. O feromônio – uma substância química produzida pelas fêmeas – atrai os machos para acasalamento.

Como fazer: O feromônio é comercializado pela Coopercitrus, em um kit que contém uma pastilha com feromônio e uma armadilha, com paredes revestidas com cola para captura dos insetos. A montagem da armadilha é bastante simples.

O monitoramento é feito registrando-se o n·mero de machos adultos coletados nas armadilhas a cada sete dias, utilizando para isso uma tabela.

área – cada armadilha cobre uma área de 10 hectares (de 3 mil a 3,5 mil plantas), ou seja, deve-se colocar uma armadilha a cada 350 m.

Local – as armadilhas devem ser colocadas nos ponteiros das árvores, onde o bicho furão acasala, e trocadas a cada 30 dias (após esse período o efeito do feromônio acaba e a cola perde a aderência).

MONTAGEM DA ARMADILHA:

(Ver montagem da armadilha em arquivos relacionados mais abaixo)

O monitoramento Ú feito por meio do registro do n·mero de machos adultos coletados nas armadilhas a cada sete dias. O controle é recomendado se forem coletados, em cada armadilha, seis ou mais machos da mariposa por semana. Após a contagem, os insetos devem ser retirados (com um graveto, por exemplo) de dentro da armadilha.

MODELO DE TABELA PARA O MONITORAMENTO DO BICHO FUR+O: (Ver modelo da tabela em arquivos relacionados mais abaixo)

Atenção: Em épocas secas, o citricultor pode observar número altos de insetos capturados na armadilha, sem haver danos nos frutos. Isso ocorre porque há a redução da capacidade do bicho furão colocar ovos com umidade relativa abaixo de 50%. Nesse caso, consulte um engenheiro agrônomo.

Quando se deve usar medidas de controle: O controle com inseticidas recomendados para o bicho furão deve ser feito somente se forem coletados, em cada armadilha, seis ou mais machos por semana. Após a contagem, os machos devem ser retirados (com um graveto, por exemplo) para evitar confusões nas contagens seguintes. O modelo de tabela apresentado abaixo deve ser usado para se registrar o n·mero de machos adultos coletados nas armadilhas a cada semana. Lembre-se: uma armadilha é eficiente por quatro semanas.

CONTROLE:

Podem ser utilizados inseticidas químicos, biológicos ou reguladores de crescimento de insetos.

Hora certa – qualquer método de controle escolhido deve ser realizado ao entardecer (a partir das 17 h), horário em que a praga acasala e coloca os ovos

Quando pulverizar – As pulverizações devem ser feitas somente nos talhões que atingirem o nível de controle (pelo menos seis machos por armadilha a cada semana).

Produtos – O controle pode ser feito com produtos biológicos ou químicos. O primeiro é indicado para infestações baixas (média de seis machos/armadilha/semana). O segundo para baixas e altas infestações.

Controle biológico – A pulverização deve ser por cobertura, na planta toda. Deve-se espalhar de sete a dezoito dias após a contagem da armadilha atingir o nível de controle. O objetivo é esperar a postura e fazer o controle antes que a lagarta penetre no fruto.
Os inseticidas biológicos, Ó base de Bacillus thuringiensis, são eficientes no controle do bicho furão por até 60 dias. A primeira aplicação deve ser feita logo que constatada a existência de mais de seis machos por armadilha. A segunda aplicação é feita 20 a 30 dias mais tarde. Esses inseticidas agem por mais tempo quando misturados com óleo vegetal ou mineral.

Controle fisiológico – Os produtos fisiológicos interferem na troca e formação quitina (“pele”) dos insetos, inibindo ou acelerando seu crescimento. A aceleração faz com que haja mal formação da “pele” do inseto, o que mata a lagarta. Os inseticidas fisiológicos têm efeito por até 30 dias. A vantagem destes produtos é que eles são mais seletivos em relação aos inimigos naturais do bicho furão, preservando aranhas, formigas, ácaros e outros predadores.

Controle químico – Inseticidas químicos de largo espectro de ação, podem ser usados nos focos iniciais da praga. Durante dois a três dias após a pulverização, as lagartas podem se contaminar ao contato com o defensivo.

Recomendação – Se a escolha for pelo controle de adulto, é recomendável realizar a pulverização tão logo seja atingido o nível de controle.

Atenção: Antes da aplicação dos defensivos, solicite a orientação de um agrônomo para conhecer as doses corretas, a garantia de registro, seletividade aos inimigos naturais e uso de equipamentos de proteção.

CUIDADOS ADICIONAIS:

Além das aplicações de inseticidas, o citricultor deve tomar alguns cuidados adicionais para controlar o bicho furão..

Uma delas é a catação e destruição dos frutos atacados, com o objetivo de interromper o ciclo de vida do inseto. Além dos frutos que caem no chão, é muito importante retirar os que ficaram nas árvores. Isso porque os frutos caídos, na maioria das vezes, já não possuem a lagarta, que desce ao solo para passar à fase seguinte de seu ciclo, a de pupa.

Para interromper esse ciclo, os frutos atacados devem ser triturados ou enterrados.

A primeira opção requer uma máquina específica, mas a calda resultante pode ser usada como fonte de nutriente para a planta e deve ser jogada nas ruas do pomar onde bate sol. Se a calda for jogada embaixo da saia das árvores, na sombra, pode favorecer o crescimento do fungo Penicillium, que pode atacar os frutos saudáveis e provocar o seu apodrecimento. + bom lembrar que a aplicação desta calda não substitui a adubação convencional.

A segunda alternativa é enterrar os frutos atacados no meio das ruas do pomar, colocando sobre eles uma camada de pelo menos 30 cm de terra para evitar que as lagartas sobrevivam e voltem à superfície, recomeçando o ciclo.

Outra forma de se reduzir a população do inseto é realizar a colheita o mais rápido possível. A mariposa do bicho furão costuma migrar de talhões com frutos maduros para outros com frutos em fase inicial de maturação. Isso acontece principalmente em pomares que têm mais de uma variedade de citros.

Data Edição: 28/07/2006
Fonte: Fundecitrus



Fonte: http://www.todafruta.com.br/portal/icNoticiaAberta.asp?idNoticia=12993