Tabaco

As lavouras precisam de chuva

13/09/2017

Tem faltado umidade no solo para a aplicação de insumos como o salitre. Menos mal que a semana tem previsão de chuva

As lavouras e pastagens da região estão precisando da volta das chuvas. As altas temperaturas e o sol vêm castigando as pastagens, que já se encaminham para o final de ciclo. Em dez dias de setembro, apenas 12 milímetros (7% da média histórica) de precipitações foram registrados, o que também preocupa os fumicultores.

Tem faltado umidade no solo para a aplicação de insumos como o salitre. Menos mal que a semana tem previsão de chuva. Serão 25 milímetros até quinta-feira e perto de 60 milímetros na sexta-feira, segundo dados da Climatempo. A projeção é de que vá chover, nos próximos dez dias, de volumes mínimos como 2 milímetros até 64 milímetros por dia, com maior intensidade na sexta-feira e no sábado que vem. Já era hora.

Preços mais fracos

Com a volta das chuvas à região, renovam-se também as esperanças de uma boa colheita e de rentabilidade na comercialização do tabaco. Afinal, na safra 2016/17 os preços não andaram como esperavam os fumicultores. O preço médio do encerramento da venda, no fim de agosto, a R$ 8,63 o quilo, registrou queda de 13,35% sobre os valores praticados há um ano: R$ 9,96, segundo dados da Associação dos Fumicultores do Brasil (Afubra).

O avanço de 34% na produção, de 525,2 mil toneladas para 705,9 mil toneladas de tabaco em 2016/17 com relação a 2015/16, ajudou a pressionar as cotações, mesmo que a queda tenha ocorrido por causa do El Niño anteriormente. As leis de mercado seguem sendo implacáveis.

Foco no exterior

Com boa parte da safra de tabaco já plantada nos três estados do Sul, a expectativa dos produtores está baseada em dois pilares: o clima e o desempenho das exportações brasileiras no segundo semestre. Com as indústrias estocadas, apesar do sinistro que atingiu parte do produto armazenado pela Universal, a expectativa é para uma reação nas vendas a outros países no segundo semestre.

Nos sete primeiros meses de 2017 houve uma queda de 19% no volume embarcado – para 197 mil toneladas em folhas – e de 15% em valores, para US$ 852 milhões. A pequena reação em julho é sintomática. O Sindicato Interestadual da Indústria do Tabaco (Sinditabaco) dispõe de estudo que indica o aquecimento da demanda no segundo semestre e a conclusão das vendas em 2017 em patamar de estabilidade com 2016. O câmbio, com a moeda brasileira valorizada sobre o dólar estadunidense, também não anda ajudando a performance dos embarques do setor.

O valor da integração

O sistema de produção integrada do tabaco vive dias desafiadores. A localização da maior fábrica de cigarros ilegais pela polícia, em Cachoeira do Sul, demonstra que o produtor desavisado está vendendo folhas produzidas em excesso para atravessadores que, cientes ou não do destino, vêm repassando o produto para a indústria ilegal.

Individualmente, algum agricultor pode lucrar um pouquinho com isso, os atravessadores mais e os falsificadores mais ainda. Mas no conjunto da cadeia produtiva, todo mundo sai perdendo. E por muito tempo. Impressiona a complexidade que leva uma organização criminosa a falsificar cigarros que já são falsos e clandestinos.

Arroz em queda

Pesquisa de intenção de plantio divulgada pelo Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga) na semana que passou indicava expectativa de aumento, ainda que pequeno, da área cultivada com o grão nas regiões de Candelária e Rio Pardo. Não deve se confirmar. Na semana que passou, o produto, cujo custo de produção bateu na faixa de R$ 48,00 por saca na temporada passada, desceu a R$ 38,50 de valor de comercialização na região.

Com dificuldades para cumprir o pagamento do custeio e do investimento, além de parcelamentos de dívidas, muitos produtores devem abrir mão do cultivo em áreas marginais, de menor produtividade. No geral, o Irga prevê que o Rio Grande do Sul reduza em 2,5% a área arrozeira, para 1,078 milhão de hectares. Mas extraoficialmente considera que a queda pode chegar a 5%.

Fonte: Agrolink