Redução do período seco em vacas leiteiras

O período seco é uma fase preparatória, onde o animal é induzido a cessar sua produção para assegurar o desenvolvimento do feto, promover a síntese de colostro e regenerar os tecidos da glândula mamária para a próxima lactação. O período seco não é o período em que as vacas repõem seu escore corporal, a reposição corporal deve ocorrer no final da lactação. Porém, durante o período seco o rebanho leiteiro pode completar sua reposição corporal caso esta não tenha ocorrido por completo no final da lactação.
O procedimento para secagem dos animais consiste em fornecimento de dieta menos energética seguida da suspensão da ordenha. Ao cessar a remoção do leite ocorre a reabsorção do leite acumulado e inicia-se o processo de involução da glândula mamária. O período seco é constituído de três fases: 1) involução ativa, quando ocorre a regressão dos tecidos secretores; 2) fase de descanso e 3) redesenvolvimento do tecido secretório da glândula mamária, quando novas células são desenvolvidas para substituir células com menos atividade sintética. 
Pesquisas antigas dão suporte à conclusão que período seco menor que 60 dias resulta em redução na produção da lactação subsequente, pois o crescimento mamário seria limitado durante a fase inicial da lactação. Até recentemente era indiscutível que a duração do período seco deveria ser de 60 dias, mas com o aumento progressivo da produção de leite e da persistência da lactação, devido ao melhoramento genético (vacas de alta produção), melhoras no manejo nutricional e introdução de novas técnicas reprodutivas a duração do período seco começou a ser questionada. 

Atualmente as vacas de alta produção apresentam no final da lactação produção de leite em níveis mais elevados do que apresentavam as vacas há 20 a 30 anos atrás e, portanto, a duração do período seco pode ser reduzida. Estudos recentes mostram que a diminuição do período seco é possível, sem sacrificar a produção total de leite. A redução do período seco pode levar a perdas na lactação subsequente, mas o ganho na lactação anterior, devido a um período de lactação superior, pode compensar esta perda. 
Vantagens que podem ser obtidas com a redução do período seco:

  • Incremento na produção de leite, pelo aumento do período de lactação;
  • Aumento da lucratividade;
  • Simplificação do manejo das vacas secas;
  • Diminuição das desordens metabólicas;

Fatores que devem ser considerados ao aplicar a redução do período seco:

  • Se a produção de leite adicional excede a perda da lactação subsequente;
  • Nível de produção da vaca;
  • Idade da vaca e/ou ordem de parto;
  • A produção dos componentes do leite (composição do leite);
  • Incidência de doenças metabólicas e infecciosas;
  • A qualidade do colostro produzido na lactação subsequente;
  • O desempenho reprodutivo do animal;
  • Manejo alimentar adequado;
  • Escore corporal em que o animal se encontra, possibilitando ou não manter a lactação;
  • Saber a data exata da inseminação ou cobertura, principalmente para implantação de período seco muito curto;
  • Uso de antibiótico intramamário durante a secagem (período de carência do leite);

A redução do período seco é vantajosa para rebanhos de vacas multíparas. Rebanhos de baixa produção e vacas primíparas necessitam de um período seco mais longo. Vacas leiteiras primíparas submetidas a um período seco de 35 dias apresentam queda na produção de leite e quantidade de proteína no leite drasticamente reduzida. Quando submetidas a um período seco de 35 dias as vacas multíparas não sofrem redução na produção, no teor de proteína e gordura do leite, chegando a uma produção maior no fim da lactação, com excedente de 285 kg de leite, resultados obtidos na pesquisa de Pezeshki et al. (2007). Além disso, outras pesquisas mostram que o período seco de 34 dias reduz a produção de leite das vacas em segunda lactação, mas não tem efeito sobre a produção de vacas de terceira ou mais lactação. Pesquisas também mostram que a redução do período seco para 35 dias não influencia a qualidade do colostro. 
A duração do período seco necessário para maximizar o rendimento em lactações adjacentes é de 41 a 50 dias depois da primeira lactação e de apenas 31 a 40 dias após a segunda lactação. Estes períodos são adequados para maximizar a vida produtiva da vaca. Um período seco mais curto que 30 dias, após qualquer lactação pode ser prejudicial à vida produtiva da vaca (Kuhn et al., 2006).

Literatura Consultada

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Autor: Bruna Nunes Marsiglio

Fonte:

http://gadoleiteiro.iepec.com/noticia/reducao-do-periodo-seco-em-vacas-leiteiras