Controle e manejo da reprodução

O ideal em um rebanho leiteiro é que o intervalo entre partos (IP) fique entre 12 e 13 meses.

Administrar bem as condições que influenciam os intervalos de reprodução é fundamental como subsídio nas tomadas de decisão que objetivem melhorar o manejo e a lucratividade. Um IP muito grande se explica por vários motivos, tais como: nutrição inadequada do rebanho, infecção uterina pós-parto, doenças transmitidas pelo touro, falhas na detecção do cio, no manejo da inseminação e manejo inadequado do rebanho.

No Brasil, os intervalos entre partos ainda são muito longos, pois há uma grande lacuna entre o nascimento de um bezerro e a nova cobertura. O primeiro passo para solucionar esse problema é estabelecer o controle reprodutivo do rebanho, que consiste basicamente em anotar data da cobertura, data do parto e data da secagem do animal. Esses dados podem ser incrementados com informações sobre abortos, retenção de placenta, corrimentos vaginais etc. Com essa ferramenta, o produtor saberá se os dados de sua propriedade estão dentro da normalidade e poderá evitar, por exemplo, que o IP cresça, o que significa uma perda expressiva na produção de leite.

O controle reprodutivo só passa a ser efetivo se, ao lado da anotação das datas, o produtor adotar o exame sistemático de toque retal nas vacas para diagnosticar a prenhez e a função ovariana, o qual deve ser feito apenas pelo médico veterinário. Estimativas apontam que o aumento do intervalo entre partos de 12 para 14 meses implica um prejuízo de até 30% na produção, variando com a persistência de lactação. O controle reprodutivo permite avaliar se o intervalo entre os cios está normal e, inclusive, prever o melhor período para a cobertura ou a inseminação artificial, as datas de parto e a secagem de cada vaca do rebanho.

O parto constitui o evento reprodutivo de maior importância na atividade leiteira, por representar o fim de uma gestação normal e início de uma lactação.

Os registros das informações para a avaliação da eficiência reprodutiva (índice que expressa em termos quantitativos a fertilidade de um grupo de animais) devem ser simples e de fácil manuseio, permitindo rápida observação dos possíveis problemas e, com isso, as decisões serão adequadas e oportunas.

As anotações zootécnicas – informações sobre o rebanho – devem ser feitas em fichas individuais e coletivas e, com base nessas anotações, é possível calcular a eficiência reprodutiva do rebanho. No sentido de ver o desempenho reprodutivo do rebanho ao longo do ano, recomenda-se a adoção do Quadro Dinâmico de Controle de Rebanho, que juntamente com as anotações das fichas permite um melhor controle de todo o rebanho.

Recapitulando: são vários os fatores que influenciam a eficiência reprodutiva de um rebanho leiteiro. Os principais são: Manejo nutricional e balanceamento de dieta – A eficiência reprodutiva está intimamente ligada a uma boa alimentação.

Garantir bons índices reprodutivos é também direcionar o manejo para um maior consumo de alimentos pelos animais.

Estresse térmico – O estresse térmico é outro fator a ser controlado, para aumentar os índices de reprodução. Animais sob estresse térmico diminuem sua taxa de concepção de 10 a 35%, em alguns casos.

Daí ser fundamental oferecer sombra e conforto aos animais, como está enfatizado no Manual Manejo do Rebanho.

Qualidade do sêmen – Nos rebanhos que realizam inseminação artificial, o sêmen a ser utilizado deve ser escolhido com a devida assistência do técnico responsável.

A procedência do sêmen é fundamental na escolha, e a exigência por certificação sanitária garante a sanidade do rebanho, pois são várias as doenças que podem ser transmitidas pelo sêmen.

Detecção do cio – Nenhum esforço para melhorar a reprodução surtirá efeito se o cio das vacas não for identificado de forma eficaz. Muitas propriedades têm dificuldade nessa observação. Sabe-se que 50% dos cios, em média, não são identificados. Isso representa a perda do momento certo para inseminação, o que atrasará a prenhez e, conseqüentemente, trará prejuízos ao produtor.

O melhor momento para inseminar ocorre 12 horas após o início do cio. Ficar atento ao rebanho é o primeiro trabalho do inseminador, logo pela manhã, e é também o último à tarde. Detectado o cio pela manhã, deve-se inseminar à tarde; se constatado à tarde, inseminar na manhã do dia seguinte.

Boa condição corporal – O produtor deve ter consciência de que a vaca nunca pode parir magra. Esse talvez seja um dos principais problemas de boa parte das propriedades leiteiras. O escore corporal é uma ferramenta que ajuda a avaliar o manejo nutricional, em termos de quantidade e qualidade. A condição corporal indica o estado nutricional dos animais. É um método prático e eficiente, embora subjetivo, para identificar individualmente vacas que necessitem de um manejo nutricional especial.

