O papel do cromo na nutrição de bovinos

O cromo é considerado essencial para humanos e animais há mais de 40 anos. O cromo é encontrado na natureza principalmente na forma trivalente. A concentração máxima tolerável de cromo na dieta dos animais é de 3000 ppm para os óxidos e 1000 ppm para os cloretos.

O cromo é importante para a atividade de enzimas, a estabilidade de proteínas, e o metabolismo de carboidratos. No entanto, o principal papel do cromo é potencializar a interação entre a insulina e receptores celulares, através da formação do fator de tolerância à glicose. O fator de tolerância à glicose estimula a ação da insulina e potencializa a entrada de glicose para dentro da célula (Figura 1).

Na etapa 1 a insulina se liga ao receptor e produz a ativação. Na etapa 2 ocorre a ativação do receptor de insulina que estimula a entrada de cromo para dentro da célula. Na etapa 3 o cromo se liga ao peptídeo Apo-LC conhecido como Substância de Baixo Peso Molecular Ligadora de Cromo. Na etapa 4 a Apo-LC se liga ao receptor de insulina e melhora a atividade do mesmo. Esta energia adicional produzida pela maior quantidade de glicose que entra na célula será utilizada para manutenção celular, síntese de novas proteínas, crescimento muscular, e melhoria na reprodução.

A absorção de cromo ocorre principalmente no intestino delgado, e as formas inorgânicas (cloreto e óxido) têm baixa absorção (0,4 – 3%, Anderson, 1987). As formas orgânicas de cromo têm maior absorção (Olin et al., 1994; Anderson et al., 1996), e atualmente há 6 formas orgânicas utilizadas na alimentação animal. São elas: cromo-aminoácido, cromo-picolinato, cromo-nicotinato, cromo-quelato, cromo-proteína e cromo-levedura.

O fornecimento suplementar de cromo tem se mostrado muito positivo principalmente em situações de estresse. Em ruminantes o estresse aumenta os níveis sanguíneos de cortisol (Bunting, 1999). O cortisol atua de forma antagônica à insulina, reduz a síntese de proteína (Reilly e Black, 1973), é imunodepressor (Munck et al.,1984) e reduz a absorção de glicose pelos tecidos periféricos (Burton, 1995),

Os resultados obtidos pela pesquisa têm mostrado que a suplementação com cromo melhora a resposta imunológica de animais confinados, com redução nos níveis de cortisol e aumento na produção de imunoglobulinas (Chang e Mowat, 1992; Almeida e Barajas, 1999; Almeida e Barajas, 2002), melhora a resposta vacinal (Burton et al., 1994) e diminui a morbidade em bezerros e novilhos (Mowat et al., 1993).

Em vacas leiteiras, a suplementação com cromo reduz a concentração de ácidos graxos não esterificados no sangue (Yang et al., 1996; Hayirli et al., 2001; Bryan et al., 2003), e a ingestão de alimentos e produção de leite (Besong et al.,2001; Hayirli et al., 2001; Smith et al., 2002). Villalobos et al. (1997) e Bunting (1999) verificaram queda nos índices de retenção de placenta em vacas que receberam suplementação com 9 semanas antes do parto.

Na tabela 1 são mostradas as concentrações de cromo em alguns alimentos utilizados na alimentação de ruminantes.

Apesar da necessidade de mais pesquisas na área podemos concluir que naqueles períodos do ano em que os animais são expostos à maior estresse e para aquelas categorias que também enfrentam alto nível de estresse, como animais recém desmamados, a suplementação com cromo pode melhorar as condições orgânicas do animal e com isto melhorar a produção. Produtos com concentrações de cromo entre 10 e 20 mg/kg normalmente são suficientes para atingir bons níveis de suplementação do elemento.

Literatura Citada

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Autor: Prof. Dr. Antonio Ferriani Branco

Fonte: http://gadoleiteiro.iepec.com/noticia/o-papel-do-cromo-na-nutricao-de-bovinos