O valor da proteína suplementar na nutrição de ruminantes a pasto

Quando falamos de eficiência em um sistema de produção animal não podemos deixar de falar em nutrição. Com a utilização dos processos de seleção e cruzamentos, houve um grande avanço em relação à capacidade produtiva em gado de corte, gado de leite, ovinos e caprinos. E obviamente não faríamos tanto investimento se não desejássemos alcançar índices produtivos mais elevados. A produção dos ruminantes quer seja, carne, leite, lã, bezerros ou qualquer outro produto, sem dúvida passa pelo que acontece no rúmen destes animais, que é totalmente dependente da alimentação que lhes fornecemos.

O rúmen é a casa dos microrganismos extremamente benéficos aos ruminantes porque produzem nutrientes para estes animais. Na presença dos alimentos, que fornecem energia, minerais, carbono e nitrogênio, estes micróbios presentes no rúmen sintetizam aminoácidos essenciais e proteína de alto valor biológico, os quais farão parte dos produtos citados anteriormente. No entanto, para obtermos o melhor desempenho de nossos bois, vacas, ovelhas e cabras devemos observar algumas relações importantes entre os nutrientes da dieta. Uma destas relações leva em conta a proteína e a energia disponível no alimento, sendo a energia dada pelo teor de NDT.

A pesquisa já demonstrou que uma relação ótima está por volta de 130 gramas de proteína degradável no rúmen (PDR) para cada quilo de NDT consumido (130 g de PDR/kg de NDT). Assim, quando fazemos uma análise da situação das pastagens no período seco do ano em fazendas de gado de corte no Brasil, vamos constatar a falta de proteína. Na maior parte do Brasil pecuário, é comum as pastagens apresentarem por volta de 4% de proteína no período seco, com 80% de degradação no rúmen, o que nos dá 3,2% de PDR, ou seja, 32 g de PDR/kg de matéria seca. Estas pastagens normalmente apresentam 0,45 kg de NDT/kg de matéria seca (45% de NDT). Assim teremos 32÷0,45, que nos dá uma relação com o valor de 71 g de PDR/kg de NDT, portanto, bem inferior ao necessário, mostrando a necessidade de suplementação protéica aos animais nesta época do ano. Num caso como este, muito comum, temos um déficit de aproximadamente 60 g de PDR/kg de NDT. Considerando que nestas condições o consumo de matéria seca fica por volta de 1,6% do peso vivo, um boi com 350 kg consumiria em média 5,6 kg de MS/dia. Considerando o NDT da pastagem igual a 45%, teremos um consumo de 2,52 kg de NDT ((45×5,6)/100) e, portanto, um déficit de 60 × 2,52, ou seja, 150 gramas de PDR.

Com o uso de um suplemento contendo 40% de PB e consumo de 450 g/dia (1,3g/kg de peso vivo) fornecemos ao animal 180 g adicional de PB, e considerando que nestes suplementos a degradação ruminal da proteína é de 85%, teremos 153 g de PDR/dia. Esta suplementação zera a deficiência de proteína do animal e produz melhoria na digestibilidade da forragem e aumento no consumo da forragem, o que pode ser traduzido em ganho de peso numa situação em que a perda de peso seria inevitável.

Autor: IEPEC

Fonte: http://gadoleiteiro.iepec.com/noticia/suplementando-proteina-corretamente