Tópicos importantes para um confinamento

O Censo agropecuário do IBGE de 2006 revelou que existem no Brasil pouco mais de 169 milhões de cabeças de bovinos. No ano de 2007, ainda segundo dados do IBGE, foram abatidos 30,5 milhões de cabeças e em 2008, 28,7 milhões. Projeção da FNP revela que em 2007 foram abatidos aproximadamente 2,3 milhões de bovinos confinados, em 2008 estima-se ter sido confinado no Brasil em torno de 2,7 milhões de cabeças. Para 2009 existem opiniões diferentes, entretanto o número mais defendido seria de estabilidade na quantidade de animais confinados até uma queda de 10%.

De qualquer forma, nos últimos 10 anos, o aumento da produção de animais em sistemas intensificados pode ser justificado por algumas razões: bonificações por qualidade de carcaça, otimização da produção (tempo x espaço utilizado), complementação da renda das empresas agropecuárias que possuem áreas de lavoura e alta produção (escala) entre outros. Entretanto a prática de confinamento pode ser arriscada, por apresentar custos altos concentrados em curto espaço de tempo e é fortemente influenciada pelo mercado. Fora isso, os procedimentos realizados dentro da propriedade (manejo geral) também devem ser muito bem conduzidos a fim de não ocasionar em perdas de rendimento da atividade.

Para aqueles que vão iniciar na atividade a localização e infra-estrutura da propriedade deve ser bem planejadas para evitar gastos adicionais. Quando pensamos na construção de uma unidade de confinamento deve ser considerada sua ampliação, ou seja, as áreas escolhidas devem permitir a expansão do negócio.

O empreendimento deve estar próximo de áreas onde há produção de grãos e cereais quando esses insumos forem adquiridos no mercado, assim como de frigoríficos para a venda dos animais. Segundo LAZZARINI (2000), o planejamento das instalações em uma fazenda de gado deve se basear na durabilidade, economicidade e funcionalidade. Um detalhe essencial que alguns esquecem é a disponibilidade de água. Ainda segundo o mesmo autor podemos setorizar a propriedade com tais denominações:

  • Setor de alimentação (área de pastagens, currais de engorda), setor de manejo (currais de manejo);
  • Setor de armazenamento de alimentos / preparo de ração;
  • Setor de máquinas / implementos;
  • Setor administrativo;
  • Setor social (casa dos funcionários).

Veja a vista aérea de um confinamento:

Animais destinados para a atividade de engorda devem ser de boa qualidade, sadios e de potencial em ganho de peso. Animais mais jovens possuem uma melhor eficiência na conversão alimentar e seu crescimento se dá com incremento da massa muscular. Animais mais velhos ao contrário, podem acumular maior quantidade de gordura do que músculo além de demandarem maior quantidade de alimento.

O sexo dos animais também influencia o desenvolvimento do animal. Fêmeas atingem o ponto de abate mais cedo que machos castrados e esses em tempo menor que os machos inteiros, quando se considera isso, um melhor planejamento da produção é realizado (início, término de confinamento e quantidade de ingestão da ração).

O custo de aquisição do animal para confinamento é o maior entre todos os outros que incidem sobre a atividade (Tabela 1) e assim a compra deve ser baseada em critérios técnicos, com avaliação minuciosa dos animais que estão sendo adquiridos a fim de se evitar uma produção inferior ao planejado.

A nutrição, como segundo ponto mais determinante da lucratividade do sistema, deve ser bem elaborada e o fornecimento da ração adequado para não permitir desperdícios ou falta de alimento para o gado, além é claro, a monitoração da qualidade do insumo utilizado.

A dieta para bovinos em confinamento é composta de duas partes: volumoso e concentrado. De forma geral, no Brasil, podemos dizer que em média na relação entre os dois, a inclusão de volumoso prevalece sobre a de concentrado. São alimentos volumosos aqueles que apresentam acima de 18% de teor de fibra bruta na MS (Matéria Seca), como capins, fenos e silagens. Já os concentrados são divididos entre protéicos e energéticos, com menos de 18% de fibra bruta na MS. O protéico com mais de 20% de PB (Proteína Bruta) e o energético com menos de 20% de PB, ambos em teores de MS. Para maiores ganhos em confinamento podem ser utilizados os alimentos mais energéticos, como o milho, caroço de algodão, polpa cítrica, entre outros.

Uma diversidade muito grande de microorganismos é encontrada no rúmen do bovino, bactérias, protozoários e fungos residem nesse órgão, em constante predação, competição, mutualismo e antibiose influindo no desenvolvimento do animal. A nutrição deve considerar a utilização das matérias primas por esses organismos, assim, conceitos como PDR (Proteína Degradável no Rúmen) e PNDR (Proteína Não Degradável no Rúmen) tornam-se mais usuais no balanceamento das dietas, bem como o fornecimento adequado de minerais, vitaminas e inclusão de alguns aditivos.

Outro aspecto importante é a adaptação do animal à dieta, pois este vindo de criação à pasto, teve sua alimentação de forma geral sobre volumoso (gramíneas) e no confinamento sua dieta será modificada de forma abrupta. Dependendo da dieta será necessário um período que pode ser de aproximadamente 15 dias para que o animal se adapte a nova ração e durante o confinamento a mudança brusca da ração em componentes e valor nutricional pode acarretar em desestabilização do consumo e desenvolvimento do animal.

Com relação à sanidade do rebanho, devem ser vacinados contra febre aftosa, botulismo e vermifugados. Dentro do confinamento o animal pode apresentar problemas de saúde e isso pode acarretar em menor ganho e até mesmo óbito. As principais doenças que podem acometer os bovinos confinados são:

  • Botulismo;
  • Enterotoxemia;
  • Dermatomicose;
  • Dermatofilose;
  • Timpanismo;
  • Acidose láctica;
  • Laminite;
  • Intoxicação por uréia.

Essas doenças citadas acima podem ocorrer basicamente por erros na nutrição do gado, seja por estocagem de insumos de forma inadequada ou formulação e fornecimento errados. De qualquer forma, em grandes confinamentos ou em fazendas que exista controle pormenorizado de produção e qualidade, esses problemas não são usualmente encontrados, salvo quando por suscetibilidade pelo animal.

Com relação ao manejo do gado, esse deve ser feito de forma a minimizar seu estresse (formação de lotes homogêneos, evitando futuras movimentações de piquetes desnecessárias). O alojamento dos animais deve respeitar também critérios de lotação propiciando conforto. Em regiões muito quentes e secas, aspersões de água devem ser realizadas nos animais de forma a amenizar seu estresse e por fim deve também haver boa disponibilidade e qualidade de água. Operação de pesagem, vacinas, transporte de animais devem ser feitos de forma cuidadosa para que contusões não ocorram.

Tanto a construção ou manutenção da estrutura do confinamento, compra de animais, fornecimento de insumos e manejo com os animais devem ser bem gerenciados. Por se tratar de uma atividade de alto risco, todos os pontos devem ser monitorados e corrigidos quando verificados erros de procedimentos. Existem hoje disponíveis no mercado softwares funcionais que podem ser eficazes para a gestão do confinamento. Com um controle apurado do sistema de produção pode-se antever seu custo de produção e assim partir para ferramentas existentes hoje no mercado que garantam sua lucratividade no sistema.

Autor: Bruno de Jesus Andrade

Fonte: http://gadoleiteiro.iepec.com/noticia/topicos-importantes-para-um-confinamento