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Benefícios do biodigestor

Fonte: Jornal Hoje em Dia/MG

Benefícios do biodigestor

O dejeto de suínos, antes um poluente atmosférico de primeira linha, têm contribuído não só com o equilíbrio do meio ambiente, mas também como agente de redução de custos para criadores de porcos e agricultores. Os benefícios são possíveis graças ao biodigestor, equipamento utilizado na produção de biogás, uma mistura de gases – principalmente metano, 21 vezes mais agressivo ante o dióxido de carbono – produzida por bactérias que digerem matéria orgânica, ou seja, sem a presença de oxigênio. Além de ser usado como combustível, em substituição ao gás natural ou o tradicional gás de cozinha (GLP), o produto gera energia elétrica. Outra vantagem é que as sobras do processo servem de biofertilizante e são usadas em lavouras, como de café, com bons resultados.

O uso de biodigestores na criação de suínos ganhou impulso em 2003, por meio do Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL), programa derivado do Protocolo de Kyoto, da Organização das Nações Unidas (ONU), que permite a geração de créditos de carbono. O programa tem como meta a redução das emissões de gases causadores do efeito estufa.
O biodigestor pode ser utilizado por qualquer criador. Mas as empresas certificadoras do mercado de crédito de carbono se interessam principalmente por criadores de maior porte, com plantel de no mínimo 250 matrizes. Nesse caso, a produção de dejetos é suficiente para produzir metano em quantidade satisfatória, o que justifica o investimento e contribue com a efetiva preservação do meio ambiente.

Segundo o pesquisador da Embrapa Milho e Sorgo de Sete Lagoas, Região Central mineira, Egídio Arno Konzen, os dejetos de um plantel de 1.100 a 1.200 matrizes com leitões de até 25 quilos gera 100kVA, que é uma unidade de potência. Segundo ele, o processo feito a partir de dejetos de bovinos é mais complicado, devido à presença de um tipo de fibra vegetal, “que complica a movimentação do biodigestor.”

Conforme Konsen, a tecnologia de utilização dos dejetos animais como insumo na produção agrícola também é importante, pois “não só reduz o potencial poluente e os custos de produção, como melhora os teores de matéria orgânica e de nutrientes no solo”. Os dejetos de aves também são usados como adubo direto.

Suinocultor pequeno também lucra

O presidente da Associação dos Suinocultores do Estado de Minas Gerais (ASEMG), João Bosco Martins de Abreu, possui um biodigestor em sua propriedade. Com o biogás gerado pelo equipamento, ele aquece o local onde ficam abrigados os leitões mais novos (até 20 dias) e um pouco mais velhos. Na semana passada, ele adquiriu um motor/gerador, movido a gás, que possibilitará redução de custos. “Passarei a ter a ter sobra de energia”, salienta.

Para Abreu, a compra de um biodigestor poderia ser economicamente viável mesmo para o criador de menor porte, que não se enquadra no mercado de crédito de carbono e que, portanto, teria que arcar com os custos do equipamento. “O investimento se paga com a economia de energia (elétrica ou térmica) gerada com o gás.”

Como o biodigestor só é viável economicamente em escalas maiores, uma das soluções para os pequenos que pretendem não só aproveitar o gás, mas também entrar no mercado de crédito de carbono, na avaliação de Abreu, seria a criação de cooperativas ou associações de criadores. Em parceria com profissionais que fornecessem orientações técnicas, de manejo e de mercado, elas poderiam captar e comprimir o volume excedente de gás e depois vender o produto, por exemplo para siderúrgicas. A ideia poderia surtir efeito em municípios como Pará de Minas, Região Central, que possui 85 produtores.

O presidente da ASEMG destaca, ainda, além da importância ambiental e da transformação de gás em energia, a possibilidade de usar a parte líquida, resultante do processo, como biofertilizante. “Em um hectare, é possível colocar uma cabeça de gado. Com o biofertilizante, é possível colocar oito cabeças”, compara Abreu.

Secagem e bombeamento feitos a gás

Na opinião do produtor de café Ricardo Bartholo, dono de uma propriedade em Patrocínio, no Alto Paranaíba, a utilização do biodigestor trouxe vários ganhos econômicos. Atualmente, toda a secagem do café, que antes utilizava lenha, é feita por geradores movidos a gás. O mesmo acontece com o bombeamento na lavoura, que anteriormente utilizava energia elétrica.

Para Bartholo, que tem a suinocultura como segundo negócio, a economia proporcionada pelo biodigestor na secagem e bombeamento é apenas “secundária” na produção de café. O ganho principal, diz, é proporcionado pelo biofertilizante.

“Antes de usar esse equipamento, jogava rejeito suíno, na forma de adubo, por baixo do café, para evitar a queima de folhas e do próprio pé. Com o biodigestor, posso jogar o fertilizante liquido direto em cima do café. Assim, economizo adubo e melhoro o teor de matéria orgânica, de baixo teor no solo do Cerrado”, pondera. “Isso tudo proporciona um melhor fluxo de caixa.” Bartholo comemora os resultados proporcionados pelo biodigestor. “Primeiro, o rejeito é uma ameaça aos rios e à natureza. Segundo, não tive custo com o equipamento, devido ao sistema do Protocolo de Kyoto. Em terceiro, reduzi os custos com adubação em cerca de 30%.”

 

Fonte: http://www.suinos.com.br/mostra_noticia.php?id=4849