É fundamental que haja observação constante do escore de cada animal, para que sejam evitados os problemas reprodutivos. O ideal é que a vaca no momento do parto apresente um escore corporal intermediário de 3,5. (ver ilustração na página 13).

Período seco – O período seco de uma vaca compreende os últimos dois meses de gestação. Nesse período, é importante a adoção de práticas especiais, que proporcionarão boas condições de parto e protegerão a saúde da cria. No período seco ocorre o desenvolvimento de 2/3 do feto e a recuperação de reservas corporais para o parto e a próxima lactação. A falta de cuidados nessa fase pode ocasionar queda da produção de leite na lactação seguinte, redução da vida reprodutiva da vaca, alongamento do intervalo entre partos, nascimento de bezerros fracos e comprometimento da saúde do animal.

As vacas secas devem ficar em piquetes próprios com boa disponibilidade de forragem, sombra, água de qualidade e sais minerais. Deve estar localizado em local limpo, bem drenado, de fácil acesso e observação. A alimentação deve ser controlada para que as vacas no momento do parto estejam com o escore corporal adequado, nem magras nemmuito gordas.

Também não pode ser esquecido, nesse período, que é recomendável o tratamento da vaca seca – uma ferramenta estratégica no controle da mastite.

O período seco é uma oportunidade para o produtor curar alguns tipos de infecções do úbere, as quais se tiverem de ser tratadas durante a lactação obrigarão o produtor a descartar o leite. O tratamento deve ocorrer no momento da secagem da vaca, sob a orientação do médico veterinário, após o esgotamento do leite de todos os tetos. Depois de limpos e desinfetados, cada teto deve receber uma aplicação intramamária de antibiótico específico para vacas secas. Com isso, as vacas terão menos chance de desenvolver mastite durante a lactação.

Pré-parto – Compreende as três últimas semanas antes do parto e termina com o início das contrações uterinas. Na véspera do parto o animal se isola, o tampão mucoso da vagina se desprende e aumenta a pulsação e a freqüência respiratória. A dilatação dura de três a oito horas em média e as contrações sucedem-se a cada 15 minutos, até o rompimento da bolsa amniótica. A expulsão do feto dura de uma a três horas, sendo que nas primíparas pode demorar um pouco mais (de quatro a seis horas). As contrações uterinas aumentam, sucedendo-se a cada período de dois a cinco minutos até a expulsão do feto. O parto deve ser acompanhado a distância por um funcionário treinado, que não deve interferir diretamente no processo. Caso ocorra alguma anormalidade, o médico veterinário deve ser chamado. A expulsão da placenta deve ocorrer normalmente 12 horas após o parto.

Pós-parto – Imediatamente após o parto, o funcionário deve proceder à higiene da vaca e fazer com que o bezerro mame o colostro o mais rápido possível. As vacas que tiverem partos traumáticos, com rompimento da vagina, devem ser tratadas para evitar-se a proliferação de germes e a conseqüente infecção. Se forem necessários tratamentos por causa de infecções e retenção de placenta, por exemplo, os procedimentos (aplicação de injeções, remédios e lavagens uterinas) devem ser realizados por um funcionário treinado, seguindo-se rigorosamente as recomendações do médico veterinário.

Recomenda-se a observação de um tempo pós-parto – período voluntário de espera –, para que o útero retorne à sua dimensão normal, a possibilidade de haver infecções diminua e a inseminação seja mais eficiente. Não há receita quanto ao tempo ideal, cada propriedade tem seus métodos, dependendo do perfil do rebanho, do manejo, dos objetivos de produção e até da época do ano. De modo geral, em um rebanho sadio e bem nutrido, as matrizes retornam ao primeiro cio ao redor de 30 dias pós-parto.

Nível de produção – Quanto maior a produção de um animal, menor será sua taxa de concepção.

Existem várias pesquisas em andamento para esclarecer essa questão. O produtor precisa ter em mente que um aumento na produção de leite é correspondente a uma diminuição da eficiência reprodutiva. Técnico e produtor que trabalham essa questão têm que concentrar seu planejamento no resultado final: maior produção diária de leite por intervalo entre partos. Esse é um dos indicadores mais importantes, pois alia em um só número duas variáveis importantíssimas como produção de leite e eficiência reprodutiva.

Período de serviço – O período de serviço compreende o intervalo (em dias) decorrido entre o parto e a concepção. O período ideal é de 83 dias, na média do rebanho. Os dados utilizados são extraídos das anotações do produtor.

Intervalo entre partos – Intervalo entre partos é o tempo decorrido entre dois partos sucessivos de uma mesma vaca. O ideal é que período seja de 12 meses. É medido por animal e depois calcula-se a média do rebanho.

Fonte: http://www.biblioteca.sebrae.com.br/bds/BDS.nsf/5ED43C8F8C05B3D28325768000624CF0/$File/NT00042E26.pdf