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Banana do Jaíba (MG) chega “bem” à Europa

15/12
Fruta foi desembarcada ainda verde, mas marketing precisa ser trabalhado no mercado em potencial

Michelle Valverde

O teste piloto de exportação de banana-prata produzida na região do Jaíba, no Norte de Minas, para Portugal apresentou resultados promissores no que se refere à conservação e manutenção da qualidade das frutas embarcadas. No entanto, ainda são necessários ajustes para que a banana chegue à Europa com preços mais competitivos, uma vez que tanto os custos de produção como os de transporte são mais elevados que os da banana-nanica, fruta que já é consumida naquele país. Na próxima etapa, que começa a ser executada em janeiro, serão elaboradas ações de marketing para divulgação da qualidade e características da fruta junto a potenciais compradores europeus.

No início de outubro, os produtores de banana do Jaíba despacharam um contêiner climatizado com cerca de 6 toneladas de banana pelo porto de Salvador (BA) com destino a Lisboa, Portugal. A carga, que chegou no dia 3 de novembro, apresentou condições favoráveis. As frutas chegaram ainda verdes e dentro dos padrões de qualidade exigidos para serem disponibilizadas no mercado. Nessa etapa, não foram realizados testes de consumo.

O envio das bananas para Portugal foi a última etapa de um estudo, conduzido por cerca de dois anos, que avaliou as técnicas e procedimentos utilizados desde a produção até o pós-colheita da fruta, incluindo também toda a logística de escoamento.

O projeto foi conduzido pelo Instituto Antonio Ernesto de Salvo (Inaes), da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Minas Gerais (Faemg), em parceria com a Unimontes e Universidade Federal de Viçosa (UFV), com recursos do governo de Minas e do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e suporte do Sistema Fiemg e Sebrae Minas. A entidade beneficiada com o projeto foi a Associação Central dos Fruticultores do Norte de Minas (Abanorte).

Para o presidente da Abanorte, Jorge Luís Souza, o envio teste apresentou resultados promissores e, por isso, o projeto de exportar a banana-prata para a Europa terá continuidade.

“A validação do processo era uma premissa para qualquer operação comercial de exportação da banana-prata. Sem esta etapa, seria um grande risco para produtores e distribuidores da fruta. Nessa fase, o teste não contemplou nenhuma ação de promoção do produto no mercado português ou de validação da hipótese de aceitação dos consumidores locais. Em janeiro, vamos iniciar a construção de um plano de marketing e planejar a introdução do produto na Europa”.

Viabilidade – Para o superintendente do Inaes, Pierre Santos Vilela, serão necessários ajustes para que o processo tenha viabilidade econômica, uma vez que a tecnologia empregada no transporte da carga perecível é de alto custo, o que, se não for trabalhado, pode comprometer a competitividade da banana no mercado europeu.

“Já estamos trabalhando no refinamento da metodologia empregada para que o projeto ganhe viabilidade econômica. Essa revisão é necessária uma vez que o custo de produção da banana-prata já é mais elevado que o da variedade nanica ou caturra. Precisamos ajustar todos estes fatores para que o produto chegue à Europa mais competitivo. Para se ter ideia, a produtividade média da banana-prata varia de 25 a 30 toneladas por hectare, enquanto o rendimento da caturra é de 50 a 60 toneladas.”

Ainda segundo Vilela, em Portugal a população consome a banana-nanica e, por isso, será necessário um plano de marketing muito bem elaborado, já que a prata chegará ao mercado com preços mais elevados.

“Vamos desenvolver um projeto no qual pretendemos mostrar as diferenças e a qualidade do produto. Esse trabalho deve ser divulgado em outros países também. Pretendemos abrir novos mercados e, com isso, elevar a produção na região do Jaíba”, adianta.

Fonte: Diário do Comércio