Café

BB disponibiliza R$ 1 bilhão em novos recursos para estocagem de café

27/11/12

A disponibilização de recursos da ordem de R$ 1 bilhão, feita pelo Banco do Brasil, para estocagem e comercialização da safra 2012/13 de café, foi considerada fundamental para que os cafeicultores tenham condições de negociar a safra a preços mais lucrativos. Atualmente, a saca de 60 quilos do produto é negociada em torno de R$ 350, valor considerado baixo pelos cafeicultores. A expectativa é que ao longo dos primeiros meses de 2013 ocorra recuperação da cotação, uma vez que a tendência é de redução da oferta.

De acordo com o presidente das comissões técnicas de Café da Federação daAgricultura e Pecuária do Estado de Minas Gerais (Faemg) e da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Breno Mesquita, a disponibilização de crédito veio em momento oportuno.

“O produtor poderá, através desta linha, estocar a safra e esperar pela retomada do preço. A liberação veio em um momento importante, dando um fôlego ao cafeicultor que poderá colocar o café como garantia e começar a pagar em maio de 2013, período de entressafra do grão e que estimamos preços mais altos para a saca”, diz.

Segundo dados divulgados pelo Banco do Brasil, o volume de recursos, R$ 1 bilhão, somado ao já alocado por meio do Fundo de Defesa da Economia Cafeeira (Funcafé) e de outras linhas, garante o montante de R$ 1,5 bilhão para a cafeicultura nacional na safra 2012/13.

A medida tem como objetivo garantir aos produtores a possibilidade de obter preços melhores na comercialização do produto, do qual o Brasil é o maior produtor e maior exportador mundial.

Podem acessar o financiamento os cafeicultores, as cooperativas e as agroindústrias ligadas ao setor. Além de garantir a possibilidade de comercialização do produto no melhor momento do mercado, os créditos serão ofertados com taxa de juros de 5,5% ao ano e prazo de até 180 dias.

Limites

Para atendimento de eventuais necessidades que extrapolem os limites com recursos controlados, R$ 1,6 milhão por produtor, estão disponíveis também linhas de crédito para estocagem e para comercialização de produção própria. O preço médio pago pelo café em Minas Gerais, que é o maior produtor do país, está em torno de R$ 350, valor considerado insuficiente para cobrir os custos de produção em algumas regiões produtoras, como nas áreas montanhosas.

De acordo com Mesquita, a cotação do grão está em baixa devido a problemas macroeconômicos, como a crise financeira vivenciada na Europa e nos Estados Unidos, principais compradores do grão.

Apesar de um ano de alta produção, a expectativa dos produtores era de que os preços se mantivessem acima dos R$ 400, isso seria possível pela demanda crescente e pelos baixos estoques mundiais. Além disso, as chuvas registradas ao longo da colheita prejudicaram parte da safra e reduziu ainda mais a oferta de grãos de alta qualidade.

“A retomada dos preços do café depende dos rumos da economia europeia e norte-americana. Temos a expectativa de que os preços melhorem ao longo do próximo ano, já que o período será de safra menor pela bienalidade negativa da cultura e a demanda pelo grão é crescente”, avalia.

O terceiro levantamento da safra de café 2011/12, elaborado pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) em Minas Gerais, aponta para uma produção de 26,63 milhões de sacas de café, representando um incremento de 20,07% em comparação com o plantio passado.

O aumento previsto se deve à bienalidade positiva da cultura, ao aumento da área
em produção e à melhora dos tratos culturais das lavouras.

A produtividade média estimada é de 25,87 sacas por hectare, incremento de 16,73%, enquanto a área de café em produção deve cresce 2,84% em comparação com a safra anterior.

As informações são do Diário do Comércio, adaptadas pela Equipe CaféPoint.