Curiosidades

Asfalto feito com pneu dura mais e é sustentável

09:35 – 04/03/2011 Da Redação

Qual a forma mais econômica para conservar as rodovias e, ainda, reciclar toneladas de pneus usados por ano no país? Para o doutor em geotecnia, Luiz Rodrigues de Mello, seria o asfalto borracha. Autor da tese O Estudo do Dano em Meio Contínuo no Estudo da Fadiga em Misturas Asfálticas, ele explica que as rachaduras e, posteriormente, os buracos nos pavimentos são os principais defeitos observados nas estradas de todo Brasil. “A inclusão da borracha na mistura modifica as características químicas e físicas do ligante. Essas alterações fazem com que o asfalto tenha maior resistência a fadiga e ao envelhecimento. Essas duas propriedades são primordiais para pavimentos mais duradouros”, explica.

Nos últimos quatro anos, o governo federal investiu anualmente R$ 3,5 bilhões na conservação, restauração e manutenção rodoviária (CREMA). Segundo o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT), para 2011 estão previstos R$ 5 bilhões. “Caso houvesse a adesão do asfalto borracha em rodovias ao longo do Brasil, aliado a uma boa pavimentação, certamente estaríamos com menos buracos e teríamos acréscimo de vida útil no pavimento”, garante Mello. A tecnologia faria com que os investimentos em programas de recuperação de estradas fossem menores, já que após cinco anos de uso, o asfalto borracha não apresenta fissuras, segundo o pesquisador.

Dados divulgados em 2010 pela Reciclanip – criada para atender ao Programa Nacional de Coleta e Destinação de Pneus Inservíveis – mostraram que a entidade coletou e destinou de forma ecologicamente correta 311, 5 mil toneladas de pneus que não seriam utilizados. Para Melo, que durante os testes do asfalto borracha utilizou 20 % de borracha moída de pneus usados, essa seria mais uma opção para os pneus inservíveis. “Seria essa uma das soluções para o destino de milhões de pneus usados, numa extensão de 1 km numa faixa de 3,5m de largura, pode-se usar até 625 pneus”.

Incentivo
Conforme Mello, ainda não há no Brasil incentivo oficial para a incorporação da borracha na composição das misturas do asfalto. “Falta conhecimento da técnica e vontade administrativa para que projetistas, de obras de construção de pistas nas ruas e estradas, comecem a usar esse processo no país”.

Questionada sobre os benefícios do asfalto borracha, a chefe do Laboratório de Asfalto do Instituto de Pesquisas Rodoviárias (IPR/DNIT), Luciana Nogueira, explicou que em 2009 foi aprovada uma norma com configurações específicas para o uso do asfalto borracha nas obras de estradas. “Desde 2003, conferimos os dados e elementos técnicos da aplicação do asfalto borracha em obras rodoviárias. Sabemos que a borracha adicionada no revestimento asfáltico aumenta a vida útil do pavimento. É uma tecnologia muito boa, que contribui para o meio ambiente e melhora as características do pavimento”, disse.

A engenheira arrisca um palpite para a falta da tecnologia nas estradas do Brasil. “Muitos projetistas fizeram o projeto antes da norma ser aprovada. Outro entrave é que precisa ter um controle tecnológico para realizar a mistura”.

Diversos países já utilizam o processo, em boa parte da malha rodoviária. São eles: Estados Unidos, África do Sul, China, Austrália, Suécia, Holanda, Espanha, França, Japão, Colômbia, Chile. No Brasil ainda não há projeto de lei tramitando no Congresso Nacional que obrigue a inclusão da borracha no cimento asfáltico. Existe apenas uma resolução do CONAMA (n°258/99) que determina que as empresas fabricantes e as importadoras de pneumáticos são obrigadas a coletar e dar um destino ambientalmente adequado aos pneus inservíveis.

Pioneirismo
Em 2001 foi aplicado o primeiro asfalto de borracha no Brasil. O projeto foi realizado na rodovia BR 116, entre Guaíba e Camaquã, km 319, no Rio Grande do Sul. Dois anos depois, o asfalto borracha tornou-se objeto de pesquisa pela Área de Pesquisas e Testes de Pavimentos, na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Os testes foram realizados em duas pistas experimentais, uma com asfalto comum, CAP 20 (Cimento Asfáltico de Petroléo), e outra com o asfalto borracha. Os cientistas submeteram as pistas a uma carga de eixo de 10 toneladas e simularam 98 mil repetições nas pistas, depois dos testes, o asfalto comum estava completamente trincado, enquanto o asfalto borracha não sofreu nenhum dano. Só depois de submetido a 300 mil repetições, o trincamento na pista com asfalto borracha foi apontado e com um grau de incidência muito baixo.

Fonte: Com Agência T1

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