Pecuária

Bem-estar animal também envolve alimentação das vacas, alerta especialista

29/10/2013

“Alimentar bem a vaca também é questão de bem-estar animal”, alertou o engenheiro agrônomo do Departamento de Zootecnia da UFRGS, José Fernando Piva Lobato, responsável pela primeira palestra do seminário “De Onde Virão os Terneiros?”, que ocorre nesta terça-feira (29.10), em Santa Maria (RS).

Para que a taxa de desmama de terneiros se eleve dos atuais 56 terneiros por cada 100 vacas no Rio Grande do Sul para desejáveis 80 terneiros desmamados é preciso dar mais atenção à alimentação das vacas, defende o especialista. Para Lobato, o avanço da soja na Metade Sul não significa a falência da pecuária, já que há manejos com integração lavoura-pecuária que permitem maior oferta de pastagem.

“A soja pode resolver o problema de fome de nossas vacas. Os indicadores reprodutivos são baixos porque nossas vacas passam fome! Se as vacas estiverem bem nutridas, avançaremos”, disse.

O professor defende adequação dos índices de lotação, adaptando-os à disponibilidade de pasto, para que se consiga aumentar a pressão de seleção do rebanho. “Com uma média de 28 novilhas de reposição para cada 100 vacas, a responsabilidade de melhoramento genético fica apenas com os touros, e não compartilhada com as melhores novilhas”, afirma.

O pesquisador acrescenta que o cuidado com a alimentação das vacas deve ser permanente, incluindo o período de gestação. “Fala-se muito em qualidade de carne, maciez, marmoreio, mas saliento que as células que formam fibras musculares, que dão o marmoreio, formam-se durante o período de gestação. O produto de qualidade não é só pós-nascimento que se faz”, afirma Lobato.

O seminário “De Onde Virão os Terneiros” é uma realização do Senar-RS, com promoção do Sistema Farsul, apoio do Departamento de Zootecnia da UFRGS e jornal Zero Hora e patrocínio do Programa Juntos para Competir, uma iniciativa de Farsul, Senar-RS e Sebrae.

 

Fonte: Agrolink