Próxima safra de milho em MT será 14% mais cara

MSphotos (CC0), Pixabay

Publicado por: luizpatroni em 26/09/2018

Se engana quem pensa que é apenas o plantio da soja que recebe o foco dos agricultores neste momento. Ao mesmo tempo em que decidem o melhor momento de levar as plantadeiras para o campo, os produtores também se programam para o cultivo da segunda safra, que ocupará o campo após a colheita das lavouras que são semeadas agora.

Em ano com tantas variáveis “extra-campo” interferindo com força no mercado das commodities – como dólar, guerra comercial entre China e EUA, eleições, tabelamento do frete – é preciso redobrar a atenção para conseguir identificar os eventuais riscos e oportunidades que venham a surgir. Manter o olhar atento aos gastos com o custeio da lavoura, por exemplo, é uma das importantes estratégias para minimizar os riscos.

Normalmente, os agricultores em Mato Grosso costumam comprar com muita antecedência a maior parte dos insumos que vão ser utilizados na segunda safra. Muitos, inclusive, fazem esta aquisição no mesmo momento da compra dos produtos que vão ser usados na safra de soja, numa tentativa – geralmente bem sucedida – de reduzir as despesas.

Com a disparada do Dólar nos últimos meses (apesar da oscilação negativa dos últimos dias), o custo da próxima safra de milho subiu. A despesa especialmente com os fertilizantes, que são em maior parte importados, saltou 1,6% entre julho e agosto segundo o Imea. Na comparação com agosto do ano passado, a alta chega a 11%.

O insumo foi um dos principais responsáveis pelo aumento considerável das “despesas de custeio da lavoura”, que envolvem os gastos previstos com as operações com máquinas, mão-de-obra, sementes, corretivos, macro e micronutrientes e defensivos químicos. Juntas, as despesas com estes itens subiram 14% em um ano, conforme mostra o acompanhamento mensal realizado pelo Imea. Em agosto de 2017, o desembolso médio com o custeio de uma lavoura de “alta tecnologia” girou em torno de R$ 1.314,89 por hectare. Já em agosto deste ano, a compra dos mesmos produtos comprometeu R$ 1.500,30 por hectare.

O custo mais alto reforça a necessidade de manter atenção às oportunidades que possam surgir no mercado. É claro que o mesmo Dólar que eleva as contas também reflete nos preços. Mas em ano de eleições, quem se arrisca a afirmar que o câmbio vai continuar nos mesmos patamares atuais? E, reforçando, essa é apenas uma das variáveis que podem influenciar na rentabilidade da “safrinha”. Na dúvida, vale a máxima da cautela: é importante ter na ponta do lápis o valor necessário para cobrir os custos e – ao menos – uma pequena margem. Com este cálculo nas mãos, a decisão sobre a melhor hora de vender a futura produção tende a ser (um pouco) menos difícil.

Fonte: blogs.canalrural.uol.com.br