Liberação ruminal de cálcio em forrageiras tropicais

A maioria expressiva do rebanho bovino de corte brasileiro é criado em sistemas extensivos, tendo o pasto como única fonte alimentar. Esse fato dificulta o atendimento das exigências de minerais dos animais, levando os pecuaristas a adotarem diferentes sistemas de suplementação.

Em relação aos minerais, é importante destacar que a quantidade ingerida de um determinado elemento mineral é uma informação absolutamente necessária, mas ainda não é suficiente, pois somente a parte realmente absorvida fica à disposição do animal para satisfazer as necessidades do seu organismo. A utilização dos minerais pelo animal depende de, pelo menos dois processos: a solubilização ou liberação do elemento do alimento e a absorção do elemento liberado. A localização do mineral na estrutura da forragem pode influenciar sua liberação. Por exemplo, o mineral associado com a parede celular da planta pode ter menor disponibilidade ou requerer um tempo maior de fermentação, para sua máxima liberação.

Neste artigo vamos centrar a atenção no cálcio, considerado como um mineral de improvável aparecimento de deficiência na maior parte dos rebanhos, o que pode não ser verdadeiro. A consideração apenas das concentrações relativamente altas de cálcio na forragem não é suficiente para adotarmos a postura de atendimento das exigências. O cálcio está associado de forma significativa com a parede celular, principalmente a grupos carboxílicos livres das pectinas, e satura a maioria desses sítios, necessitando de maior tempo de fermentação ruminal para a máxima liberação.

 

Marsiglio et al. (2007) realizaram um trabalho de disponibilidade ruminal de cálcio dos capins Mombaça (Panicum maximum Jacq.) e Brizanta (Brachiaria brizantha) através da técnica in situ, utilizando seis bovinos machos, castrados, fistulados no rúmen e observaram que a curva do desaparecimento ruminal do cálcio do capim Brizanta apresentou-se crescente, sendo que no tempo zero de incubação teve liberação de 15,7% do cálcio e no tempo de 144 horas 84,5%. No Mombaça a liberação de cálcio foi negativa até seis horas, provavelmente em função de uma lag phase, colonização por microorganismos ruminais nos tempos 3 e 6 horas de incubação, mas após 24 horas de incubação teve uma curva semelhante ao capim Brizanta (Figura 1).

Emanuele & Staples (1990), avaliando a técnica in situ para mensurar a liberação ruminal de minerais em algumas plantas forrageiras, observaram uma liberação do cálcio de pelo menos 65% para todas as gramíneas estudadas. Através da técnica de bolsas móveis algumas forrageiras apresentaram valores de liberação acima de 80% para este elemento (Emanuele & Staples,1991).

As diferenças observadas na liberação do cálcio podem ser devido à presença de oxalatos, os quais quando em quantidades elevadas (1,3 a 1,8%) reduz a disponibilidade do elemento (Blaney et al., 1982), conseqüência da formação do oxalato de cálcio.

 Marsiglio et al. (2007) observou que a degradabilidade efetiva do cálcio foi muito semelhante entre as duas gramíneas em todas as taxas de passagem (Tabela 1). Na Tabela 1, a corresponde ao intercepto representando a porção prontamente solúvel no rúmen, ou seja, as partículas eliminadas através da malha dos sacos, quando esses são imersos em líquido ruminal e, posteriormente, lavados em água corrente; b é a fração insolúvel, mas potencialmente degradável; c é a taxa constante de degradação da fração b.

Os autores concluíram que se fazem necessários maiores estudos sobre a liberação de cálcio no rúmen, pois mesmo em taxas de passagem baixa (0,02) a degradabilidade efetiva é pouco superior a 50%.

Referência Bibliográfica

MARSIGLIO, B.N.; FERELI F.; CONEGLIAN S.M. et al. Disponiblidade ruminal de cálcio em Brachiaria brizantha e Panicum maximum CV Mombaça. Encontro Anual de Iniciação Científica, 2007.

EMANUELE, S.M.; STAPLES, C.R. Ruminal release of minerals from six forage species. Journal of Animal Science, v.68, p.2052-2060, 1990.

EMANUELE, S.M.; STAPLES, C.R. Extent and site of mineral release from six forage species incubated in mobile dacron bags. Journal of Animal Science, v.69, p.801-810, 1991.

BLANEY,B.J.; GARTNER,R.J.W.; HEAD,T.A. The effects of oxalate in tropical grasses on calcium, phosphorus and magnesium availability to cattle. Journal of Animal Science, 99:533, 1982.

Autor: Bruna Nunes Marsiglio

Fonte: http://gadoleiteiro.iepec.com/noticia/liberacao-ruminal-de-calcio-em-forrageiras-tropicais